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Pecuaria

Mercado chinês impulsiona valorização do vergalho bovino nas exportações do Brasil

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Mercado chinês impulsiona valorização do vergalho bovino nas exportações do Brasil

Durante décadas, o comércio internacional de carne bovina esteve associado aos cortes nobres que dominam churrascos e vitrines frigoríficas. Entretanto, o avanço das exportações brasileiras para a Ásia tem revelado uma nova dinâmica de valorização: o aproveitamento integral do animal. Entre os itens que mais chamam atenção está o vergalho bovino, denominação comercial do pênis do boi, que vem registrando demanda consistente no mercado chinês e contribuindo para elevar a receita do setor.

O movimento não se resume a uma curiosidade comercial. Pelo contrário, ele reflete mudanças estruturais na forma como diferentes culturas consomem proteína animal e como a indústria brasileira se posiciona para atender perfis variados de consumo.

Aproveitamento integral e ganho de competitividade

No mercado doméstico, o vergalho bovino costuma ser destinado principalmente à fabricação de petiscos desidratados para cães, com valor médio ao redor de R$ 21 por quilo. Já no comércio exterior, os números são expressivos. O produto pode alcançar até US$ 6 mil por tonelada, sendo exportado in natura e seguindo rigorosamente os protocolos sanitários exigidos pelos países importadores.

Segundo Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, a comercialização ocorre de forma contínua. “A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, afirma. A regularidade das vendas indica que não se trata de uma operação pontual, mas de um mercado consolidado, sustentado por contratos e fluxo estável de demanda.

Além disso, o Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC) destaca que a negociação desse subproduto contribui para o melhor aproveitamento da carcaça e, por consequência, para o aumento da rentabilidade ao longo da cadeia produtiva. Em um cenário global cada vez mais competitivo, transformar partes antes subvalorizadas em ativos comerciais representa uma estratégia relevante.

Cultura alimentar e valorização gastronômica

A força da demanda chinesa está diretamente ligada a tradições culinárias que priorizam o consumo integral do animal. Em diversos países asiáticos, miúdos e cortes considerados não convencionais no Ocidente são ingredientes recorrentes em ensopados, caldos e preparações de longa cocção. O vergalho é apreciado pela textura firme e pela capacidade de absorver temperos, característica valorizada em pratos típicos.

Essa diferença cultural, aliás, evidencia como o comércio internacional de carnes depende não apenas de volume produtivo, mas também da compreensão dos hábitos alimentares de cada mercado. O que é residual em um país pode ser considerado ingrediente nobre em outro.

Estratégia de diversificação e fortalecimento da cadeia

Para Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), a inserção em nichos específicos reforça a posição do Estado no cenário global. “Mato Grosso tem uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais. A capacidade de acessar diferentes mercados, inclusive para subprodutos, mostra o nível de organização da cadeia produtiva”, afirma.

Segundo Andrade, ampliar o portfólio é uma forma de reduzir riscos e aumentar a competitividade. “Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, destaca.

Esse movimento ganha ainda mais relevância em um contexto de oscilações cambiais, exigências sanitárias crescentes e pressão por sustentabilidade. Ao diversificar destinos e produtos, a pecuária brasileira dilui vulnerabilidades e agrega valor à produção.

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