Agro
Paraná oficializa CEP Rural e acaba com propriedades “invisíveis” no mapa
Sistema integra Plus Code ao CAR e promete reduzir custo logístico e tempo de resposta no campo
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O Paraná decidiu atacar um problema antigo do campo: a falta de endereço oficial para milhares de propriedades rurais. A partir do lançamento do CEP Rural e do sistema Rota Rural, o Estado passa a integrar o Plus Code, tecnologia de geolocalização do Google, ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). O resultado é direto: mais de 300 mil imóveis rurais terão um endereço digital validado.
O mercado sentiu o peso da mudança.
Até agora, muitas propriedades dependiam de descrições informais, referências locais ou coordenadas imprecisas. Isso impactava entrega de insumos, socorro médico, policiamento e, principalmente, rastreabilidade para exportação. Com a nova ferramenta, cada produtor cadastrado passa a ter um código alfanumérico único, vinculado ao seu CAR. Porteira para dentro, nada muda no manejo. Mas da porteira para fora, a dinâmica se transforma.
“Cada produtor cadastrado passará a ter um endereço digital, principalmente nos pequenos municípios, mais distantes dos grandes centros urbanos, onde muitas vezes é mais difícil o acesso. Será uma ferramenta fundamental para resolver problemas de localização e enfrentar aqueles que tentam dificultar a vida do nosso agronegócio, especialmente nas exportações”, afirmou Darci Piana durante o lançamento no Show Rural Coopavel 2026.
A fala não é protocolar. Ela toca em um ponto sensível: mercados como a União Europeia exigem rastreabilidade cada vez mais rígida. Quando o endereço digital está vinculado ao CAR, a origem da produção deixa de ser apenas declaratória e passa a ser auditável via satélite. Isso reduz risco comercial. E risco tem preço.
Invisibilidade no campo deixa de existir
Durante anos, o produtor rural foi invisível no mapa oficial. Literalmente.
Sem CEP formal, muitos dependiam de coordenadas soltas ou da boa vontade de motoristas experientes que “conhecem o trecho”. Isso encarece frete, aumenta tempo de deslocamento e complica serviços de emergência.
“Com essa ferramenta, o produtor passa a ter um endereço validado pelo Estado para receber mercadorias e, principalmente, para que a viatura da polícia ou a ambulância chegue com precisão e rapidez”, destacou Alex Canziani, secretário da Inovação e Inteligência Artificial.
A meta é ambiciosa: atingir 80% das propriedades em dois anos. A estimativa do governo aponta redução de até 15% nos custos logísticos já no primeiro ano de adoção e queda de 20% no tempo de resposta em ocorrências de saúde e segurança.
Na prática, isso significa menos diesel queimado à toa, menos caminhão rodando em estrada errada e menos atraso na entrega de insumo na janela de plantio. Parece detalhe. Não é.
Logística ainda é o gargalo
Identificar o ponto é apenas parte do problema. Chegar até ele é outra história.
O projeto Rota Rural entra justamente nessa etapa. Enquanto o CEP Rural fixa o endereço digital da propriedade, a Rota Rural oficializa o mapeamento das estradas vicinais e acessos internos. Quem já tentou usar aplicativo convencional no interior sabe o risco: rota que termina em porteira fechada ou estrada intransitável.
Isso custa tempo. E dinheiro.
“A Rota Rural é o mapa digital que garante que o motorista da cooperativa ou o ônibus escolar utilize o caminho mais seguro e eficiente, reduzindo o consumo de combustível e o desgaste da frota”, explicou Benno Doetzer, superintendente de Ordenamento Territorial.
Para quem trabalha com mix de produção e depende de transporte diário — leite, aves, suínos, hortifrúti — a previsibilidade logística é parte da margem. Se o caminhão atrasa, a operação desorganiza. Se a estrada correta está mapeada, o fluxo estabiliza.
Além disso, o Estado passa a ter dados reais de tráfego rural. Isso permite priorizar manutenção de estradas estratégicas, otimizar transporte escolar e organizar melhor o escoamento da safra. Não é apenas tecnologia. É gestão.
Rastreabilidade vira ativo comercial
O diferencial do modelo paranaense está na integração com o CAR. Não se trata apenas de um código de GPS. É uma identidade digital vinculada a um cadastro ambiental oficial.
Isso cria uma camada de segurança jurídica.
Em um momento em que barreiras não tarifárias ganham força e a pressão por comprovação de origem aumenta, ter um endereço georreferenciado validado pelo Estado fortalece a imagem da produção paranaense. A exportação depende cada vez mais de transparência. E transparência exige dado estruturado.
O produtor que opera com mercado externo precisa prestar atenção nisso. Porque a tendência é que exigências aumentem. E quem já estiver regularizado sai na frente.
E agora?
O aplicativo Paraná + Sustentável será a porta de entrada para geração e gestão do endereço digital. O serviço será gratuito. A placa com Plus Code e QR Code, que direciona para a Rota Rural, passa a ser a sinalização física dessa mudança.
Fonte: AEN / Foto: Ari Dias/AEN
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