O Paraná abriu uma chamada pública de R$ 33 milhões para financiar projetos de pesquisa diretamente vinculados a 61 demandas identificadas pelo setor produtivo empresarial. O edital, publicado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) com recursos do Fundo Paraná, está disponível para instituições paranaenses de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, tanto públicas quanto privadas. As propostas podem ser submetidas até 25 de junho, com resultados previstos a partir de 16 de setembro e início das pesquisas em outubro deste ano. Os projetos aprovados terão até quatro anos de duração.
A iniciativa integra o Programa Agências de Desenvolvimento Regional Sustentável, o Ageuni, criado para articular universidades, empresas, governo e sociedade em torno de soluções para desafios socioeconômicos reais. O diferencial do modelo está justamente na origem das demandas: antes de qualquer proposta ser elaborada, são as empresas e organizações que identificam os problemas. As universidades entram em seguida, com o papel de transformar essas necessidades em projetos viáveis e com entregas concretas.
O que está em jogo nas 61 demandas
As áreas contempladas pelo edital cobrem um espectro amplo da economia paranaense. Agricultura e agronegócio, biotecnologia, saúde, energias sustentáveis, cidades inteligentes e educação estão entre os eixos prioritários da Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Entre os desafios listados, destacam-se o desenvolvimento de bioinsumos para controle de pragas, a criação de sistemas inteligentes para análise de sementes, o reaproveitamento de resíduos da construção civil, a mitigação de emissões de gases de efeito estufa na pecuária e a produção de biometano a partir de resíduos agroindustriais. São temas com impacto direto na competitividade das cadeias produtivas e na sustentabilidade do modelo econômico regional.
Como funciona a seleção
O processo de escolha dos projetos ocorre em duas etapas. Na primeira, eliminatória, as propostas passam por uma análise de conformidade documental. Na segunda, classificatória, especialistas e membros do Comitê Estadual da Ageuni avaliam o mérito de cada projeto com base em critérios como relevância do desafio, impacto esperado, viabilidade técnica, metodologia adotada e sustentabilidade da solução proposta.
As instituições participantes precisam vincular suas propostas às agências de inovação ou núcleos de inovação tecnológica (NITs) correspondentes. O edital também exige a apresentação de uma matriz de riscos e a definição dos níveis de prontidão tecnológica (TRL), escala que indica o estágio de maturidade de cada tecnologia desenvolvida. Serão financiadas atividades de desenvolvimento de soluções inovadoras, estruturação de modelos organizacionais e ações de transferência de conhecimento e tecnologia.
O que o ciclo anterior comprovou
Os números do ciclo de 2023 do programa sustentam a aposta do estado no modelo. Das 355 demandas apresentadas pelo setor produtivo, 64 foram convertidas em projetos de pesquisa com fomento público. O perfil das empresas participantes revelou uma base diversificada: 35% eram microempresas, 33% outras organizações, 18% grandes empresas e 14% médias empresas. Ao final do ciclo, 80% das instituições envolvidas confirmaram que a relação universidade-empresa foi positiva, com compartilhamento de conhecimento, acesso a infraestrutura e efetiva transferência de tecnologia.
Os resultados consolidam o Ageuni como um dos principais instrumentos de política científica do estado, com capacidade real de aproximar o ambiente acadêmico das necessidades do cotidiano produtivo paranaense.




