O mercado do tomate longa vida atravessa um momento de relativa tranquilidade. Na última semana, os preços do tipo 3A se mantiveram estáveis nos principais atacados do país, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). A estabilidade reflete um ajuste natural de mercado: a safra de verão perde ritmo enquanto a de inverno ainda ganha tração de forma progressiva, mantendo a oferta em níveis controlados — nem abundante, nem escassa.
Em São Paulo, a caixa de 20 quilos foi cotada à média de R$ 140. No Rio de Janeiro, o preço médio ficou em R$ 124,61, e em Belo Horizonte, em R$ 133,12. Os três mercados registraram variações mínimas em relação à semana anterior, sinalizando que o canal de abastecimento opera sem pressões significativas por ora.
Se nas grandes capitais o cenário é de estabilidade, a Ceasa de Campinas (SP) seguiu na contramão: a caixa do tomate 3A subiu 27%, alcançando R$ 169,37. A explicação está na menor chegada de produto proveniente de Carmópolis de Minas (MG), praça mineira que tem papel relevante no abastecimento daquela central. Com menos frutos disponíveis, os preços responderam com valorização expressiva, evidenciando o quanto a dependência de uma região produtora específica pode alterar o comportamento de um mercado local.
A perspectiva para o mercado segue sendo de transição ordenada. Produtores das praças de inverno estimam que a intensificação da colheita deve ocorrer a partir da segunda quinzena de maio, o que deve ampliar gradualmente a disponibilidade do produto nos entrepostos. Não se trata de uma virada brusca, mas de um processo de recomposição que tende a manter os preços em patamar estável ou ligeiramente recuado nas próximas semanas, dependendo do ritmo climático e da demanda dos grandes centros consumidores.
O comportamento do tomate neste período de transição entre safras é um termômetro sensível do equilíbrio entre produção e distribuição. Quando bem calibrado, como parece ser o caso agora na maior parte do país, o mercado opera com previsibilidade — o que é bom tanto para o produtor que planeja a colheita quanto para o varejista que precisa compor gôndola com margem.
