Pecuaria
Exportações de carne bovina e suína disparam em setembro com alta de até 53%
Publicado
4 meses atrásem
Por
Claudio P. Filla
Em um mês marcado por variações expressivas no comércio exterior, os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam uma tendência positiva para as carnes bovina e suína brasileiras. Em setembro, o país registrou avanço significativo tanto no volume quanto no valor das exportações dessas proteínas, destacando-se como um dos maiores fornecedores globais de carne animal.
O maior impulso veio da carne bovina, cuja receita atingiu US$ 1,65 bilhão no mês, com uma média diária de US$ 82,7 milhões ao longo de 20 dias úteis. A performance representa um salto de 52,9% no valor médio diário em comparação ao mesmo período de 2024, o que reforça o fortalecimento da presença brasileira nos mercados internacionais. Além disso, o preço médio da tonelada exportada também apresentou valorização, chegando a US$ 5.613,20, o que corresponde a uma alta de 24,4% no comparativo anual.
Outro dado relevante é o volume embarcado: foram 294,7 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, uma média diária de 14,7 mil toneladas, número que representa um crescimento de 23,6% em relação ao desempenho do ano anterior. Esse movimento de recuperação ocorre em um cenário global de maior procura por proteína vermelha, especialmente por parte de mercados asiáticos e árabes.
No segmento da carne suína “in natura”, os números também são expressivos. O Brasil exportou 127,3 mil toneladas, com receita total de US$ 328,5 milhões, o que equivale a uma média diária de US$ 16,4 milhões. Em termos percentuais, os embarques de suínos tiveram uma elevação de 28,2% no valor médio diário e 24,2% na quantidade embarcada, além de uma leve valorização de 3,3% no preço por tonelada, que fechou o mês em US$ 2.580,70.
Enquanto as carnes bovina e suína registraram performance robusta, o setor de frango apresentou resultados mais comedidos. As exportações de carne de aves e miudezas comestíveis totalizaram US$ 777,2 milhões, com volume de 440,5 mil toneladas exportadas. Contudo, o valor médio diário caiu 5,8% em relação a setembro de 2024, e o preço médio da tonelada sofreu retração de 8%, encerrando o período em US$ 1.764,50, ainda que tenha havido um leve aumento de 2,5% na quantidade média diária exportada.
A disparidade entre os desempenhos das diferentes proteínas revela um ajuste dinâmico do mercado global, que tem oscilado diante de fatores como custos logísticos, flutuações cambiais e reequilíbrios na cadeia de abastecimento pós-pandemia. A valorização da carne bovina e suína reforça a competitividade brasileira nesses segmentos, enquanto a carne de frango — tradicionalmente mais acessível — parece enfrentar desafios pontuais de preço e demanda.
A expectativa do setor é que os próximos meses mantenham o ritmo positivo nas proteínas vermelhas, impulsionados por contratos já firmados, demanda contínua da Ásia e valorização cambial favorável para o exportador. Resta saber se o frango encontrará novo fôlego à medida que os mercados se ajustam e os custos de produção reflitam as oscilações do milho e da soja, insumos fundamentais para a avicultura.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
E-mail: [email protected]

