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Indonésia aposta em peixes nos arrozais para controlar pragas sem agrotóxicos

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Indonésia aposta em peixes nos arrozais para controlar pragas sem agrotóxicos

Em meio aos debates globais sobre segurança alimentar e redução do impacto ambiental da agricultura, a Indonésia vem chamando atenção por adotar, em larga escala, uma solução que alia tradição, eficiência produtiva e equilíbrio ecológico. Em vez de intensificar o uso de defensivos agrícolas sintéticos, o país tem ampliado um sistema ancestral que integra milhões de peixes aos arrozais alagados, convertendo as lavouras em verdadeiros ecossistemas vivos e multifuncionais.

Conhecida localmente como mina padi, a prática está presente em diversas regiões produtoras, como Java, Sumatra e Bali, e se baseia em um princípio simples, porém altamente eficaz: permitir que peixes convivam com o arroz durante o ciclo produtivo. Essa convivência cria uma rede de interações naturais capaz de controlar pragas, melhorar a fertilidade do solo e, ao mesmo tempo, gerar uma segunda colheita sem a necessidade de ampliar áreas agrícolas.

Arrozais alagados que funcionam como ecossistemas

No sistema mina padi, os campos de arroz permanecem alagados por boa parte do ciclo, condição ideal para o desenvolvimento de espécies aquáticas. Nesse ambiente, são introduzidos peixes como carpas, tilápias e bagres, em quantidades ajustadas à área cultivada e ao volume de água disponível. Em apenas um hectare, podem ser inseridos centenas de alevinos, o que explica como o total por safra ultrapassa facilmente a marca de milhões de indivíduos em nível nacional.

Enquanto o arroz cresce, os peixes circulam entre as plantas, alimentando-se de larvas de insetos, pequenos organismos aquáticos e até de algumas plantas invasoras. Assim, o controle de pragas acontece de forma contínua e biológica, substituindo pulverizações químicas por um processo natural e permanente, que atua diretamente na origem do problema.

Além disso, a movimentação constante dos peixes dentro da lâmina d’água contribui para manter o ambiente mais oxigenado. O solo alagado se torna menos compactado, favorecendo o desenvolvimento das raízes do arroz e criando condições mais estáveis para o crescimento da cultura ao longo do tempo.

Menos defensivos, mais equilíbrio ambiental

Um dos efeitos mais significativos da integração entre peixe e arroz é a redução expressiva no uso de defensivos agrícolas. Ao incorporar as pragas à cadeia alimentar, o sistema diminui drasticamente a necessidade de produtos químicos, o que resulta em menor contaminação da água, preservação de organismos benéficos e redução dos riscos à saúde humana.

Em regiões onde o mina padi é adotado de forma contínua, observações de campo indicam que a produtividade do arroz se mantém estável ou até aumenta, mesmo com a redução de insumos externos. Isso ocorre porque o ambiente agrícola passa a funcionar de maneira mais equilibrada, com ciclos de nutrientes mais eficientes e menor dependência de correções artificiais.

Os resíduos orgânicos liberados pelos peixes atuam como fertilizantes naturais, enriquecendo a água e o sedimento com nutrientes essenciais. Com o passar das safras, o solo se torna mais fértil e resiliente, criando um sistema produtivo que se sustenta com menos intervenções externas.

Dupla colheita e segurança alimentar

Do ponto de vista econômico e social, o mina padi oferece uma vantagem estratégica importante. Ao permitir a colheita simultânea de arroz e peixe na mesma área, o sistema eleva a produtividade total por hectare sem exigir expansão territorial. Isso é especialmente relevante em um país com alta densidade populacional e forte dependência da produção de alimentos básicos.

Em muitas comunidades rurais, os peixes cultivados nos arrozais são destinados tanto ao consumo familiar quanto à venda em mercados locais. Dessa forma, o sistema contribui para a diversificação da renda, melhora o acesso à proteína animal e reduz a vulnerabilidade dos agricultores frente a oscilações climáticas e variações nos preços agrícolas.

Ainda que não exista um número único consolidado para todo o território indonésio, estimativas regionais apontam que mais de cinco milhões de peixes são integrados aos arrozais a cada ciclo produtivo. Em algumas províncias, a prática já é incorporada a políticas públicas voltadas à agricultura sustentável, manejo eficiente da água e segurança alimentar.

Um modelo observado pelo mundo

A experiência da Indonésia tem despertado interesse internacional por demonstrar, de forma prática, que é possível produzir mais alimentos, reduzir custos com defensivos agrícolas e recuperar o ambiente produtivo ao mesmo tempo. Em um cenário global marcado pela pressão por métodos mais sustentáveis, o mina padi surge como um exemplo concreto de inovação baseada em processos naturais.

Ao transformar arrozais em ecossistemas integrados, o país mostra que o avanço da agricultura não depende exclusivamente de tecnologias caras ou altamente industrializadas. Muitas vezes, a solução está em redesenhar os sistemas produtivos para trabalhar em sintonia com a natureza, criando lavouras mais eficientes, resilientes e ambientalmente responsáveis.

  • Indonésia aposta em peixes nos arrozais para controlar pragas sem agrotóxicos

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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