Agronamidia
  • Agricultura
  • Clima e Sustentabilidade
  • Cultivo e Jardinagem
  • Máquinas e Produção
  • Mercado Agro
  • Pecuaria
  • Tecnologia Rural
  • Vida no Campo
  • Agricultura
  • Clima e Sustentabilidade
  • Cultivo e Jardinagem
  • Máquinas e Produção
  • Mercado Agro
  • Pecuaria
  • Tecnologia Rural
  • Vida no Campo
No Result
View All Result
Agronamidia
No Result
View All Result
Home Mercado Agro

IA e satélite revelam 13 mil hectares abandonados no Cerrado e redefinem o diagnóstico do uso da terra

Mapeamento inédito conduzido pela Embrapa e UnB no norte de Minas Gerais identifica, com 94,7% de acurácia, áreas agrícolas ociosas e aponta caminhos concretos para restauração ecológica e planejamento territorial

by Derick Machado
17 de março de 2026
in Mercado Agro
IA e satélite revelam 13 mil hectares abandonados no Cerrado e redefinem o diagnóstico do uso da terra

Um estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Brasília (UnB) produziu o primeiro mapeamento detalhado de áreas agrícolas abandonadas no Cerrado brasileiro. O trabalho, realizado no município de Buritizeiro, no norte de Minas Gerais, identificou mais de 13 mil hectares de terras ociosas entre 2018 e 2022, o que representa quase 5% da área agrícola existente no início do período analisado. Os resultados têm potencial direto de orientar políticas públicas de restauração ecológica, contabilização de carbono e planejamento do território.

ADVERTISEMENT

O diferencial técnico da pesquisa está na combinação de imagens do satélite Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia (ESA), com técnicas de aprendizado profundo — o chamado deep learning. Por meio da Rede Neural Totalmente Conectada (FCNN), os pesquisadores treinaram o modelo para reconhecer padrões nas imagens e classificar diferentes categorias de uso e cobertura da terra: vegetação nativa, pastagens cultivadas, lavouras anuais, plantações de eucalipto e, de forma inédita para o bioma, áreas agrícolas abandonadas. A acurácia de 94,7% alcançada pelo modelo é considerada excelente para classificações de uso da terra com sensoriamento remoto, conferindo ao estudo solidez metodológica suficiente para embasar decisões de gestão territorial.

Eucalipto concentra o abandono

A maior parte das áreas mapeadas como abandonadas — 87% do total — corresponde a antigas plantações de eucalipto destinadas à produção de carvão vegetal. Buritizeiro é um município marcado por extensas áreas de silvicultura e pela criação de gado, com dinâmica produtiva historicamente ligada ao polo siderúrgico de Sete Lagoas. Contudo, nos últimos anos, essa equação econômica mudou.

“A predominância do abandono em áreas de eucalipto está associada à queda da atratividade econômica da produção de carvão vegetal, principal destino desses plantios na região, em função de fatores como o aumento nos custos logísticos e de produção destinado principalmente para o polo siderúrgico do estado de Minas Gerais”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados Edson Sano.

Além da crise do carvão, o contexto produtivo da região contribui para o quadro. “A região tem se caracterizado por desafios produtivos, incluindo baixa produtividade em pastagens durante períodos secos e custos crescentes de insumos fertilizantes, fatores que contribuem para o abandono”, complementa Sano.

Veja Também

Safra de cana perde força e moagem recua em julho

Tecnologia da Embrapa promete blindar produção nacional de macadâmia contra pragas

Por outro lado, um dado relevante do levantamento é que nenhum abandono significativo de lavouras anuais — como soja ou milho — foi observado no período analisado. Isso indica que os sistemas agrícolas mais intensivos mantiveram sua produtividade ao longo dos cinco anos, o que reforça a hipótese de que o abandono está concentrado em modelos produtivos com menor capacidade de adaptação às variações de custo e demanda.

Os limites do sensoriamento remoto

Apesar da precisão alcançada, os pesquisadores são transparentes sobre as restrições metodológicas do estudo. O pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Édson Bolfe aponta que a análise se baseou em apenas duas datas de aquisição de imagens ao longo do período de cinco anos, o que impede distinguir com precisão entre abandono permanente e práticas temporárias de pousio — uma diferença decisiva para qualquer política de reintegração produtiva dessas áreas.

“O uso de imagens de alta resolução e visualizações auxiliares ajudou na validação, mas a confirmação do abandono ainda depende, em parte, da interpretação visual e do conhecimento local”, reconhece Bolfe. Há também um desafio espectral: pastagens degradadas e vegetação nativa — como gramíneas e arbustos do Cerrado — apresentam assinaturas espectrais muito semelhantes, o que dificulta a separação precisa dessas categorias apenas pelo sensoriamento remoto.

Esses limites não invalidam o estudo; ao contrário, apontam o caminho para aprimoramentos. A integração entre séries temporais mais densas de imagens de satélite, visitas de campo e bases de dados fundiários pode elevar ainda mais a capacidade diagnóstica da ferramenta.

Da ciência ao território

O estudo abre uma frente concreta de aplicação para políticas públicas no Cerrado. Áreas abandonadas identificadas com precisão geográfica podem ser priorizadas em programas de restauração ecológica, especialmente no contexto do cumprimento das metas brasileiras assumidas no Acordo de Paris e nos compromissos de redução do desmatamento. Além disso, a contabilização de carbono — que depende diretamente do mapeamento preciso do uso e cobertura da terra — ganha uma camada de informação até então inexistente para o bioma.

Para o planejamento territorial, o mapeamento oferece aos municípios e estados um instrumento inédito: saber onde a terra está parada, por quanto tempo e em que condição. Isso permite decisões mais fundamentadas sobre crédito rural direcionado, programas de regularização fundiária e estratégias de reintegração produtiva que considerem tanto o potencial econômico quanto os serviços ecossistêmicos dessas áreas.

A metodologia desenvolvida em Buritizeiro pode ser replicada em outras regiões do Cerrado — e potencialmente em outros biomas brasileiros —, desde que adaptada às especificidades locais de uso da terra. Com isso, a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta de laboratório e passa a funcionar como instrumento de gestão do território, com precisão, escala e velocidade que o monitoramento convencional não consegue oferecer.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Share234Tweet147Pin53

Artigos relacionados

André Frutuôso- Ascom/CAR
Mercado Agro

Desenrola Rural já regularizou dívidas de mais de 440 mil produtores no país

by Derick Machado
20 de janeiro de 2026
0

Pouco menos de um ano após sua implementação, o Desenrola Rural já se consolidou como uma das principais políticas de reorganização financeira voltadas ao campo brasileiro. Criado para enfrentar o histórico de...

Read more
Gilson Abreu/AEN
Mercado Agro

Safra de soja 2025/26 em MT avança e se aproxima da conclusão do plantio

by Derick Machado
24 de novembro de 2025
0

A chegada da fase final da semeadura da soja em Mato Grosso revela, mais uma vez, a força do maior produtor do grão no país. Embora o clima tenha imposto desafios pontuais...

Read more
mikethor
Mercado Agro

Uma nova “Rainha das Araucárias” floresce em Curitiba após a queda da gigante de 750 anos

by Derick Machado
26 de junho de 2025
0

A força do vento e a fúria da tempestade mudaram para sempre a paisagem de Cruz Machado, no sul do Paraná. Foi em outubro de 2023 que a chamada “rainha das araucárias”,...

Read more
Murumuru sai da margem dos açaizais e entra na cadeia de cosméticos com R$ 40 o quilo e impacto direto em 200 famílias no Pará
Mercado Agro

Murumuru sai da margem dos açaizais e entra na cadeia de cosméticos com R$ 40 o quilo e impacto direto em 200 famílias no Pará

by Derick Machado
8 de maio de 2026
0

Em 2013, o agroextrativista Osmarino Lagos Souza precisou de muita insistência para convencer sua comunidade e o poder público de que o murumuru valia a pena. A palmeira era vista como estorvo...

Read more
  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente
contato@agronamidia.com.br

©2021 - 2025 Agronamidia, Dedicado a informar o público sobre o mundo do agronegócio, do campo e da jardinagem. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

No Result
View All Result
  • Agricultura
  • Clima e Sustentabilidade
  • Cultivo e Jardinagem
  • Máquinas e Produção
  • Mercado Agro
  • Pecuaria
  • Tecnologia Rural
  • Vida no Campo

©2021 - 2025 Agronamidia, Dedicado a informar o público sobre o mundo do agronegócio, do campo e da jardinagem. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

Nós estamos usando cookies neste site para melhorar sua experiência. Visite nossa Politica de privacidade.