66,7 milhões de sacas: a safra que pode consolidar o Brasil como o maior produtor de café de todos os tempos

Conab elevou a estimativa para 2026 e projeta resultado inédito na série histórica, puxado pelo arábica e por condições climáticas favoráveis

66,7 milhões de sacas: a safra que pode consolidar o Brasil como o maior produtor de café de todos os tempos

O Brasil está a caminho de registrar a maior safra de café da sua história. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-feira (22/05) o 2º Levantamento da Safra de Café 2026, com estimativa revisada para 66,7 milhões de sacas, número aliás que, se confirmado, representará crescimento de 18% sobre a temporada anterior e vai superar em 5,74% o recorde anterior de 63,08 milhões de sacas, registrado em 2020.

A revisão para cima já era esperada. No primeiro levantamento, divulgado em fevereiro, a projeção era de 66,2 milhões de sacas. A diferença pode parecer pequena, mas confirma uma tendência de aceleração que combina expansão de área, recuperação de produtividade e condições climáticas que jogaram a favor dos cafezais em boa parte do país.

O que explica o salto

A área total destinada à cafeicultura deve crescer 3,9% em relação a 2025, alcançando 2,34 milhões de hectares, sendo 1,94 milhão já em produção e outros 401,7 mil hectares em formação, volume que ainda vai pressionar os números positivamente nos próximos ciclos. A produtividade média nacional também deve se recuperar, chegando a 34,4 sacas por hectare, alta de 13% sobre o ano anterior.

O arábica é o motor da safra. A Conab projeta colheita de 45,8 milhões de sacas para a variedade, crescimento de 28% sobre 2025 e terceiro maior resultado da série histórica. “A alta é explicada pelos efeitos positivos do atual ciclo de bienalidade, o que influencia na maior área destinada à produção, aliada às condições climáticas favoráveis”, destacou a Conab no comunicado oficial.

A bienalidade, característica natural do cafeeiro arábica, que alterna anos de produção alta e baixa, está no ciclo positivo em 2026, o que amplifica o efeito das boas condições climáticas e dos investimentos em área realizados nos últimos dois anos.

Conilon em ritmo diferente

O conilon segue trajetória distinta. A expectativa é de 20,9 milhões de sacas, alta discreta de 0,8% sobre a safra anterior. O crescimento da área em produção, projetada em 388,22 mil hectares, deve compensar a queda de 3,5% na produtividade média, estimada em 53,9 sacas por hectare.

O resultado ainda é positivo, mas revela que o conilon, cultivado principalmente no Espírito Santo e no sul da Bahia, enfrenta pressões de desempenho que o arábica, neste ciclo, conseguiu contornar com mais folga.

O que o recorde significa para o mercado

Uma safra recorde no Brasil tem peso imediato no mercado internacional. O país é o maior produtor e exportador de café do mundo, e a perspectiva de oferta abundante em 2026 já influencia as negociações de contratos futuros e os preços pagos aos produtores. Para a cadeia doméstica, o volume elevado também abre espaço para ampliar market share em mercados importadores e consolidar o país em segmentos de maior valor agregado, como os cafés especiais.

O levantamento da Conab reforça que 2026 não é apenas um bom ano para o café brasileiro, é um marco que define um novo patamar de capacidade produtiva para o setor.

Sair da versão mobile