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Fundecitrus: 3ª reestimativa corta safra e pressiona indústria
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2 horas atrásem

A safra 2025/26 de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro ficou menor. De novo.
A terceira reestimativa do Fundecitrus projeta 292,6 milhões de caixas de 40,8 kg. O número representa recuo de 0,7% frente à estimativa anterior e queda mais relevante — 7% — em relação à projeção inicial de maio. O mercado sentiu o ajuste.
Na prática, a revisão confirma o que o produtor já vinha observando porteira para dentro: fruta menor e menor rendimento por caixa.
Fruto menor, caixa mais pesada de fechar
O principal fator da revisão foi a redução no tamanho médio das variedades tardias, especialmente Valência, Folha Murcha e Natal. Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, o parque citrícola recebeu 862 mm de chuva, volume 10% abaixo da média histórica. Menos água no período crítico significa menos calibre.
O peso médio do fruto caiu para 153 gramas — uma grama abaixo da projeção anterior. Parece pouco. Não é. Esse ajuste elevou de 265 para 267 o número de laranjas necessárias para completar uma caixa padrão.
Nas tardias, o impacto foi mais claro. Valência e Folha Murcha passaram a exigir 253 frutos por caixa, contra 248 antes projetados. A Natal subiu de 248 para 250. O efeito é direto no custo industrial e na eficiência do processamento.
Para quem vende no preço disponível, o cenário muda. Se o rendimento cai por tamanho e não por volume colhido, a conta da indústria aperta. E isso tende a refletir nas negociações.
Clima irregular aprofundou o problema
A chuva não foi homogênea no cinturão. No setor Sul, regiões como Porto Ferreira e Limeira registraram acumulados acima da média. Contudo, o setor Norte operou com déficits severos: até 32% abaixo do padrão histórico em áreas como Bebedouro e Triângulo Mineiro.
Esse descompasso afetou o mix regional de produção. Enquanto algumas áreas mantiveram padrão de enchimento, outras sofreram estresse hídrico mais prolongado. O resultado foi heterogêneo — mas negativo no agregado.
A janela de enchimento das tardias ficou comprometida. E o impacto veio agora, na reta final da colheita.
Greening mantém queda elevada de frutos
Além do clima, a taxa de queda prematura segue alta. A projeção foi mantida em 23%, o maior patamar em 11 safras. O greening continua pesando no campo.
As variedades mais tardias são as que mais sentem. A Natal registra taxa de 28,5%. Valência e Folha Murcha aparecem com 25,6%. Já as precoces, como Hamlin e Westin, operam em patamar inferior, mas ainda relevante.
A doença altera o planejamento de longo prazo. O produtor precisa intensificar monitoramento e erradicação. Não há espaço para relaxar no manejo.
Colheita avançada, oferta mais ajustada
Até meados de janeiro, 87% da safra já havia sido colhida. Ou seja, não há muito espaço para surpresas positivas. O volume está praticamente consolidado.
Para o mercado, o ponto central agora é entender o impacto sobre a indústria de suco. Com menos fruta e rendimento menor por caixa, a oferta de matéria-prima fica mais justa. Se o consumo externo reagir ou se houver problema em outros polos produtores globais, o preço pode ganhar tração.
Por outro lado, se a demanda seguir morna, o ajuste pode ocorrer via margem industrial.
O produtor precisa acompanhar o comportamento do preço futuro e avaliar estratégias de comercialização com atenção. A safra já mostrou que clima e sanidade continuam sendo os dois fatores que definem o jogo. E a próxima temporada começa a ser construída agora, dentro do pomar.
Fonte: Fundecitrus
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