A Fazendinha da Expoingá está de volta em 2026 com uma configuração que vai além do tradicional contato com animais e plantas. O espaço, instalado no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, em Maringá, ganha protagonismo ampliado da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e chega com novidades tecnológicas que colocam o visitante urbano diante de sistemas reais de produção sustentável — entre eles, uma demonstração funcional de aquaponia, tecnologia que integra a criação de peixes ao cultivo de vegetais em circuito fechado de água.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a UEM, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a Sociedade Rural de Maringá, responsável pela organização da Expoingá. Para o professor Ednaldo Michellon, do Departamento de Agronomia da UEM e um dos coordenadores do espaço, a Fazendinha representa a face mais concreta da extensão universitária.
“O visitante vai encontrar diversos experimentos com plantas, hortaliças e um bosque preservado, além da presença de animais. A sericicultura, com o bicho-da-seda, deve retornar e costuma encantar especialmente as crianças”, explica.
Aquaponia como vitrine tecnológica
A demonstração de aquaponia é, certamente, a novidade mais técnica da edição. O sistema integra dois processos produtivos em um único ciclo: os peixes fornecem nutrientes orgânicos à água, que por sua vez alimenta as plantas cultivadas em estruturas acima dos tanques. A água tratada pelas raízes retorna ao sistema, reduzindo o consumo hídrico e eliminando a necessidade de adubação química convencional.
No contexto da Fazendinha, a demonstração é apoiada por projetos acadêmicos da própria UEM, o que garante embasamento técnico e permite que os visitantes compreendam o sistema com orientação de pesquisadores. A aquaponia já é adotada comercialmente em regiões como o Sul do Brasil e o interior paulista, com destaque para a produção de tilápia combinada ao cultivo de alface e ervas aromáticas — modelo que pode ser replicado em pequenas propriedades e até em ambientes periurbanos.
Além de funcional, o sistema demonstra na prática o conceito de economia circular aplicada à produção de alimentos, tema que ganha cada vez mais relevância nas políticas de agricultura sustentável do Paraná.
Sericicultura e Casa do Colono: memória e ciência lado a lado
Outro ponto de atração é o retorno da sericicultura ao espaço. A criação do bicho-da-seda, atividade com raízes profundas na colonização do norte paranaense, conecta o público a uma cadeia produtiva que ainda movimenta municípios da região e responde por parte significativa da produção nacional de seda natural. Para o público infantil, o contato com as larvas e os casulos funciona como uma das experiências mais memoráveis da visita.
A Casa do Colono complementa essa dimensão histórica. A recriação do ambiente doméstico e produtivo dos primeiros colonizadores de Maringá contextualiza a evolução da agricultura regional e mostra de onde vieram as práticas que moldaram o agronegócio paranaense atual. Ao lado dos experimentos tecnológicos, esse espaço cria um contraste didático entre o passado e a produção contemporânea.
Hortas urbanas e o produtor que mora na cidade
Uma das apostas mais estratégicas da Fazendinha 2026 é o incentivo ao cultivo doméstico. As demonstrações de hortas em pequenos espaços — adaptáveis a varandas, quintais e até interiores de residências urbanas — dialogam diretamente com um movimento crescente entre os moradores de cidades médias e grandes do Paraná. O interesse por alimentação saudável e pela produção própria de hortaliças e ervas aromáticas é real, e a Expoingá se posiciona como um ponto de orientação prática para esse público.
“A proposta é mostrar ao público urbano como o rural pode contribuir para a qualidade de vida, especialmente por meio da alimentação saudável e sustentável”, resume o professor Michellon, sintetizando o propósito pedagógico do espaço.
Ao longo da programação, cursos e oficinas sobre práticas agroecológicas para controle de pragas e doenças ampliam essa frente educativa, transformando a Fazendinha em um ponto de capacitação acessível para quem quer produzir alimentos com menos insumos químicos.
Logística invisível, impacto visível
O que o visitante não enxerga ao circular pelo espaço é o volume de trabalho que antecede a abertura dos portões. Em cerca de um hectare, as equipes técnicas da UEM e dos parceiros prepararam canteiros, montaram estruturas, transplantaram mudas e instalaram sistemas como o de aquaponia em condições de solo que exigiram intervenções específicas. “Quem visita não imagina nem 1% do trabalho envolvido”, afirma Michellon.
A expectativa é receber cerca de 200 mil pessoas na Fazendinha durante o evento, dentro de um público total estimado em 500 mil visitantes. O atendimento a escolas é um dos eixos prioritários, com atividades educativas estruturadas para o público infantil — reforçando a Expoingá como ferramenta de formação e não apenas de entretenimento rural.
Feira de Sabores e agricultura familiar
A área de gastronomia e a Feira de Sabores integram a programação com foco direto na produção local. O espaço reúne produtores da agricultura familiar, instituições de ensino e iniciativas ligadas à agroecologia e aos produtos coloniais da região. Essa articulação entre tecnologia, educação e mercado posiciona a Fazendinha como um ambiente completo — onde o visitante pode entender como o alimento é produzido, aprender a cultivar e, na sequência, consumir o que o campo regional tem a oferecer.




