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Soja, milho e feijão apresentam bons resultados, mas calor acima de 30°C exige reação rápida no campo

by Redação Agronamidia
4 de fevereiro de 2026
in Agro
Gilson Abreu/AEN

Gilson Abreu/AEN

A colheita da safra de verão 2025/26 começa a ganhar ritmo no Paraná sob um cenário climático desafiador. De acordo com o boletim semanal do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado, 14% da área cultivada com soja já foi colhida, enquanto o milho alcança 10% de avanço. Entretanto, o progresso das máquinas ocorre em meio a um contraste térmico significativo, marcado por calor intenso superior a 30°C no Oeste e Noroeste e tempestades severas registradas na sequência.

Esse comportamento climático, monitorado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), impõe ao produtor uma tomada de decisão mais estratégica, sobretudo no manejo hídrico e na logística de colheita. O calor prolongado acelera o ciclo fisiológico das culturas, porém, quando combinado com irregularidade de chuvas, pode comprometer o enchimento de grãos.

Soja: início heterogêneo e expectativa de ganho no rendimento

A colheita da soja apresenta ritmo desigual entre as regiões. Em alguns núcleos, o avanço ocorre de forma mais lenta devido à instabilidade atmosférica recente; em outros, o tempo seco favorece a entrada das colheitadeiras e tende a melhorar os índices produtivos à medida que os talhões atingem maturação plena.

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Contudo, há áreas sob estresse hídrico associado às temperaturas elevadas. Nessas condições, o manejo adequado do solo e o histórico de conservação da umidade tornam-se determinantes para sustentar o potencial produtivo. Assim, propriedades que investiram em cobertura vegetal e estrutura física do solo mostram maior resiliência diante da oscilação climática.

Milho: produtividade acima da média histórica

Enquanto a soja avança, o milho de primeira safra caminha para a fase final de maturação e colheita com resultados positivos. Segundo o Deral, diversas regiões registram produtividades superiores às médias históricas, além de qualidade satisfatória dos grãos.

Paralelamente, o plantio da segunda safra progride conforme a liberação das áreas de verão. A germinação inicial tem sido considerada adequada, embora a disponibilidade hídrica ainda exija monitoramento constante. Dessa forma, o sincronismo entre colheita da soja e implantação do milho safrinha será decisivo para consolidar o desempenho da próxima etapa produtiva.

Feijão: primeira safra consolidada e segunda depende da umidade

No caso do feijão, a primeira safra encontra-se praticamente concluída, com mais de 90% das áreas colhidas em várias regiões do Estado. O resultado combina melhora na produtividade e recuperação nos preços, o que fortalece a rentabilidade do produtor neste ciclo.

Por outro lado, a segunda safra enfrenta um cenário mais restritivo. A semeadura acompanha a liberação das áreas, porém a escassez de umidade no solo limita o ritmo do plantio. Assim, o calendário agrícola passa a depender diretamente da regularização das chuvas para garantir emergência uniforme e bom estabelecimento das lavouras.

Hortaliças, frutas e batata: adaptação às oscilações térmicas

No segmento de hortaliças e frutas, o impacto climático exige ajustes operacionais. Cultivos de campo aberto demandam atenção redobrada à irrigação, sobretudo diante da combinação entre altas temperaturas e precipitações abaixo da média.

Na região Sul, entretanto, a safra de maçã apresenta desempenho elevado em produtividade, enquanto a colheita da cebola foi encerrada dentro das expectativas iniciais. Já a batata da segunda safra concentra atividades no preparo do solo e na organização do recebimento das sementes, com foco na umidade residual adequada para assegurar germinação eficiente.

Cana-de-açúcar mantém vigor vegetativo

A cultura da cana-de-açúcar segue em desenvolvimento vegetativo satisfatório. Beneficiada por manejos técnicos consistentes e pela alternância entre janelas de sol e períodos de umidade, a lavoura apresenta bom acúmulo de biomassa. Esse comportamento indica potencial produtivo consistente, desde que a estabilidade climática se mantenha nas próximas semanas.

Clima severo exige gestão técnica contínua

Conforme a análise do Deral, baseada em dados meteorológicos do Simepar, a semana iniciou com temperaturas acima de 30°C no Oeste e Noroeste do Paraná, seguidas por tempestades severas que cruzaram o Estado no fim da semana anterior. Esse padrão reforça a necessidade de acompanhamento constante das lavouras, planejamento logístico e monitoramento do estresse térmico.

Assim, mais do que acompanhar o percentual de colheita, o momento atual exige do produtor comprometimento técnico e rapidez na tomada de decisão. Afinal, em um cenário de contrastes climáticos intensos, a produtividade final depende não apenas do potencial genético das cultivares, mas principalmente da capacidade de adaptação às variações ambientais que marcam esta safra.

Fonte: AEN

  • Redação Agronamidia

    E-mail: [email protected]

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