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Chuvas no Maranhão e no Rio Grande do Sul seguram a colheita de soja na reta final da safra 2025/26

Com 94,7% da área colhida, Brasil opera abaixo da média dos últimos cinco anos e atrasa também o início do trigo

Escrito por: Derick Machado
5 de maio de 2026
in Mercado Agro
Gilson Abreu/AEN

Gilson Abreu/AEN

A colheita de soja no Brasil entrou na fase decisiva do ciclo 2025/26 com ritmo abaixo do esperado. Até esta segunda-feira (4/5), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) registrou 94,7% da área colhida nos 12 estados monitorados, que juntos representam 96% de tudo que foi plantado no país. O número fica abaixo tanto do avanço registrado no mesmo período de 2024/25, quando os trabalhos chegavam a 97,7%, quanto da média histórica dos últimos cinco anos, fixada em 95,1%.

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O atraso não é generalizado. Dos 12 estados acompanhados pela Conab, sete já encerraram as operações de campo. O problema se concentra em dois pontos específicos do mapa.

No Maranhão, a colheita chegou a 68% da área, contra 73% registrados na mesma janela da safra anterior. No Rio Grande do Sul, o contraste é ainda mais evidente: 78% colhidos, diante dos 92% de um ano atrás. A Conab aponta diretamente as chuvas como o fator que travou o avanço das máquinas nesses dois estados, impedindo a entrada de colheitadeiras nas lavouras e pressionando o calendário operacional dos produtores.

O Maranhão integra a região do Matopiba, fronteira agrícola que nos últimos anos consolidou posição relevante na produção nacional de soja. Qualquer interrupção no ritmo de colheita nessa área afeta diretamente o fluxo de escoamento pelo corredor Norte, que abastece os portos do Pará e do Maranhão. No Sul, o Rio Grande do Sul já vinha de uma safra marcada por irregularidades climáticas, e o atraso atual reforça a pressão sobre os produtores gaúchos, que seguem dependentes de uma janela climática favorável para concluir os trabalhos.

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O atraso na soja repercute diretamente no início do ciclo seguinte. A semeadura do trigo 2026 registrou apenas 9,9% da área plantada até o momento, número abaixo dos 13,1% computados na mesma época do ano passado. A correlação é direta: em boa parte das propriedades do Sul do Brasil, a entrada do trigo depende da liberação das áreas ocupadas pela soja. Com a colheita represada no Rio Grande do Sul, o calendário do cereal de inverno segue comprimido, o que pode influenciar o desempenho produtivo da cultura nas próximas semanas.

O setor acompanha com atenção a evolução climática nas regiões afetadas. A janela disponível para conclusão da colheita de soja e avanço do trigo é cada vez mais estreita, e as condições dos próximos dias serão determinantes para definir se o ciclo 2025/26 fecha próximo ou mais distante dos parâmetros históricos.

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