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Pecuaria

Frango ganha fôlego, suínos apertam o caixa: o que mudou nos custos em 2025

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Frango ganha fôlego, suínos apertam o caixa: o que mudou nos custos em 2025

Depois de um primeiro semestre marcado por forte alívio nos custos, o ano de 2025 terminou revelando uma reconfiguração importante na economia da proteína animal no Brasil. Enquanto a produção de frango de corte consolidou uma trajetória de redução no custo médio, a suinocultura passou a registrar um movimento inverso, com pressão crescente sobre as despesas das granjas. Essa diferença de comportamento não apenas afeta a rentabilidade dos produtores, como também antecipa ajustes na oferta e no planejamento das cadeias produtivas ao longo de 2026.

Os dados levantados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos, a CIAS, da Embrapa Suínos e Aves, mostram que os índices de custo encerraram o ano em direções distintas, refletindo principalmente o comportamento da ração e de insumos estratégicos como pintos de um dia e ingredientes energéticos.

Santa Catarina e o avanço dos custos na suinocultura

Em Santa Catarina, estado que serve como principal referência nacional para a suinocultura nos cálculos da CIAS, o custo do quilo do suíno vivo chegou a R$ 6,48 em dezembro, registrando alta de quase 1% em relação ao mês anterior. Com isso, o Índice de Custo de Produção do Suíno, o ICPSuíno, atingiu 370,68 pontos, acumulando elevação de 4,39% ao longo de 2025.

Esse avanço é explicado, sobretudo, pelo comportamento da ração, que sozinha respondeu por mais de 71% do custo total no fim do ano. Embora a variação mensal tenha sido relativamente moderada, o encarecimento contínuo dos insumos alimentares ao longo do período acabou pressionando o custo final da produção. Na prática, isso significa que, mesmo com ganhos em eficiência zootécnica, os produtores passaram a operar com margens mais apertadas.

Além disso, o aumento dos custos de alimentação impacta diretamente o planejamento de lotes e o ritmo de alojamento de animais, já que a ração representa a maior fatia do capital imobilizado em cada ciclo produtivo.

Frango de corte ganha fôlego no Paraná

No Paraná, referência nacional para o cálculo dos custos do frango de corte, o cenário foi mais favorável. Apesar de o custo do quilo ter subido levemente em dezembro, chegando a R$ 4,65, o ICPFrango fechou 2025 com uma queda acumulada de 2,81%, o que representa um alívio relevante para a avicultura de corte.

A explicação está novamente na ração, que representa quase dois terços do custo total. Mesmo tendo registrado alta no último mês do ano, esse insumo acumulou uma redução expressiva ao longo de 2025, superior a 8%. Essa queda compensou outros aumentos pontuais e garantiu que, no fechamento do exercício, o custo médio de produção do frango permanecesse menor do que no início do ano.

Por outro lado, a aquisição de pintos de um dia de vida, segundo maior componente do custo, apresentou trajetória oposta, encerrando o ano com alta acumulada de quase 15%. Ainda assim, como seu peso relativo é menor do que o da alimentação, o impacto foi diluído dentro da estrutura total.

O papel dos estados e a leitura do mercado

Santa Catarina e Paraná funcionam como termômetros nacionais desses custos porque concentram, respectivamente, a maior produção de suínos e de frangos de corte do país. A partir desses dois polos, a CIAS também projeta estimativas para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, o que permite uma leitura abrangente da competitividade regional e da eficiência dos sistemas produtivos.

Esse acompanhamento contínuo tem sido essencial para produtores e integradoras ajustarem estratégias, anteciparem riscos e avaliarem investimentos. Em um mercado cada vez mais sensível a variações de grãos, energia e logística, compreender a composição dos custos deixou de ser apenas uma ferramenta de controle e passou a ser um diferencial competitivo.

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    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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