Paranavaí é conhecida como uma das maiores produtoras de mandioca do Paraná. O que pouca gente sabe é que, dentro do Instituto Federal do Paraná, a mesma raiz que abastece a indústria alimentícia local está sendo estudada com um olhar completamente diferente: o da ciência aplicada, com potencial para gerar produtos que vão muito além da cozinha.
A pesquisadora e professora Tatiana Colombo Pimentel, do IFPR, foi uma das entrevistadas pelo Bom Dia Paraná, da RPC, em uma reportagem que mostrou os bastidores dessa pesquisa. O que ela apresentou surpreende até quem já conhece bem a cultura da mandioca.
Quando a farinha vira saúde
O ponto de partida da pesquisa foi uma pergunta aparentemente simples: e se a mandioca fizesse bem ao intestino? A partir daí, a equipe desenvolveu um estudo avaliando o impacto da farinha de mandioca na microbiota intestinal humana, que são os microrganismos presentes no intestino e responsáveis por funções essenciais do organismo.
Os resultados foram positivos. A farinha de mandioca demonstrou capacidade de aumentar a presença de microrganismos benéficos, como bifidobactérias e lactobacilos, ao mesmo tempo em que reduziu bactérias entéricas indesejadas. A pesquisa foi realizada em parceria com a Universidade Federal da Paraíba e abre caminho para que, no futuro, a mandioca de Paranavaí chegue ao mercado na forma de suplemento alimentar.
Subprodutos que valem ouro
Depois de extraída a fécula, a mandioca deixa um resíduo fibroso que, em grande parte da cadeia produtiva, ainda tem uso restrito à alimentação animal. A pesquisa do IFPR está trabalhando para mudar isso. Um dos produtos desenvolvidos foi um sorvete enriquecido com esse bagaço de mandioca como fonte de fibras, apresentado na Feira Internacional da Mandioca realizada em Paranavaí.
A proposta não é apenas aproveitar o que sobra, mas elevar o valor do subproduto dentro da própria cadeia produtiva, tornando a mandioca ainda mais estratégica para a região.
Plástico que se desfaz em seis meses
Uma das descobertas mais chamativas da pesquisa é o biofilme feito a partir do amido de mandioca. Com a adição de glicerina e um ácido orgânico, o material ganha textura semelhante à de uma embalagem plástica convencional, mas com uma diferença fundamental: enquanto o plástico tradicional pode levar até 100 anos para se degradar no meio ambiente, o biofilme de mandioca se decompõe em compostagem em até seis meses.
A embalagem biodegradável e o copo comestível desenvolvidos pela equipe foram também apresentados ao público na reportagem do Bom Dia Paraná, da RPC, como exemplos concretos do que a pesquisa aplicada em universidade pública pode gerar a partir de uma vocação produtiva já existente na região.
Confira a Reportagem: https://globoplay.globo.com/v/14632181/
