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Exportações do agro batem recorde histórico em setembro

Com carnes e café em destaque, agronegócio responde por quase metade das vendas externas do país e consolida posição estratégica no comércio global

by Derick Machado
16 de outubro de 2025
in Noticias
Exportações do agro batem recorde histórico em setembro

⚠️ Aviso informativo / de contexto econômico
Os valores e recordes reportados neste artigo são baseados em estimativas preliminares para o mês de setembro. Esses resultados podem sofrer revisões e estão sujeitos a fatores como câmbio, custos logísticos, demanda internacional e condições climáticas.
O fato de o recorde indicar um momento positivo para o setor não garante que essa tendência será mantida de forma contínua. Para decisões de investimento ou planejamento, considere basear-se em séries históricas, cenários locais e consultoria especializada.

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O mês de setembro de 2025 marcou um novo capítulo na trajetória de sucesso do agronegócio brasileiro no cenário internacional. Pela primeira vez desde o início da série histórica, as exportações do setor atingiram a marca de US$ 14,95 bilhões para o mês, representando 49% de todas as exportações do país no período. O desempenho foi impulsionado pelo aumento expressivo no volume embarcado, que cresceu 7,4% em relação a setembro do ano anterior, mesmo com um leve recuo de 1,1% nos preços médios internacionais.

O saldo é resultado direto da força produtiva do campo brasileiro e da eficiência logística que conecta portos e fronteiras agrícolas às prateleiras do mundo. Entre janeiro e setembro de 2025, o agronegócio já acumulou US$ 126,6 bilhões em vendas externas — uma alta de 0,7% em comparação com o mesmo período de 2024 — e assegura mais de US$ 111 bilhões de superávit comercial ao país, desempenhando papel fundamental no equilíbrio das contas externas.

Carne bovina, suína e milho puxam a fila de crescimento

O destaque do mês foi a expressiva performance das carnes in natura, com a bovina registrando US$ 1,77 bilhão em exportações — um crescimento de 55,6%, que sinaliza o avanço na demanda global e o prestígio sanitário da carne brasileira. Já a carne suína viveu um momento histórico, atingindo US$ 346,1 milhões (+28,6%) e quase dobrando o volume embarcado (+78,2%), resultado da ampliação de mercados na Ásia e da alta competitividade no custo de produção.

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Outro produto que se destacou foi o milho, que somou US$ 1,52 bilhão em exportações, crescimento de 23,5% frente ao mesmo mês de 2024. O cereal se consolida como pilar estratégico nas trocas comerciais, especialmente diante das pressões climáticas em outros grandes produtores mundiais.

Café mantém patamar bilionário e pescados ganham espaço

Apesar de um ambiente global marcado por incertezas e medidas tarifárias em algumas regiões, o café brasileiro manteve seu patamar acima de US$ 1 bilhão, encerrando setembro com US$ 1,3 bilhão exportado — alta de 9,3%. O desempenho reafirma o papel do grão como um dos carros-chefes do agronegócio, beneficiado pela reputação de qualidade e pela diversidade de origens produtoras.

Já o setor de pescados, ainda modesto em termos de valor absoluto, apresentou um avanço sólido. Foram US$ 38,7 milhões exportados, com crescimento de 6,1% no volume embarcado, mostrando o potencial de expansão da aquicultura brasileira e seu encaixe na tendência mundial por proteínas mais leves e sustentáveis.

Diversificação da pauta avança com nichos e produtos não tradicionais

Além dos produtos mais consolidados, o mês de setembro também foi marcado pela ampliação da pauta exportadora com itens de maior valor agregado ou de menor representatividade histórica. Produtos como sementes de oleaginosas (exceto soja) registraram aumento de 92,3% no volume; melancias frescas, 65%; feijões, 50,8%; e lácteos, 13,7%. Esse movimento revela um esforço estratégico para reposicionar o Brasil em nichos premium e aumentar a resiliência do agro diante de oscilações de preços e barreiras comerciais.

Como resultado, os produtos menos tradicionais cresceram 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano, ampliando a presença brasileira em mercados especializados e contribuindo para um portfólio exportador mais diversificado e competitivo.

Estratégia comercial e presença internacional reforçadas

Parte fundamental desse avanço está na atuação coordenada entre os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e da ApexBrasil, que vêm intensificando as ações de promoção comercial, missões internacionais e habilitações sanitárias. Apenas em 2025, o Ministério da Agricultura participou de mais de 60 missões comerciais em diferentes continentes, além de ter promovido feiras, rodadas de negócios e iniciativas como a Caravana do Agro Exportador, que busca inserir novos produtos e produtores no circuito global.

O esforço visa não apenas consolidar mercados já estabelecidos, mas também abrir novas frentes comerciais, especialmente na Ásia, Europa e América do Norte. Desde 2023, o Brasil obteve a abertura de 444 novas oportunidades comerciais, resultado da combinação de diálogo público-privado, credibilidade sanitária e visão de longo prazo.

Exportação com equilíbrio interno e visão de futuro

Mesmo com o avanço recorde das exportações, o agronegócio brasileiro tem mantido o abastecimento interno equilibrado, sem riscos de desabastecimento ou aumento excessivo de preços. Esse cenário se deve ao ganho de produtividade, ao uso eficiente das áreas cultivadas e à modernização tecnológica do setor.

Ao diversificar mercados e produtos, o agro reduz riscos econômicos, atrai investimentos, promove inovação e fortalece a sustentabilidade da produção nacional. Os números de setembro, portanto, não apenas comemoram um resultado histórico, mas apontam para um futuro em que o Brasil reafirma sua vocação de fornecedor confiável e estratégico de alimentos para o mundo.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Via: Fonte: agenciagov
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