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E-agro acelera expansão e mira crescimento de 30% no crédito rural em 2026
Após avanço de 180% na carteira, braço digital do Bradesco amplia foco para PJ e CPR em dólar
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O E-agro encerrou 2025 com R$ 6,3 bilhões em carteira de crédito. O número representa um avanço de cerca de 180% em relação ao ano anterior. Agora, a plataforma digital do Bradesco mira um crescimento adicional de 25% a 30% em 2026.
O movimento não acontece por acaso. O crédito rural ficou mais seletivo, as margens apertaram e o produtor passou a olhar cada ponto percentual de juros com lupa. O mercado sentiu o ajuste.
Embora ainda seja pequeno diante da carteira total do Bradesco — superior a R$ 130 bilhões no agro — o desempenho do E-agro indica uma mudança na forma como o produtor contrata crédito. A porteira digital abriu de vez.
Para Nadege Saad, head do E-agro, o avanço não se resume a volume. “O produtor está mais atento ao custo do crédito e aos riscos envolvidos. Isso exige soluções financeiras mais precisas, transparentes e alinhadas à realidade do campo”, afirmou. Ela vai além: “Tecnologia é meio. O objetivo final é promover disciplina financeira e apoiar decisões mais seguras.”
O recado é claro. Não basta liberar recurso. É preciso organizar fluxo de caixa, casar prazo com ciclo produtivo e reduzir risco de descasamento entre receita e pagamento.
A expansão sai da porteira para dentro
Até aqui, a plataforma concentrou boa parte das operações em produtores pessoa física. A partir deste primeiro trimestre, começa uma nova etapa: financiamento também para produtores estruturados como pessoa jurídica, revendas de insumos e prestadores de serviço do setor.
Na prática, isso amplia o mix de crédito disponível dentro da cadeia. Revendas poderão financiar estoque, prestadores poderão investir em equipamentos e produtores com estrutura empresarial ganham acesso digital a linhas que antes exigiam relacionamento presencial mais tradicional.
O crédito deixa de ser apenas custeio e passa a ser ferramenta estratégica de expansão.
Máquinas e CPR em dólar entram no radar
Outra frente de crescimento envolve financiamento de máquinas agrícolas, incluindo equipamentos da chamada “linha amarela”. Isso indica que o banco mira não apenas o produtor de grãos, mas também operações ligadas a infraestrutura rural, armazenagem e obras dentro da propriedade.
Além disso, a plataforma prepara operações via Cédula de Produto Rural (CPR) em dólar e pós-fixada. Em um ambiente de volatilidade cambial e preços internacionais pressionados, essa alternativa pode ser vantajosa para quem vende parte da produção no mercado externo.
Mas há risco. CPR em dólar exige hedge natural ou estratégia bem amarrada. Quem exporta tem proteção parcial. Quem vende só no mercado interno precisa fazer conta.
Crescimento em ano de pressão sobre margens
O salto de 2025 ocorreu em um ambiente pouco confortável. Houve maior seletividade na concessão de crédito, preços agrícolas instáveis e pressão sobre margens em várias cadeias.
Ainda assim, a carteira avançou. Para Nadege Saad, o crescimento aconteceu com cautela. “Disciplina e coerência foram essenciais nesse processo.”
Isso importa. Em momentos de quebra de safra localizada e oscilação no preço disponível, o crédito mal calibrado vira problema rápido. O banco parece ter evitado esse erro.
Marketplace financeiro amplia capilaridade
O E-agro funciona como um ecossistema digital. São 118 parceiros de crédito, entre cooperativas e revendas, além de 114 vendedores no marketplace, que ofertam máquinas, implementos, insumos, soluções de agricultura digital, irrigação e energia solar.
Esse modelo reduz fricção. O produtor pesquisa equipamento, simula financiamento e fecha operação no mesmo ambiente. A jornada fica mais curta.
E o dado mais relevante é outro: o acesso não é exclusivo para clientes do banco. Não correntistas também podem contratar crédito na plataforma. Isso amplia alcance e pressiona concorrentes tradicionais.
O que isso significa para o produtor
O avanço do E-agro mostra que o crédito rural está migrando para um modelo mais ágil, comparável ao que já acontece no varejo urbano. A diferença é que, no campo, o risco climático e a volatilidade de preços exigem análise técnica mais refinada.
Se a carteira crescer de fato até 30% em 2026, como projetado, o crédito digital deixará de ser nicho e passará a disputar espaço relevante dentro da estratégia financeira das propriedades.
A pergunta que fica é prática: o produtor está preparado para usar crédito digital com disciplina ou vai apenas trocar o balcão físico pela tela do celular?
Quem entender o custo efetivo total, alinhar financiamento à janela de plantio e proteger margem vai ganhar eficiência. Quem não fizer conta pode pagar caro. O crédito está mais acessível. A responsabilidade também.
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