Tecpar sequencia o DNA do solo paranaense e abre nova fronteira para a agricultura de precisão no Brasil

Com investimento de R$ 2 milhões, projeto vai mapear microrganismos, nutrientes e patógenos em 13 municípios e entregar ao produtor rural um diagnóstico biológico sem precedentes no país

Tecpar sequencia o DNA do solo paranaense e abre nova fronteira para a agricultura de precisão no Brasil

O Paraná iniciou um projeto de agricultura regenerativa inédito no Brasil, que une biotecnologia ao manejo sustentável dos solos. Coordenado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Solo Vivo Paraná é o primeiro rastreamento microbiológico do solo realizado em escala estadual, que servirá como base para a construção de um Mapa Genético dos Solos Paranaenses. O estudo é baseado na metagenômica, uma tecnologia avançada que analisa o DNA e a composição mineral e biológica do solo, para mapear a diversidade de microrganismos e nutrientes presentes em determinada área. A iniciativa representa um grande passo para o conhecimento da qualidade biológica do solo, contribuindo para a adoção de práticas agrícolas mais eficientes, sustentáveis e produtivas. Para o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ao estimular a inovação tecnológica no campo o Tecpar posiciona o Paraná como referência nacional em biotecnologia aplicada à agricultura sustentável. “Este projeto-piloto introduz uma ferramenta inédita para o Estado: a metagenômica aplicada à agricultura, integrando o Paraná à agenda global de bioeconomia e inovação verde”, disse Marafon. “Por meio deste estudo, o agronegócio paranaense terá acesso a indicadores científicos capazes de transformar práticas agrícolas, com impactos diretos na cadeia agroindustrial, ampliando a produção de alimentos com sustentabilidade”, afirmou. SAÚDE DO SOLO – Na prática, a análise de DNA metagenômico funciona como um "raio-X" da saúde do solo, identificando microrganismos benéficos ou patogênicos, ciclos de nutrientes e diversidade biológica. Ele sequencia o DNA de fungos, bactérias e vírus, identificando sua presença e de que forma estão agindo no solo. Enquanto as análises laboratoriais tradicionais analisam os componentes químicos e os nutrientes do solo, na análise metagenômica o sequenciamento material genético é feito diretamente da amostra, focando nos microrganismos. Segundo o gerente do Centro de Desenvolvimento Ambiental para Saúde do Tecpar, Marco Antonio Netzel, a implementação de protocolos de diagnóstico genético do solo possibilitará a identificação das condições biológicas que influenciam a produtividade agrícola. “A aplicação pioneira da metagenômica agrícola no Estado, utilizando sequenciamento genético para mapear comunidades microbianas em larga escala, representa um marco metodológico”, afirma. “Isso ampliará a capacidade local de análise e gestão do solo com base em evidências científicas, transferindo conhecimento técnico para instituições públicas. Os dados gerados poderão orientar estratégias de manejo, além de subsidiar políticas públicas e estratégias de mitigação climática”. INOVAÇÃO – O projeto, desenvolvido em parceria com a empresa Go Genetic, prevê a coleta e extração de amostras de solo em regiões agrícolas do Paraná, que serão processadas em laboratório, por meio da extração de DNA e sequenciamento genético de nova geração (NGS). Em seguida, o material passará pela análise bioinformática – técnica que utiliza conceitos da computação, biologia e estatística para interpretar grandes volumes de informações biológicas, transformando dados brutos em conhecimento. Ao todo, serão 8.400 pontos amostrados, resultando em aproximadamente 700 análises metagenômicas completas com dados genéticos e indicadores de saúde do solo. As informações geradas serão analisadas e interpretadas em conjunto com as equipes técnicas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), e embasarão uma publicação técnica que servirá como referência para o futuro desenvolvimento do Mapa Genético dos Solos do Estado. Além de identificar áreas com necessidade de correção, permitindo o uso mais eficiente do solo, a recuperação de solos degradados e a otimização no uso de fertilizantes, o mapa ajudará na formulação de políticas públicas voltadas à saúde do solo e na elaboração de estratégias de controle e prevenção de doenças do solo, com recomendações técnicas sobre diferentes culturas. BENEFICIADOS – Os principais beneficiados serão os pequenos e médios produtores paranaenses – que hoje representam 84% das propriedades rurais do estado. Eles poderão aumentar a produtividade com base em evidências técnicas, ampliando sua competitividade e autonomia. Cerca de 100 agricultores familiares e cooperativas de 13 municípios farão parte do projeto-piloto. As cidades selecionadas são: Boa Ventura de São Roque, Carambeí, Castro, Curitiba, Guarapuava, Irati, Palmeira, Piraí do Sul, Pitanga, Ponta Grossa, Prudentópolis, São José dos Pinhais e Turvo. O projeto foi estruturado para refletir a diversidade produtiva do estado. Ao longo da execução, serão avaliados diferentes contextos agrícolas e ambientais, como o cultivo da banana, no Litoral do Estado; dos citros − com atenção ao greening − no Norte do Paraná; da mandioca, no Norte e Noroeste; de áreas certificadas de café e goiaba; da sericicultura, no Norte Pioneiro; além de grandes culturas, como soja, milho, trigo, cevada e cana-de-açúcar. O estudo também vai analisar áreas com solos degradados, com foco em diagnóstico e regeneração. SAÚDE ÚNICA – Em 2025, o Tecpar aprovou diversos projetos alinhados aos três pilares do conceito de Saúde Única: saúde humana, saúde animal e saúde ambiental. Entre eles está o projeto piloto Solo Vivo, Paraná Forte – Mapa Genético dos Solos Paranaenses, que tem investimento de R$ 2 milhões, com recursos do Fundo Paraná, dotação de fomento científico gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

O Paraná acaba de dar um passo que nenhum estado brasileiro havia dado antes. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) coordena o Solo Vivo Paraná, primeiro projeto de rastreamento microbiológico do solo conduzido em escala estadual no país, com o objetivo de construir o Mapa Genético dos Solos Paranaenses. A iniciativa une biotecnologia de ponta ao manejo sustentável e coloca o Estado na linha de frente da bioeconomia aplicada ao agronegócio.

A tecnologia central do projeto é a metagenômica, que consiste no sequenciamento direto do material genético extraído de amostras de solo, permitindo identificar fungos, bactérias e vírus presentes naquele ambiente, além de compreender de que forma esses organismos estão atuando sobre a fertilidade e a saúde do solo. Diferentemente das análises laboratoriais tradicionais, que mensuram apenas os componentes químicos e nutricionais, a análise metagenômica funciona como um raio-X biológico completo, revelando a composição microbiana em profundidade e com precisão genética.

Para Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, a iniciativa representa uma mudança de paradigma para a agricultura paranaense. “Este projeto-piloto introduz uma ferramenta inédita para o Estado: a metagenômica aplicada à agricultura, integrando o Paraná à agenda global de bioeconomia e inovação verde”, afirma. Marafon destaca ainda que “o agronegócio paranaense terá acesso a indicadores científicos capazes de transformar práticas agrícolas, com impactos diretos na cadeia agroindustrial, ampliando a produção de alimentos com sustentabilidade.”

O que muda na prática para o produtor

O raio-X biológico do solo vai além de uma curiosidade científica — ele entrega ao produtor uma ferramenta concreta de decisão. Ao identificar quais microrganismos estão presentes e como estão interagindo com os nutrientes disponíveis, o diagnóstico metagenômico orienta o uso mais eficiente de fertilizantes, aponta áreas que demandam correção antes do plantio e antecipa riscos relacionados a patógenos que comprometem o estande de plantas.

Aliás, é justamente nesse ponto que o projeto se diferencia das abordagens convencionais de análise de solo. A metagenômica não substitui o laudo químico, ela o complementa com uma camada de informação que até então estava indisponível para o produtor rural brasileiro em escala comercial. Consequentemente, decisões que antes eram tomadas com base apenas nos níveis de pH, fósforo e potássio passam a incorporar variáveis biológicas que influenciam diretamente a resposta das culturas ao manejo adotado.

Marco Antonio Netzel, gerente do Centro de Desenvolvimento Ambiental para Saúde do Tecpar, explica o alcance técnico do que será gerado. “A aplicação pioneira da metagenômica agrícola no Estado, utilizando sequenciamento genético para mapear comunidades microbianas em larga escala, representa um marco metodológico”, afirma. Para Netzel, “os dados gerados poderão orientar estratégias de manejo, além de subsidiar políticas públicas e estratégias de mitigação climática”, transferindo conhecimento técnico de forma estruturada para instituições públicas e para o campo.

8.400 pontos, 700 análises e um mapa inédito

A escala do projeto é o que garante sua relevância científica e aplicabilidade regional. Serão coletadas amostras em 8.400 pontos distribuídos pelo estado, resultando em aproximadamente 700 análises metagenômicas completas, cada uma contendo dados genéticos detalhados e indicadores de saúde do solo. O trabalho de coleta e extração foi estruturado em parceria com a empresa Go Genetic, especializada em sequenciamento genético de nova geração (NGS).

Após o sequenciamento, o material passa por análise bioinformática, etapa que combina computação, biologia e estatística para transformar grandes volumes de dados brutos em informação interpretável. Todo esse acervo será analisado em conjunto com as equipes técnicas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), e vai embasar uma publicação técnica de referência para o desenvolvimento futuro do Mapa Genético dos Solos do Estado.

O projeto-piloto contempla 13 municípios — Boa Ventura de São Roque, Carambeí, Castro, Curitiba, Guarapuava, Irati, Palmeira, Piraí do Sul, Pitanga, Ponta Grossa, Prudentópolis, São José dos Pinhais e Turvo —, escolhidos para refletir a diversidade produtiva paranaense. Cerca de 100 agricultores familiares e cooperativas participam desta fase inicial.

Diversidade de culturas e solos degradados no escopo do estudo

A composição das áreas avaliadas foi desenhada para capturar diferentes realidades produtivas e ambientais do Paraná. No Litoral, o foco recai sobre a bananicultura; no Norte, sobre os citros, com atenção especial ao greening; no Norte e Noroeste, sobre a mandioca. O estudo também abrange áreas certificadas de café e goiaba, a sericicultura do Norte Pioneiro e as grandes culturas — soja, milho, trigo, cevada e cana-de-açúcar. Além disso, o projeto inclui expressamente solos degradados, com foco em diagnóstico e regeneração, o que posiciona o Solo Vivo Paraná como ferramenta estratégica também para a recuperação de áreas com baixo potencial produtivo.

Essa amplitude geográfica e produtiva é relevante porque os resultados não serão generalizados, mas sim regionalizados. O Mapa Genético dos Solos entregará recomendações técnicas diferenciadas por cultura e por bioma local, permitindo que produtores do Cerrado paranaense, da Região Metropolitana de Curitiba e dos Campos Gerais recebam orientações ajustadas à realidade microbiológica de cada área.

Pequenos e médios produtores como foco principal

Os 84% das propriedades rurais paranaenses classificadas como pequenas e médias serão os principais beneficiados pelos resultados do projeto. Para esse perfil de produtor, que muitas vezes não tem acesso a consultoria técnica especializada, o mapa genético representa a possibilidade de aumentar produtividade com base em evidências científicas, sem necessariamente ampliar o custo com insumos.

O projeto integra o conjunto de iniciativas aprovadas pelo Tecpar em 2025 alinhadas ao conceito de Saúde Única — que articula saúde humana, animal e ambiental como dimensões interdependentes. O investimento total é de R$ 2 milhões, com recursos do Fundo Paraná, geridos pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). O aporte reafirma o posicionamento do Estado como indutor de inovação aplicada ao campo, em um momento em que a agenda de bioeconomia e agricultura de baixo carbono ganha peso crescente nas negociações internacionais.

Com o mapa em mãos, o Paraná terá um instrumento técnico capaz de orientar desde a formulação de políticas públicas voltadas à saúde do solo até estratégias de controle e prevenção de doenças em áreas de produção intensiva — entregando ao campo uma ferramenta que, até agora, existia apenas nos laboratórios.

  • Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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