Agro
Preço do arroz gaúcho desafia lógica da safra e sobe 2,18% em fevereiro
Movimento atípico contraria pressão tradicional da colheita, mas valores seguem 43% abaixo do ano passado
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10 horas atrásem

O arroz em casca gaúcho voltou a ganhar fôlego em fevereiro. E isso não era esperado. As cotações subiram justamente quando deveriam cair, contrariando a lógica básica de oferta que todo produtor conhece: colheita avançando, preço recuando.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Indicador CEPEA/IRGA-RS fechou a parcial do mês em R$ 54,54 por saca de 50 quilos. Considerando os dados até 20 de fevereiro, o ganho ficou em 2,18% sobre janeiro. Mais que isso: os valores voltaram ao patamar da primeira quinzena de novembro de 2025, quando a safra ainda estava no campo.
O mercado está operando fora do script. Pesquisadores do Cepea destacam que a reação dos preços contraria o padrão sazonal da cultura. Normalmente, quanto mais arroz entra no mercado, mais as cotações cedem. A pressão da oferta física costuma ser implacável nessa fase. Porém, três fatores seguraram o tombo.
A indústria está comprando. A demanda por beneficiamento permanece ativa, o que dá sustentação aos negócios na origem. Além disso, os estoques de passagem estão mais ajustados do que em ciclos anteriores, diminuindo a margem de manobra dos compradores. Por fim, os produtores estão segurando a mão. A cautela na comercialização impediu que volumes maiores pressionassem as cotações de forma mais agressiva.
Mas a fotografia completa mostra outra realidade. Apesar da recuperação recente, o arroz gaúcho segue operando em níveis deprimidos. A comparação com fevereiro de 2024 expõe a fragilidade estrutural do momento: queda de 43% em termos nominais. A diferença é brutal. O que sustenta o preço hoje não é força de mercado. É ausência de oferta excessiva e um comprador que ainda precisa do produto.
Essa reação pontual não muda o fato de que o arroz está historicamente barato. O produtor que segurou estoque até agora conseguiu aproveitar uma janela de melhora, mas o cenário de médio prazo continua pressionado. A safra está nas mãos da indústria, e o ritmo de absorção vai definir se essa firmeza se mantém ou se desmancha nas próximas semanas.
O próximo movimento depende do apetite dos beneficiadores e da velocidade da colheita nas regiões que ainda têm lavoura de pé. Se a oferta acelerar e a demanda esfriar, o piso pode ceder novamente. Por enquanto, o mercado respira, mas respira curto.
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