Agronamidia
  • Agricultura
  • Clima e Sustentabilidade
  • Cultivo e Jardinagem
  • Máquinas e Produção
  • Mercado Agro
  • Pecuaria
  • Tecnologia Rural
  • Vida no Campo
  • Agricultura
  • Clima e Sustentabilidade
  • Cultivo e Jardinagem
  • Máquinas e Produção
  • Mercado Agro
  • Pecuaria
  • Tecnologia Rural
  • Vida no Campo
No Result
View All Result
Agronamidia
No Result
View All Result
Home Agricultura

O pássaro todo preto que caça gafanhotos em bando e nunca cobra nada pelo serviço

Com técnica de caça coletiva única entre as aves brasileiras, o Crotophaga ani atua como agente natural de controle de insetos em áreas abertas e é presença constante nas paisagens agrícolas do Sul do Brasil

by Derick Machado
8 de maio de 2026
in Agricultura
O pássaro todo preto que caça gafanhotos em bando e nunca cobra nada pelo serviço

Um bando de até 15 aves se espalha silenciosamente pelo solo em formação de semicírculo. Cada indivíduo fica a dois ou três metros do vizinho. O grupo avança devagar, imóvel e atento, até que um gafanhoto se mexe. A ave mais próxima salta, captura a presa e o bando avança novamente. A cena se repete até a área estar varrida. Esse é o anu-preto (Crotophaga ani) em ação, e essa estratégia de caça coletiva não custa um centavo ao produtor rural.

ADVERTISEMENT

O Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção nacional de arroz, cultura historicamente vulnerável a pragas de insetos. As lavouras irrigadas do estado enfrentam o gorgulho-aquático, o percevejo-do-grão e, em momentos de surto, nuvens migratórias de gafanhotos vindas da Argentina e do Paraguai. Em 2020, a pressão foi tão intensa que o governo federal declarou estado de emergência fitossanitária nos estados do Sul. Nesse cenário, entender o papel das aves insetívoras presentes nesses ambientes é também uma questão econômica.

Gafanhoto não escapa: a precisão do bando em campo

O anu-preto não caça sozinho. Quando não há gado no pasto para auxiliar na captura, o bando organiza a caça no solo em formação de semicírculo, com os indivíduos distantes dois a três metros entre si. O grupo avança lentamente até que um inseto se movimente. A ave mais próxima salta sobre a presa. Depois de um intervalo, o bando avança novamente, varrendo a área de forma sistemática.

O pássaro todo preto que caça gafanhotos em bando e nunca cobra nada pelo serviço

Essa tática, documentada em registros de campo da avifauna brasileira, transforma o bando em um sistema de rastreamento distribuído altamente eficiente. A lógica é direta: quanto maior o grupo, menor a área que cada indivíduo precisa monitorar e maior a taxa de captura por hora. Quando o gado está presente, o anu-preto usa uma estratégia complementar e acompanha os bovinos de perto, aproveitando o movimento dos animais para espantar gafanhotos e outros ortópteros do solo. Cada passo do gado funciona como um mecanismo involuntário de afloramento de presas, e a ave captura os insetos em pleno salto.

Veja Também

Rio Grande do Sul colhe bons resultados com frutas neste inverno

Monitoramento da Conab revela lavouras de soja em bom desempenho, enquanto milho safrinha acumula déficit hídrico no Paraná e em Goiás

Esse comportamento explica a presença constante do anu-preto em pastagens integradas e em sistemas que combinam pecuária e rizicultura nas planícies do Sul.

A dieta que vale mais que inseticida

A base da alimentação do Crotophaga ani é composta por ortópteros, nome técnico do grupo que inclui gafanhotos e grilos. A espécie também consome percevejos, aranhas, miriápodes, lagartas peludas e urticantes, lagartixas e até camundongos, além de pescar em águas rasas quando a oportunidade aparece. Em períodos de seca intensa, quando os artrópodes escasseiam, o anu-preto recorre a frutos, bagas e sementes, mas retorna à dieta insetívora assim que as condições melhoram.

Essa versatilidade alimentar, combinada ao hábito gregário, posiciona o anu-preto como um predador de amplo espectro dentro dos agroecossistemas. Diferente de predadores solitários e especializados, o bando responde dinamicamente à disponibilidade de presas, deslocando-se entre áreas conforme a pressão de insetos aumenta ou diminui.

Contudo, é importante distinguir o Crotophaga ani de outro pássaro que também atende pelo nome popular de “anu” nas lavouras de arroz do Rio Grande do Sul. O garibaldi (Chrysomus ruficapillus), conhecido regionalmente como anu ou pássaro-preto, é uma espécie diferente e tem relação complexa com a rizicultura gaúcha. Alimenta-se de grãos de arroz no período de espigamento e é classificado como praga pela Embrapa Clima Temperado. Por outro lado, o próprio levantamento da Embrapa reconhece que essa e outras aves associadas à cultura do arroz também consomem insetos e sementes de plantas daninhas, o que torna o manejo um tema de equilíbrio ecológico, não de eliminação.

Presente em todo o Brasil, fixo nas paisagens do Sul

O anu-preto ocorre da Flórida à Argentina e em todo o território brasileiro, adaptando-se facilmente a paisagens modificadas pelo homem. Campos cultivados, bordas de lavoura, pastagens, cerrados e áreas urbanas arborizadas estão entre os habitats regulares da espécie. Essa plasticidade ecológica é o que garante sua presença constante nos ambientes agrícolas do Sul, mesmo após décadas de transformação da paisagem rural gaúcha.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Finca Gaia (@fincagaiapr)

A espécie mede entre 35 e 36 centímetros, tem plumagem uniformemente preta com reflexos iridescentes e bico alto com elevação característica na base. O voo é curto e relativamente lento, o que faz com que o bando se desloque por saltos sucessivos de até 50 metros, sempre liderado por um indivíduo que parte na frente. A espécie possui mais de uma dúzia de vocalizações diferentes e emite chamados específicos de alarme: um sinal faz o bando empoleirar-se em pontos elevados para avaliar a ameaça, enquanto outro, emitido diante da aproximação de gaviões, faz o grupo desaparecer instantaneamente na vegetação.

Reprodução coletiva: o bando que cria junto permanece junto

O comportamento cooperativo do anu-preto não se limita à caça. A reprodução também é coletiva. Várias fêmeas do bando depositam seus ovos em um único ninho comunitário, construído com galhos e folhas e posicionado entre dois e seis metros de altura em árvores ou arbustos. A incubação e a alimentação dos filhotes são compartilhadas por todos os membros do grupo, mesmo aqueles que não são os pais diretos. A postura total pode chegar a 20 ovos, com período de choco de 13 a 16 dias.

Esse sistema reprodutivo fortalece os vínculos sociais do bando e garante que os filhotes sejam criados com mais segurança e eficiência, sustentando a presença permanente do grupo em determinadas áreas agrícolas ao longo do ano inteiro. Para o produtor que mantém vegetação nativa nas bordas da propriedade e evita o uso indiscriminado de inseticidas de amplo espectro, o anu-preto tende a se fixar na área e manter sua atividade de predação de forma contínua.

Vegetação nativa nas bordas é o que mantém o aliado na propriedade

A presença do anu-preto em uma propriedade rural não é resultado do acaso. A espécie depende de paisagens que combinem áreas abertas para forrageamento com vegetação arbustiva ou arbórea para ninhos e abrigo. Quando as bordas das lavouras e as matas ciliares são preservadas, o anu-preto e outras aves insetívoras encontram condições para se estabelecer, reproduzir e exercer pressão contínua sobre as populações de insetos-praga.

A conservação da vegetação nativa, dentro da lógica do Manejo Integrado de Pragas recomendada pela Embrapa, opera assim em duas frentes simultaneamente: protege o solo e os recursos hídricos e ancora populações de predadores naturais que reduzem a dependência de inseticidas químicos. Para a rizicultura do Sul, onde cerca de 25% das lavouras gaúchas enfrentam pragas com potencial de dano econômico, preservar a paisagem ao redor da lavoura deixa de ser apenas uma obrigação ambiental e passa a ser uma decisão produtiva.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Share234Tweet147Pin53

Artigos relacionados

Conab lança leilão de frete para transportar 23,7 mil toneladas de milho destinadas ao ProVB
Agricultura

Conab lança leilão de frete para transportar 23,7 mil toneladas de milho destinadas ao ProVB

by Derick Machado
11 de maio de 2026
0

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) pretende remover cerca de 23,7 mil toneladas de milho dos estoques públicos para abastecer o Programa de Venda em Balcão (ProVB). Para realizar o transporte do...

Read more
Estoques elevados derrubam preços do feijão em pleno ciclo 2024/25
Agricultura

Estoques elevados derrubam preços do feijão em pleno ciclo 2024/25

by Derick Machado
12 de maio de 2026
0

Enquanto o mês de julho avança, o mercado do feijão caminha em direção a um cenário de queda generalizada nos preços, impulsionado por um fator que tem ganhado destaque entre os analistas...

Read more
24/02/2021 - Cascavel, colheita de Soja
Agricultura

Recorde na soja, recuo no milho safrinha: o que o 7º levantamento da Conab revela sobre a safra 2025/26

by Derick Machado
12 de maio de 2026
0

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta terça-feira (14) o 7º Levantamento de Grãos da safra 2025/26 com um número que o setor aguardava com atenção: 356,3 milhões de toneladas. O...

Read more
RZK AGRO entrega meio milhão de mudas até 2025
Agricultura

RZK AGRO entrega meio milhão de mudas até 2025

by Derick Machado
11 de maio de 2026
0

Referência em ações de sustentabilidade, o Grupo RZK, através da concessionária RZK Agro, segue empenhado nos projetos de distribuição de mudas para ações de recuperação de áreas em propriedades rurais nos estados...

Read more
  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente
contato@agronamidia.com.br

©2021 - 2025 Agronamidia, Dedicado a informar o público sobre o mundo do agronegócio, do campo e da jardinagem. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

No Result
View All Result
  • Agricultura
  • Clima e Sustentabilidade
  • Cultivo e Jardinagem
  • Máquinas e Produção
  • Mercado Agro
  • Pecuaria
  • Tecnologia Rural
  • Vida no Campo

©2021 - 2025 Agronamidia, Dedicado a informar o público sobre o mundo do agronegócio, do campo e da jardinagem. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

Nós estamos usando cookies neste site para melhorar sua experiência. Visite nossa Politica de privacidade.