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Pinhão terá colheita adiada no Paraná para preservar florestas e produtores

Revisão: Derick Machado
9 de janeiro de 2026
in Noticias
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

O pinhão, símbolo da cultura e da culinária do Sul do Brasil, começa a ganhar novo protagonismo no Paraná, não apenas nas mesas, mas também nas políticas ambientais. O Instituto Água e Terra (IAT) oficializou o adiamento do início da temporada de colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente para o dia 15 de abril, criando um intervalo de duas semanas em relação ao calendário que vigorava até o ano passado. A mudança, formalizada pela Instrução Normativa nº 03/2026, alinha o Estado às regras federais e reforça a preocupação com o ciclo natural da araucária, árvore que define a paisagem e a identidade do bioma da Mata Atlântica no Sul do país.

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Além disso, a medida vale tanto para o pinhão destinado ao consumo humano quanto para aquele utilizado em sementeiras, o que amplia o alcance da proteção. Ao postergar o início da colheita, o Paraná busca garantir que as sementes completem seu processo de maturação, o que favorece tanto a regeneração das florestas quanto a qualidade do produto que chega ao mercado.

O papel da nova norma na preservação das florestas

A Instrução Normativa nº 03/2026 substitui regras anteriores, revogando a Portaria IAP nº 46, de 26 de março de 2015, e a Instrução Normativa nº 11/2025. A partir de agora, ela passa a ser o principal instrumento de controle da exploração do pinhão no Estado, estabelecendo critérios mais claros para o que pode ou não ser coletado nas áreas de araucária.

Nesse sentido, um dos pontos mais relevantes é o reforço à proibição da colheita de pinhas imaturas, aquelas ainda verdes, cujas sementes apresentam casca esbranquiçada e alto teor de umidade. Apenas as pinhas no chamado estado deiscente, quando assumem coloração verde-amarelada ou marrom, podem ser legalmente exploradas. Essa distinção, embora técnica, é fundamental, pois garante que o pinhão tenha alcançado seu pleno desenvolvimento, reduzindo o impacto sobre a reprodução da araucária.

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Assim, a norma busca conciliar a atividade econômica com a conservação ambiental, impedindo que a pressa pela comercialização comprometa o futuro das florestas que sustentam essa cadeia produtiva.

Fiscalização e controle da atividade

Para assegurar o cumprimento das novas regras, a fiscalização continua sendo feita pelos agentes do Instituto Água e Terra em conjunto com o Batalhão de Polícia Militar Ambiental. Denúncias sobre colheita irregular, transporte ilegal ou armazenamento fora do período permitido podem ser encaminhadas à Ouvidoria do IAT, aos escritórios regionais pelos telefones (41) 3213-3466 e (41) 3213-3873, pelo 0800-643-0304 ou ainda diretamente à Polícia Ambiental, pelo número (41) 3299-1350.

Esse monitoramento constante se torna ainda mais importante diante do valor ambiental da araucária, espécie que, além de símbolo do Paraná, é peça-chave na manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica, oferecendo alimento para animais silvestres e sustentando ecossistemas inteiros.

Impacto econômico do pinhão no Paraná

Enquanto a preservação ambiental orienta as mudanças no calendário, a importância econômica do pinhão segue sendo um fator central. A cadeia produtiva da semente movimenta milhares de famílias no Estado, especialmente nas regiões Central, Sul e Sudoeste, onde se concentra a maior parte da produção.

De acordo com o Valor Bruto de Produção do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, o pinhão gerou R$ 22,4 milhões em 2023, o dado mais recente disponível. Esse número revela como a semente da araucária não é apenas um elemento cultural, mas também um componente relevante da economia rural paranaense.

Por isso, ao adiar o início da colheita, o Estado aposta em um modelo que permita que essa renda continue existindo no longo prazo. Afinal, ao respeitar o ritmo natural das árvores e garantir que as pinhas cheguem ao ponto certo de maturação, a produção se torna mais estável, e as florestas, mais resilientes, criando um equilíbrio entre tradição, sustentabilidade e desenvolvimento.

Fonte:AEN/IAT

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