Escolher o híbrido errado para a safrinha pode comprometer meses de trabalho e comprimir a margem de uma cultura que já convive com janelas climáticas apertadas. É para reduzir esse risco que a Copagril realizou, na manhã desta quarta-feira (21), o Dia de Campo Milho Safrinha 2026, na sua Estação Experimental em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná.
O evento reúne produtores rurais, equipes técnicas e empresas parceiras em torno de um objetivo prático: observar, comparar e decidir com base em dados reais de campo, antes que a próxima temporada chegue.
37 híbridos lado a lado no campo
A estrutura montada para o evento vai além do que costuma ser apresentado em feiras e showrooms. São 37 híbridos de milho safrinha desenvolvidos por nove empresas de genética, todos implantados nas mesmas condições reais de cultivo da estação experimental. Isso significa que os produtores presentes acompanham, na prática, variáveis que fazem diferença na lavoura: tolerância ao estresse hídrico, sanidade foliar, uniformidade de espigas e potencial produtivo de cada material.
A lógica é simples e eficiente. Em vez de confiar apenas em boletins técnicos ou recomendações de vendedores, o produtor vê o comportamento do híbrido sob as mesmas condições climáticas e de solo que encontrará em sua propriedade. Para uma região como o Oeste do Paraná, onde a segunda safra representa parcela relevante da renda anual das propriedades, essa comparação direta tem valor concreto.
“O Dia de Campo tem como objetivo auxiliar os produtores na tomada de decisão para a próxima safrinha. Além da apresentação de híbridos, o evento busca aproximar os cooperados de novas tecnologias e estratégias de manejo”, afirma Eloi Darci Podkowa, diretor-presidente da Copagril.
Manejo, solo e estabilidade produtiva
Paralelo à avaliação dos híbridos, o evento dedica espaço significativo a temas que muitas vezes ficam em segundo plano, mas determinam o teto produtivo de qualquer material genético: fertilidade do solo, manejo nutricional e estratégias para ampliar a estabilidade das lavouras diante das variações climáticas que têm marcado as últimas safras.
Uma das áreas demonstrativas mais relevantes do evento é composta por nove espécies de culturas de cobertura, implantadas para avaliação agronômica. A proposta apresenta alternativas para conservação do solo, manutenção da umidade, aumento da matéria orgânica e redução de processos erosivos, aspectos que afetam diretamente a performance dos híbridos plantados na sequência.
“O encontro permite que os produtores acompanhem, na prática, o comportamento dos materiais e manejos nas condições da região Oeste do Paraná”, destaca Cesar Luiz Petri, diretor vice-presidente da cooperativa.
A combinação entre escolha de híbrido e manejo do solo é justamente o que diferencia produtores que mantêm produtividade estável mesmo em anos desafiadores daqueles que dependem de condições climáticas favoráveis para fechar bem a conta.
Uma safra que não pode ser ignorada
O milho safrinha consolidou seu papel estratégico na agricultura brasileira. Dados da Consultoria Agro Itaú BBA apontam a cultura entre as principais da segunda safra nacional, o que pressiona os produtores a buscarem cada vez mais materiais adaptados às condições específicas de cada região, especialmente diante de um cenário em que o clima tem sido menos previsível e mais exigente.
No contexto do Oeste paranaense, onde a Copagril atua, a decisão sobre qual híbrido plantar é também uma decisão financeira. A safrinha compõe a renda da propriedade em ciclos curtos e com menor margem de erro do que a safra principal, o que torna eventos como este uma ferramenta concreta de gestão, não apenas de capacitação.
Circuito percorre oito municípios até junho
O encontro em Marechal Cândido Rondon abre um circuito que se estenderá por mais sete municípios nas próximas semanas. Os próximos Dias de Campo acontecerão em Mercedes (2 de junho), Margarida (3 de junho), Nova Santa Rosa (11 de junho), Ponta Porã (12 de junho), São José das Palmeiras (17 de junho), Bela Vista (20 de junho) e São Clemente (24 de junho).
A amplitude do circuito revela a dimensão do trabalho técnico que a cooperativa sustenta junto aos seus cooperados. Cada município recebe o evento com o mesmo propósito: oferecer suporte técnico para o planejamento da próxima safra, com atenção às condições específicas de solo, clima e infraestrutura produtiva de cada localidade. Para o produtor, a janela de tempo entre agora e o início do plantio da safrinha é exatamente o momento em que essas informações têm maior impacto sobre as decisões que virão.



