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Fertilizante organomineral cresce no campo e pressiona modelo tradicional de adubação

Tecnologia que combina nutrientes químicos e matéria orgânica amplia produtividade sem elevar proporcionalmente o custo porteira para dentro

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Fertilizante organomineral cresce no campo e pressiona modelo tradicional de adubação

Os fertilizantes organominerais deixaram de ser uma aposta experimental e passaram a ocupar espaço real nas decisões de compra do produtor brasileiro. O movimento acompanha uma mudança silenciosa no campo: adubar mais já não significa produzir mais. O foco agora está na eficiência do nutriente aplicado — e no retorno financeiro por hectare.

O mercado de fertilizantes especiais vem crescendo impulsionado justamente por essa busca por eficiência agronômica e previsibilidade econômica. Dados da Associação Brasileira de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) indicam avanço próximo de 19% em 2024, e a tendência permanece positiva para os próximos ciclos agrícolas. O produtor percebeu algo simples: o custo do insumo pesa menos quando o aproveitamento da planta aumenta.

E o mercado sentiu o movimento.

Cooperativas e empresas passaram a integrar essas soluções ao manejo convencional, não como substituição dos fertilizantes minerais tradicionais, mas como complemento estratégico dentro do planejamento nutricional. A lógica mudou. O debate deixou de ser apenas quantidade aplicada e passou a envolver eficiência fisiológica e estabilidade produtiva.

Eficiência nutricional virou decisão econômica

O Brasil segue entre os maiores consumidores globais de fertilizantes, cenário que pressiona margens principalmente em anos de volatilidade cambial e logística cara. Nesse contexto, tecnologias que aumentam o aproveitamento dos nutrientes ganharam protagonismo.

Os organominerais entram exatamente nesse ponto. Ao combinar fontes minerais com matéria orgânica processada, o produto melhora a interação com o solo e reduz perdas comuns por lixiviação ou volatilização. Na prática, parte do nutriente permanece disponível por mais tempo no perfil do solo, acompanhando o ritmo de absorção da cultura.

Isso muda o jogo porteira para dentro.

Quando o nutriente permanece ativo por mais tempo, a planta sofre menos estresse nutricional durante fases críticas do desenvolvimento. O resultado costuma aparecer em uniformidade de lavoura, melhor formação vegetativa e maior estabilidade produtiva, especialmente em sistemas intensivos de soja, milho e trigo.

O produtor não está pagando apenas pelo adubo. Está comprando previsibilidade.

A base orgânica aproxima o manejo da agricultura regenerativa

Outro fator que impulsiona a adoção dos organominerais é a convergência com práticas de agricultura regenerativa. A melhoria da estrutura do solo passou a ser vista como investimento de médio prazo, não apenas como benefício ambiental.

Nos organominerais, resíduos industriais — como subprodutos do couro — passam por processos de hidrólise que quebram proteínas e liberam aminoácidos e nitrogênio orgânico. Esses compostos são incorporados ao fertilizante mineral, criando uma formulação híbrida capaz de estimular atividade biológica do solo enquanto entrega nutrição imediata às plantas.

Essa combinação influencia diretamente a microbiologia do solo. Consequentemente, aumenta a capacidade de retenção de água e melhora a ciclagem de nutrientes, fatores decisivos em regiões que enfrentam veranicos ou irregularidade climática.

Não é apenas sustentabilidade. É resiliência produtiva.

A tecnologia já aparece em diferentes escalas produtivas, desde grandes áreas de grãos até hortaliças e fruticultura, mostrando que o modelo não depende exclusivamente de agricultura de alto investimento.

Liberação gradual reduz perdas e melhora o aproveitamento

Pesquisas acadêmicas vêm demonstrando que a integração entre componentes orgânicos e minerais altera positivamente a dinâmica química do solo. A liberação gradual dos nutrientes se tornou um dos principais diferenciais técnicos desse tipo de fertilizante.

Enquanto fontes minerais convencionais podem apresentar disponibilidade rápida seguida de perdas, os organominerais liberam nutrientes de forma progressiva ao longo do ciclo da cultura. Isso reduz desperdícios e melhora a eficiência da adubação.

Na prática, menos nutriente perdido significa mais conversão em produtividade.

Além disso, a redução da lixiviação diminui riscos ambientais e contribui para sistemas produtivos mais equilibrados, aspecto que começa a influenciar decisões comerciais e exigências de cadeias produtivas internacionais.

O manejo nutricional entrou em nova fase

O crescimento dos fertilizantes organominerais revela uma transformação maior na agricultura brasileira. O produtor deixou de olhar apenas para a dose recomendada e passou a avaliar o comportamento do nutriente no solo ao longo do ciclo produtivo.

A pergunta mudou. Não é mais quanto aplicar — é quanto a planta realmente aproveita.

Se a tendência se confirmar nos próximos anos, os organominerais devem consolidar espaço principalmente em regiões onde o custo de reposição nutricional pesa mais no orçamento da safra. Para o produtor, o recado é direto: eficiência nutricional tende a valer mais do que volume aplicado, especialmente em um cenário de custos instáveis e margens cada vez mais apertadas no campo.

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