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Preços de alimentos perdem força no Paraná com recuo de frutas e lácteos

IPR fecha janeiro em queda e mercado já sente efeito no preço disponível ao consumidor

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Preços de alimentos perdem força no Paraná com recuo de frutas e lácteos

O preço da comida no Paraná voltou a ceder. O Índice Ipardes de Preços Regional – Alimentos e Bebidas caiu 0,07% em janeiro. É a terceira retração consecutiva. No acumulado de 12 meses, o indicador marca -0,45%, o menor patamar desde novembro de 2023. O mercado sentiu o ajuste.

A correção veio principalmente do mix de frutas e do leite. Juntos, esses dois subgrupos retiraram 0,22 ponto percentual do índice mensal. Além disso, bebidas e infusões contribuíram com mais 0,11 ponto negativo. Não foi um movimento isolado. Foi ajuste de oferta.

No varejo, as frutas recuaram 4,71%. A banana-caturra despencou 16,94%. Uva e melão também cederam. O motivo é claro porteira para dentro: clima favorável ampliou a oferta, enquanto o período de férias escolares reduziu o consumo institucional. Resultado? Excesso de produto no atacado e pressão no preço disponível.

O leite também perdeu tração. O subgrupo caiu 1,53% no mês, com destaque para o leite integral (-3,60%) e o leite em pó (-1,10%). Aqui, a explicação passa pela captação elevada e pelo reforço das importações ao longo de 2025, que mantiveram os estoques acima do ritmo de saída. Oferta maior que demanda. O mercado reage rápido.

E o acumulado anual reforça o movimento. Em 12 meses, leite e derivados recuaram 10,48%, cereais 27,44% e ovos 11,77%. O arroz parboilizado caiu quase 37%. Feijão preto e arroz branco recuaram mais de 30%. Isso não é detalhe estatístico. É mudança estrutural na composição do custo alimentar.

Para o produtor, o cenário exige leitura estratégica. Se o preço caiu no varejo, a pergunta é direta: foi por volume ou por preço na origem? No caso do leite, o aumento da captação pressionou a indústria. Já nos cereais, a combinação de boa safra e ajuste nos fluxos de exportação ampliou a disponibilidade interna. O mercado ajusta margens.

Regionalmente, o índice recuou na maioria dos municípios monitorados. Foz do Iguaçu liderou a queda mensal, seguida por Cascavel e Pato Branco. Curitiba destoou, com leve alta de 0,59%, reflexo de ajustes pontuais no varejo local. Entretanto, no acumulado de 12 meses, todos os polos perderam força inflacionária.

A fruta foi o vetor dominante nas cidades. Em Pato Branco e Maringá, as quedas superaram 5%. A banana-caturra chegou a cair quase 24% em Guarapuava. É oferta pressionando preço. Simples assim.

A metodologia do índice reforça a robustez do dado. O Ipardes utiliza cerca de 2,5 milhões de notas fiscais eletrônicas ao consumidor por mês, coletadas em 583 estabelecimentos distribuídos em nove municípios polos. A cesta reflete o padrão de consumo de famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, com base na POF do IBGE. Não é amostra pequena. É dado consolidado.

O movimento de janeiro traz um alívio momentâneo ao consumidor. Contudo, para quem está na produção, a análise é outra. Se a janela de preços enfraquece, o ajuste precisa acontecer no custo porteira para dentro. Redução de desperdício, negociação de insumos e atenção ao fluxo de caixa passam a pesar mais do que nunca.

O mercado de alimentos no Paraná entrou 2026 com oferta confortável. Mas o produtor sabe: preço é ciclo. Se a captação de leite recuar ou se o clima mudar na próxima janela de plantio, o cenário vira. Quem acompanha o mercado de perto consegue antecipar movimentos. Quem espera o boletim mensal reage atrasado.

Fonte: AEN / IPARDES

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