Frango, suíno, bovino, leite e ovos: Paraná bate todos os recordes históricos de produção em 2025

Dados do IBGE confirmam liderança nacional no abate de frangos, com 34,4% do mercado, e avanços expressivos em suínos, bovinos, leite e piscicultura

Frango, suíno, bovino, leite e ovos: Paraná bate todos os recordes históricos de produção em 2025

A agropecuária paranaense fechou 2025 com um desempenho que não tem precedente na série histórica do IBGE: cinco cadeias produtivas — frango, suíno, bovino, leite e ovos — registraram simultaneamente os melhores resultados de todos os tempos. Os números, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quarta-feira (18), consolidam o Paraná como a principal praça da proteína animal no Brasil e reforçam o peso do Estado na pauta exportadora do agronegócio nacional.

O abate de frangos chegou a 2,29 bilhões de cabeças na soma dos quatro trimestres de 2025, incremento de 67 milhões de animais em relação a 2024. Só no quarto trimestre, foram 588,4 milhões de aves processadas, superando o recorde anterior, registrado no terceiro trimestre do mesmo ano, com 578,9 milhões. Com 34,4% de toda a produção brasileira, o Paraná abateu mais de um terço dos frangos no País, mantendo folga considerável sobre Santa Catarina (13,7%), Rio Grande do Sul (11,4%) e São Paulo (11,3%). Em âmbito nacional, o Brasil processou 6,69 bilhões de cabeças no período, crescimento de 3,1% frente aos 12 meses de 2024.

Suínos e bovinos também registram os melhores números da história

A liderança na avicultura convive com resultados igualmente expressivos nas demais proteínas. Na suinocultura, o Paraná abateu 12,9 milhões de animais em 2025, volume 457 mil superior ao de 2024 e suficiente para garantir a vice-liderança nacional, com 21,2% dos abates. O quarto trimestre do ano passado também encerrou no topo da série histórica para o período, com 3,1 milhões de suínos processados entre outubro e dezembro, superando os 3 milhões registrados no mesmo intervalo de 2023. No total do País, foram abatidos 60,69 milhões de suínos, alta de 4,3% em relação ao ano anterior. Santa Catarina segue na liderança da cadeia, com 28,2%, enquanto o Rio Grande do Sul ocupa o terceiro lugar, com 17,9%.

Na bovinocultura, o salto foi ainda mais expressivo em termos relativos. Foram 1,64 milhão de cabeças abatidas nos 12 meses de 2025, contra 1,4 milhão no período imediatamente anterior — aumento de 173 mil animais, equivalente a 11,8%. O número representa o maior resultado para o Paraná desde o início da série, em 1997, colocando o Estado na nona posição do ranking nacional, muito próximo do Rio Grande do Sul, com 1,77 milhão. A liderança segue com Mato Grosso (7,33 milhões), São Paulo (4,77 milhões) e Goiás (4,26 milhões). No Brasil, foram abatidas 42,94 milhões de cabeças bovinas, expansão de 8,2% em comparação com 2024.

Bacia leiteira paranaense ultrapassa 4,3 bilhões de litros

A performance da pecuária leiteira no Estado acompanha o ritmo das carnes. A indústria captou 4,3 bilhões de litros de leite em 2025, com média superior a 1 bilhão de litros por trimestre ao longo do ano, consolidando o melhor resultado histórico da série. O quarto trimestre contribuiu com 1,14 bilhão de litros, o pico da série, e o volume total representou crescimento de 10% sobre 2024, com 391 milhões de litros a mais captados em um único ano.

No comparativo nacional, o Paraná ocupa a segunda posição, com 15,6% da produção total, atrás apenas de Minas Gerais, responsável por 23,9% da captação, e à frente do Rio Grande do Sul, com 12,8%. O Estado sustenta duas grandes bacias leiteiras: a região de Castro e Carambeí, no Centro-Leste, e o Sudoeste paranaense, territórios que combinam genética especializada, escala produtiva e estrutura industrial integrada.

Para o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marcos Aurélio Lopes, a consistência dos resultados do Paraná está diretamente relacionada à profissionalização das propriedades leiteiras e ao investimento em genética e nutrição animal ao longo dos últimos dez anos. O produtor que se capitalizou nesse período está colhendo agora os frutos de uma estrutura produtiva mais eficiente e menos dependente das variações climáticas sazonais.

Ovos e couro completam o ciclo de recordes

A produção de ovos de galinha alcançou 476 milhões de dúzias no Estado em 2025, o maior resultado da série histórica do IBGE para o Paraná, com participação de 9,6% no total nacional. São Paulo lidera o segmento, com 25,2% do volume produzido, seguido por Minas Gerais, com 9,9%, muito próximo do Paraná na terceira posição.

A cadeia do couro bovino também registrou crescimento expressivo. O Paraná produziu 3,55 milhões de unidades em 2025, o melhor resultado da região Sul e superior às 3 milhões de unidades do Rio Grande do Sul. Santa Catarina não apresenta registros de produção neste segmento. Em nível nacional, Goiás manteve a liderança na recepção de peles pelos curtumes, com 19,4%, seguido por Mato Grosso (15,6%) e Mato Grosso do Sul (11,7%).

Piscicultura confirma liderança nacional com 273 mil toneladas

O Paraná também avançou na aquicultura. Segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, o Estado produziu 273 mil toneladas de pescados em 2025, novo recorde para o setor e crescimento de 9,1% sobre o ano anterior. Com 27% do total nacional, o Paraná segue na liderança da produção de peixes cultivados no Brasil, posição sustentada pela estrutura de reservatórios, pela tradição da piscicultura no Oeste e Norte do Estado e pelo avanço das tecnologias de manejo em tanques-rede.

Para o zootecnista e analista de mercado da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Rodrigo Santana, o Paraná consolidou um modelo produtivo que combina escala, rastreabilidade e diversificação de espécies. Isso coloca o Estado em posição competitiva tanto no mercado interno quanto nas negociações para ampliar a pauta de exportação de pescados nos próximos anos.

O que os números revelam sobre a estrutura produtiva paranaense

O conjunto dos resultados de 2025 não é consequência de um único fator favorável. A combinação entre infraestrutura de abate e processamento, modelo de integração vertical nas cadeias de frango e suíno, investimento em conectividade e energia nas propriedades rurais — como os programas Se Liga Aí Paraná e Paraná Conectado — e a estrutura fundiária diversificada do Estado formam a base que sustenta essa expansão.

Aliás, o avanço simultâneo em cinco cadeias distintas indica maturidade do sistema agropecuário paranaense, capaz de crescer sem depender de um único produto. Consequentemente, o risco sistêmico do setor é menor, e a capacidade de resposta a variações de mercado é mais robusta do que em estados com perfil produtivo mais concentrado.

Os dados do IBGE são levantados trimestralmente pelas pesquisas de Abate de Animais, Leite, Couro e Produção de Ovos de Galinha, e estão disponíveis em nível nacional, regional e estadual no Sidra, o banco de dados oficial do instituto. O próximo ciclo de resultados, referente ao primeiro trimestre de 2026, será determinante para avaliar se o ritmo de crescimento se sustenta no início do novo ano.

Confira os dados do Paraná AQUI

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