A janela ideal para a colheita do café no Brasil está aberta, mas as chuvas recentes decidiram não colaborar. Na maior parte das regiões produtoras, o ritmo dos trabalhos segue abaixo do esperado para este período do ano, e o impacto já se reflete nas cotações da bebida mais consumida no país.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a expectativa era de que as atividades de colheita se intensificassem a partir de meados de maio. As precipitações, porém, trouxeram um problema técnico bem conhecido pelos cafeicultores: a chuva derruba os frutos antes do momento ideal e os grãos que chegam ao chão perdem qualidade durante a coleta, comprometendo o padrão final do produto.
Arábica em queda, robusta em alta
O reflexo nas cotações é distinto entre as duas principais variedades cultivadas no Brasil. Nesta terça-feira (27/5), o indicador Cepea/Esalq do café arábica registrou preço médio de R$ 1.637,80 por saca de 60 quilos, acumulando queda de 7,03% no mês de maio. O robusta, por outro lado, seguiu trajetória oposta, com cotação de R$ 961,86 a saca e alta de 3,96% no mesmo período.
A diferença entre os dois mercados tem explicação na dinâmica de oferta de cada variedade ao longo da safra 2025/26. O arábica, que predomina em estados como Minas Gerais e São Paulo, foi mais impactado pela entrada de novos volumes no mercado ainda em abril, quando as cotações recuaram com mais intensidade. O robusta, concentrado principalmente no Espírito Santo, apresenta comportamento distinto e vem se beneficiando de correções pontuais no mercado.
O movimento de correção que abril explica
Para entender o que acontece em maio, é preciso olhar para o mês anterior. O Cepea aponta que o recuo mais expressivo nos preços ocorreu em abril, impulsionado pela maior oferta de produtos da safra 2025/26. Com mais café disponível no mercado, a pressão sobre as cotações foi natural e intensa. O que se observa agora em maio é justamente um processo de correção gradual, com os preços buscando um novo ponto de equilíbrio após o ajuste anterior.
Esse comportamento é comum em períodos de transição entre safras e de entrada de volume novo no mercado. O que torna o cenário atual mais complexo é a variável climática: com a colheita atrasada pelas chuvas, a oferta efetiva pode demorar mais para se consolidar, o que cria incerteza sobre o ritmo das correções nas próximas semanas.
O que o produtor acompanha de perto
Para quem está no campo, o momento exige atenção redobrada. Colheita feita sob condições adversas de umidade eleva os riscos de perda de qualidade, especialmente em propriedades que dependem da secagem natural dos grãos. A combinação de clima úmido, frutos no chão e pressão de preços cria um cenário que exige decisões rápidas sobre o momento certo de colher e como armazenar o produto até a comercialização.
O mercado, por sua vez, segue monitorando a velocidade com que a safra 2025/26 avança. A recuperação gradual das cotações do arábica ao longo de maio indica que há demanda sustentada, mas a definição do patamar de preços para as próximas semanas depende, em grande parte, de como o clima se comportará nas regiões produtoras nos próximos dias.




