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Frango paranaense chega a 150 mercados e consolida o Paraná como maior exportador de aves do Brasil

Com 2,05 milhões de toneladas exportadas em 2025 e receita de US$ 3,53 bilhões, o Estado supera Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo na diversidade de destinos internacionais

by Derick Machado
13 de março de 2026
in Pecuaria
Foto: Jonathan Campos/AEN

Foto: Jonathan Campos/AEN

O Paraná exportou carne de aves para 150 mercados internacionais em 2025, o maior alcance geográfico já registrado por um estado brasileiro no setor. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), e consolidam o Estado não apenas como o maior produtor nacional de frangos, mas também como o mais diversificado exportador da proteína no país.

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O volume exportado chegou a 2,05 milhões de toneladas, gerando receita de US$ 3,53 bilhões ao longo do ano. Para efeito de comparação, Santa Catarina, segundo colocado no ranking de destinos, atingiu 138 mercados, seguida pelo Rio Grande do Sul, com 134, e por São Paulo, com 119. A diferença de 12 mercados entre o Paraná e o segundo colocado pode parecer pequena em números absolutos, mas reflete anos de investimento em certificações sanitárias, diversificação de clientes e capacidade produtiva instalada — fatores que não se replicam rapidamente.

Produção recorde sustenta a liderança nas exportações

O desempenho externo tem base sólida na produção interna. Apenas nos três primeiros trimestres de 2025 foram abatidas 1,7 bilhão de aves no Estado, um novo recorde para o período, segundo o Ipardes. O Paraná concentra cerca de 34% do abate nacional de frangos, participação que supera com folga a de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, os outros dois pilares do Sul do Brasil no setor avícola.

Essa escala produtiva é o que permite ao Estado abastecer simultaneamente mercados de perfis tão distintos. Os Emirados Árabes Unidos lideram o ranking de compradores, seguidos por China, México, Japão e Arábia Saudita. Coreia do Sul, Iraque, África do Sul, Kuwait e Omã completam os dez primeiros destinos. Mais abaixo na lista aparecem Chile, Filipinas, Holanda, Turquia, Catar, Iêmen, Líbia, Singapura, Gana e Jordânia — um mapa que atravessa Ásia, Oriente Médio, América Latina e África subsaariana.

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Do Oriente Médio à Oceania: a amplitude dos destinos paranaenses

A capilaridade das exportações paranaenses vai além dos grandes volumes. Entre os 150 mercados atendidos, há países que compraram mais de 100 mil toneladas — como China e Japão — e destinos que adquiriram menos de uma tonelada, como Palau, nação da Oceania com apenas 18 mil habitantes. Essa amplitude geográfica não é acidental; ela é resultado direto da capacidade de o Estado atender exigências sanitárias e religiosas dos mais variados mercados, incluindo a produção de frango halal, modalidade indispensável para acessar o mercado islâmico do Oriente Médio e do Norte da África.

Para Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, os números traduzem o posicionamento estratégico do Estado no abastecimento global. “Há comida paranaense nos quatro cantos do mundo. A carne de frango, que figura entre os principais produtos exportados pelo Paraná, é uma amostra da nossa qualidade e competitividade”, afirma.

Além disso, o Ipardes destaca que chegar a mercados como Belize e a diversas nações africanas evidencia o alcance comercial da cadeia avícola paranaense e o comprometimento do Estado com o atendimento da demanda mundial por proteína animal. Mercados menores, muitas vezes ignorados por exportadores de menor porte, funcionam como portas de entrada para acordos comerciais mais robustos a médio prazo.

Dinamarca, Singapura e Japão dobram compras do Paraná em 2026

O movimento de expansão não se limita ao balanço de 2025. Já no início de 2026, as exportações paranaenses para Dinamarca, Singapura, Noruega, Polônia e Japão dobraram em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados mais recentes do MDIC. O crescimento com o Japão é especialmente relevante dado o nível de exigência sanitária desse mercado, reconhecido mundialmente como um dos mais restritivos para importação de proteína animal.

Paralelamente, o comércio do Paraná com a Índia cresceu 95% em 2026, alçando o país ao posto de terceiro principal comprador de produtos paranaenses, o que indica uma diversificação geográfica ainda em curso. A Índia, com mais de 1,4 bilhão de consumidores e demanda crescente por proteína de origem animal, representa uma fronteira comercial de alto potencial para a avicultura paranaense nos próximos anos.

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, tem reforçado que os investimentos em infraestrutura rural — como energia trifásica e conectividade no campo — são parte da estratégia para manter a competitividade da cadeia produtiva. “O produtor que trabalha com proteína animal não pode correr o risco de ficar sem energia. A ideia é dar segurança, estabilidade e qualidade para evitar perdas e preservar a riqueza que é produzida no campo”, destaca.

A cadeia que sustenta o “supermercado do mundo”

A liderança paranaense na exportação de frango não acontece isolada. Ela é sustentada por uma cadeia integrada que envolve produção de grãos, indústria de rações, genética avícola, frigoríficos com habilitação para múltiplos mercados e logística de exportação pelos portos de Paranaguá e Antonina. O Estado reúne, em um único território, praticamente todos os elos necessários para transformar grão em proteína exportável com escala e regularidade.

Esse conjunto de fatores é o que diferencia o Paraná dos demais estados exportadores e o que deve manter o Estado na liderança do setor ao longo de 2026, especialmente com a perspectiva de crescimento em mercados asiáticos e africanos, onde a demanda por proteína animal segue em trajetória de alta.

Via: AEN
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