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Pecuaria

Projeto Leite Ouro mapeia distribuidoras para corrigir erros em medicação que comprometem qualidade do leite

Resistência bacteriana, resíduos na proteína e descarte de produção são consequências diretas de diagnósticos falhos e subdosagens em rebanhos leiteiros

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Projeto Leite Ouro mapeia distribuidoras para corrigir erros em medicação que comprometem qualidade do leite

O manejo inadequado de medicamentos veterinários na pecuária leiteira representa um dos principais gargalos econômicos do setor, com impacto direto na rentabilidade das propriedades. Diferentemente do que muitos produtores imaginam, o problema vai além do desperdício financeiro imediato e atinge dimensões críticas como a resistência bacteriana, a contaminação do leite por resíduos químicos e a degradação ambiental.

“A má conduta acarreta numa série de problemas que vão além do desperdício de medicamentos e incluem desenvolvimento de resistência de microrganismos, presença de resíduos na proteína e danos ao meio ambiente, além de causar mal-estar aos animais”, explica o médico-veterinário Felipe Pivoto, gerente de Serviços Técnicos para Bovinos e Equinos da Vetoquinol. A afirmação revela a amplitude de um manejo que, quando equivocado, compromete toda a cadeia produtiva.

Diagnóstico falho e subdosagem: Os dois pilares do prejuízo

O desperdício de medicamentos veterinários tem origem clara. Produtores que tratam os animais sem confirmação precisa da enfermidade que afeta o rebanho acabam aplicando antibióticos e parasitários de forma desenfreada, com erros em dosagens, armazenamento inadequado e interrupção prematura do tratamento. Dessa forma, o princípio ativo não elimina completamente o agente patogênico, criando um ciclo vicioso de reinfecções e gastos repetidos.

A resistência bacteriana se desenvolve justamente nesse cenário. O uso repetitivo de um mesmo princípio ativo associado a subdosagens permite que os microrganismos se adaptem, tornando-se imunes ao medicamento. Consequentemente, as próximas intervenções exigem produtos mais potentes e caros, elevando os custos operacionais da propriedade sem garantia de eficácia.

Além disso, a presença de resíduos no leite tornou-se um problema crítico para propriedades que não respeitam o período de carência dos medicamentos. “Este problema ocorre quando o período de carência dos medicamentos não é respeitado, já que os animais medicados devem ter o leite devidamente descartado”, lembra Paloma Tavares, médica-veterinária e analista sênior de marketing de animais de produção da Vetoquinol Saúde Animal.

Segregação de animais: O erro que multiplica o descarte

A falta de segregação adequada entre bovinos em tratamento e animais saudáveis agrava ainda mais o cenário. Quando o leite ordenhado de animais medicados se mistura ao do restante do rebanho, toda a produção precisa ser descartada, ampliando exponencialmente o prejuízo econômico da propriedade. Esse descarte não afeta apenas o leite contaminado, mas também a produção de animais aptos para o consumo humano, multiplicando as perdas financeiras.

Por outro lado, o impacto ambiental do uso inadequado de medicamentos veterinários permanece subestimado. Resíduos químicos eliminados pelos animais contaminam o solo e as fontes de água nas propriedades, comprometendo a qualidade ambiental e, em médio prazo, a própria viabilidade produtiva da área.

Projeto Leite Ouro: Capacitação técnica nas distribuidoras

Diante desse gargalo em manejo da pecuária leiteira, a Vetoquinol Saúde Animal desenvolveu o Projeto Leite Ouro, que leva informação técnica diretamente aos pontos de distribuição de medicamentos veterinários. A iniciativa promove visitas a distribuidoras parceiras em diferentes regiões do país, com o objetivo de orientar balconistas quanto às melhores indicações de medicamentos para cada necessidade dos pecuaristas.

Os encontros técnicos abordam a linha de produtos de baixa e zero carência da empresa, permitindo que os profissionais de atendimento identifiquem as soluções mais adequadas para cada situação apresentada pelos produtores. Assim, a capacitação dos balconistas funciona como uma barreira técnica contra erros de prescrição e uso inadequado de medicamentos.

A estratégia da Vetoquinol reconhece que as distribuidoras desempenham papel fundamental na cadeia de orientação técnica da pecuária leiteira, especialmente em regiões onde o acesso a veterinários é limitado. Logo, capacitar esses profissionais significa ampliar o alcance de boas práticas de manejo sanitário para um número maior de propriedades.

Rentabilidade e sanidade: Os dois lados da mesma moeda

O uso consciente de medicamentos veterinários não representa apenas uma questão sanitária, mas uma estratégia de otimização econômica. Animais saudáveis produzem mais leite, com melhor qualidade e menor custo operacional, uma vez que as intervenções terapêuticas se tornam mais eficientes e menos frequentes.

“Animais saudáveis produzem mais e o uso correto de medicamentos previne doenças e reduz custos para as propriedades, aumentando sua rentabilidade”, completa Felipe Pivoto. A afirmação resume o objetivo central do Projeto Leite Ouro: transformar o manejo sanitário em vantagem competitiva para as propriedades leiteiras.

Contudo, o caminho para essa transformação passa necessariamente pela educação técnica dos profissionais que orientam os produtores no momento da compra. Ao investir na capacitação de balconistas, a Vetoquinol cria uma rede de disseminação de conhecimento que alcança propriedades de todos os portes, desde a agricultura familiar até sistemas de produção em larga escala.

Tecnologia de baixa carência: A solução para reduzir descarte

A linha de produtos de baixa e zero carência apresentada pelo Projeto Leite Ouro oferece alternativa concreta para produtores que precisam medicar seus rebanhos sem comprometer a produção de leite. Essas tecnologias permitem que os animais retornem rapidamente à ordenha normal, reduzindo o volume de leite descartado e, consequentemente, as perdas financeiras da propriedade.

Por isso, a escolha correta do medicamento no momento da compra torna-se determinante para a viabilidade econômica do tratamento. Um produto com período de carência prolongado pode até ter custo inicial menor, mas o descarte de leite durante dias ou semanas resulta em prejuízo muito superior ao investimento em uma solução de baixa carência.

A Vetoquinol atua no mercado global há mais de 90 anos e mantém presença em União Europeia, Américas e região Ásia-Pacífico. No Brasil desde 2011, a empresa opera com sede administrativa em São Paulo e planta fabril em Aparecida de Goiânia, atendendo todo o território nacional com soluções para produção animal, animais de companhia e equinos.

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