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ExpoLondrina 2026: Fazendinha Via Rural apresenta tecnologia reprodutiva, boas práticas leiteiras e manejo de animais peçonhentos

Ações desenvolvidas por estudantes e pesquisadores da UEL mostram como conhecimento técnico aplicado no campo reduz riscos e aumenta produtividade

by Derick Machado
12 de maio de 2026
in Pecuaria
Foto: UEL

Foto: UEL

A Fazendinha Via Rural 2026, espaço dedicado à educação técnica dentro da ExpoLondrina, reúne nesta edição um conjunto de iniciativas que vão além da demonstração. O estande, instalado no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina (PR), conecta visitantes a práticas reais de produção leiteira, reprodução bovina e manejo seguro de animais peçonhentos, com atividades conduzidas por estudantes e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O resultado é um ambiente onde o conhecimento científico chega diretamente a quem trabalha no campo.

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Escorpionismo no radar: o que o produtor rural precisa saber

Um dos pontos de maior movimento na Fazendinha é o estande do Programa de Educação Tutorial de Biologia (PETBio) da UEL, desenvolvido em parceria com profissionais de saúde e controle de endemias. A proposta é direta: reduzir acidentes com animais peçonhentos por meio da informação. Escorpiões, aranhas e serpentes estão entre as espécies abordadas, com exemplares reais expostos para observação e identificação.

O escorpionismo, envenenamento causado pela picada de escorpiões, é um problema de saúde pública que afeta especialmente moradores de áreas rurais e periurbanas. A estudante do quinto ano de Biologia da UEL, Amanda de Sena da Silva, explica que o objetivo vai além do alerta. “Trouxemos algumas espécies, inclusive o escorpião amarelo, que é o mais comum. Também apresentamos filhotes e até um pseudoscorpião, que é um aracnídeo inofensivo, para mostrar que nem todos representam risco”, conta.

Além da identificação dos animais, o público recebe orientações práticas e aplicáveis ao dia a dia rural: verificar roupas e calçados antes de vestir, manter ralos e caixas de gordura fechados, afastar camas das paredes e eliminar fontes de alimento para esses animais, como baratas. O estande também aborda doenças associadas à fauna silvestre, como a esporotricose e a febre maculosa, reforçando que a convivência segura com esses organismos depende de conhecimento e não de extermínio indiscriminado.

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Leite de qualidade começa antes da ordenha

Na área dedicada à produção leiteira, o Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal (LIPOA) da UEL apresenta uma cadeia completa de boas práticas, da criação das bezerras até os procedimentos de higienização no momento da ordenha. A abordagem parte de um princípio técnico fundamental: a qualidade do leite é construída ao longo de todo o processo produtivo, não apenas no momento do processamento.

Catarina Rodrigues, estudante de Medicina Veterinária na UEL, resume bem essa lógica. “A vaca define a qualidade do leite. A gente trabalha com boas práticas de ordenha, que são medidas que a gente faz na pré-ordenha, durante e pós para garantir a qualidade do leite”, afirma. Entre as técnicas demonstradas estão o teste da caneca de fundo preto e o CMT (California Mastitis Test), utilizados para a detecção precoce de mastite clínica e subclínica, condição que compromete diretamente a composição e a segurança do produto. Os procedimentos de pré e pós-dipping, voltados à higienização dos tetos e à prevenção de infecções, também integram a demonstração prática.

A mastite é uma das principais causas de descarte de leite e de queda na rentabilidade do rebanho leiteiro no Brasil. Diagnosticada precocemente, a doença tem tratamento eficaz e custo controlável. Identificada tardiamente, compromete a saúde do animal, a qualidade do lote e o resultado econômico da propriedade.

Inseminação artificial e genética: tecnologia que o rebanho brasileiro já domina

Outro destaque do estande é a apresentação de biotecnologias reprodutivas aplicadas à bovinocultura. Estagiários do Grupo de Reprodução Animal (Reproa) representam o Centro de Treinamento Pecuário (CETPEC), que oferece cursos especializados, incluindo o de inseminação artificial em bovinos. A técnica, consolidada há mais de cinco décadas no Brasil, segue sendo uma das ferramentas mais acessíveis e eficazes para o melhoramento genético do rebanho, permitindo ao produtor elevar índices produtivos sem necessariamente ampliar o plantel.

Equideocultura na pauta: Brasil ocupa terceiro lugar no ranking mundial

A ExpoLondrina 2026 também sediou, no início da semana, a 7ª edição do Simpósio de Equideocultura, promovido em parceria entre a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e a UEL. O evento reuniu médicos veterinários, zootecnistas, agrônomos e estudantes em torno de temas que vão das biotecnologias reprodutivas às práticas clínicas e de manejo de equinos.

O médico veterinário e professor da UEL Fábio Morotti, do Departamento de Clínicas Veterinárias, apresentou um panorama do setor que coloca o Brasil em posição de destaque global. “O Brasil possui hoje cerca de 8 milhões de equídeos e ocupa a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e do México no número de cavalos. Em termos de uso de biotecnologias reprodutivas, já estamos equiparados aos Estados Unidos”, destacou.

Morotti também chamou atenção para uma das aplicações mais relevantes da transferência de embriões: a possibilidade de aproveitar fêmeas de alto valor genético que não podem mais gestar naturalmente, seja por limitações clínicas ou físicas. Além disso, o professor reforçou que o Brasil não apenas utiliza essas tecnologias como exporta conhecimento técnico, com profissionais reconhecidos internacionalmente na área de reprodução animal.

O setor, contudo, ainda carrega um desafio estrutural relevante: cerca de 75% da tropa brasileira é utilizada em atividades de lida no campo, um segmento que demanda maior acesso a tecnologias, investimento em genética e melhorias no manejo. A realização de simpósios como este dentro de uma das maiores feiras agropecuárias do país é parte da resposta a esse gargalo, aproximando o meio acadêmico de quem está na ponta da produção.

A Fazendinha Via Rural 2026 funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados e domingos, das 9h às 19h, no Parque de Exposições Ney Braga, durante a ExpoLondrina 2026, entre os dias 10 e 19 de abril.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Via: AEN
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