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INPI reconhece a Chapada de Minas como origem certificada do café arábica mineiro

Registro de Indicação de Procedência protege 400 mil sacas anuais e coloca a região em disputa direta com os grandes territórios cafeeiros do Brasil

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INPI reconhece a Chapada de Minas como origem certificada do café arábica mineiro

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) deferiu, na última terça-feira (24/2), o pedido de Indicação Geográfica na modalidade Indicação de Procedência para a região da Chapada de Minas. O pedido havia sido protocolado em setembro de 2025 e, agora, os 22 municípios do Vale do Jequitinhonha passam a ter um ativo que poucos territórios cafeeiros do Brasil conquistaram: o direito de usar a origem como argumento de venda.

O selo não é apenas burocrático. Ele atesta características sensoriais específicas que os compradores de cafés especiais pagam para ter. O café da Chapada de Minas carrega notas de chocolate e caramelo com nuances de frutas vermelhas, corpo intenso e aveludado e finalização prolongada. No mercado de especialidades, esse perfil de xícara tem nome e tem preço. A partir de agora, tem também proteção legal.

Território que justifica o reconhecimento

A geografia da região explica boa parte do que está na xícara. Localizada entre os rios Doce, Mucuri e Jequitinhonha, a Chapada de Minas reúne solo rico em minerais, altitude de até 1.200 metros, clima úmido e temperaturas que favorecem a maturação lenta dos frutos. Essa combinação é o que os compradores internacionais chamam de terroir — e o que, na prática, diferencia um café de origem de uma commodity.

A área cultivada chega a 30 mil hectares, com produção estimada em 400 mil sacas de arábica por ano. São 5.800 produtores empregando 20 mil pessoas direta e indiretamente. Os municípios que compõem a região incluem Capelinha, Diamantina, Novo Cruzeiro, Turmalina, Malacacheta, Itamarandiba e outros 16 territórios que, juntos, formam um dos blocos cafeeiros mais expressivos de Minas Gerais.

Produtores que já colhiam antes do selo

O pioneiro Claudio Nakamura produz 2 mil sacas por ano na região, sendo 30% classificadas como cafés especiais, com produtividade de 30 sacas por hectare — índice acima da média nacional para o arábica em áreas de altitude. Na Fazenda Alvorada, em Capelinha, Sérgio Meirelles e a filha Raquel colhem 4.200 sacas por ano, com quase metade do volume pontuando acima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association. Oitenta pontos é a fronteira que separa o café especial do convencional. Cruzar essa linha com metade da produção não é resultado de sorte; é gestão de lavoura com foco em qualidade.

Esses produtores já tinham o produto e o que faltava era o instrumento para comunicar a origem com credibilidade formal ao mercado.

O trabalho por trás do registro

A conquista foi construída ao longo de anos pelo Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) em parceria com o Sebrae Minas. Para a presidente do ICCM, Carmem Lídia Junqueira, “a Chapada de Minas é formada por pequenos grandes produtores, que se dedicam diariamente e são merecedores da valorização de seu produto e de sua história.”

Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, reforça que o impacto vai além do econômico imediato. Segundo ele, a IG ajuda a consolidar a identidade regional, o reconhecimento de mercado e a competitividade dos produtores tanto no cenário nacional quanto no internacional. Identidade, aliás, é um ativo que o mercado de cafés especiais precifica com clareza.

A oitava região mineira no mapa das IGs

Com o novo registro, o Brasil chega a 156 Indicações Geográficas, sendo 124 do tipo Indicação de Procedência e 32 Denominações de Origem. Minas Gerais concentra o maior número de regiões cafeeiras certificadas do país. A Chapada de Minas se torna a oitava, ao lado de Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Canastra, Matas de Minas, Sudoeste de Minas e Campos das Vertentes.

Entrar nesse grupo não significa disputar o mesmo comprador. Cada região tem perfil sensorial próprio e atende a nichos distintos dentro do mercado especializado. Contudo, a certificação posiciona a Chapada de Minas em uma vitrine que antes estava restrita a poucos — e coloca os 5.800 produtores do Vale do Jequitinhonha em condições mais justas de negociar o valor do que produzem.

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