A partir do dia 15 de abril, o Paraná entrou oficialmente na temporada de coleta e venda do pinhão, a semente da araucária que marca o calendário gastronômico do Sul do Brasil. Muito procurada por moradores e turistas, a iguagem movimenta um comércio informal intenso ao longo das rodovias estaduais, mas carrega junto um problema que se repete a cada ano: a ocupação dos acostamentos por vendedores ambulantes, prática que coloca em risco tanto quem vende quanto quem passa.
Na malha administrada pela EPR Litoral Pioneiro, concessionária responsável pelas rodovias que conectam Curitiba ao Litoral e os Campos Gerais ao Norte Pioneiro, diversos pontos de venda informal já foram identificados desde o início da temporada. A resposta veio rápida: por meio do Programa Conviver, equipes treinadas passaram a abordar os vendedores nesses locais, levando orientações sobre os riscos da permanência às margens das vias.
Acostamento não é ponto de venda
O que parece uma prática inofensiva esconde um conjunto de riscos que vai além do óbvio. A ausência de estrutura adequada para pedestres, as paradas repentinas de veículos em alta velocidade e a exposição contínua ao fluxo intenso do tráfego formam um cenário propício a acidentes graves. Aliás, o descarte irregular de resíduos gerado pela atividade informal agrava ainda mais o problema, comprometendo as condições sanitárias do entorno e atraindo animais para próximo da pista.
Do ponto de vista legal, a situação é clara: o Código de Trânsito Brasileiro classifica o uso do acostamento para fins que não sejam emergência como infração grave. O espaço existe para dar passagem a ambulâncias, viaturas policiais, guincho e equipes de apoio operacional — e qualquer obstrução nesse corredor tem consequências diretas sobre o tempo de resposta em ocorrências.
Paulo Linck, gerente de Operações da EPR Litoral Pioneiro, é direto ao explicar o impacto dessa obstrução no trabalho das equipes de emergência. “Quando esses espaços estão obstruídos, há prejuízo direto ao trabalho das equipes de resgate, e o tempo de resposta em ocorrências pode aumentar. Sabemos que, em situações de acidente, o tempo é um fator essencial para salvar vidas”, alerta.
Tradição que merece um lugar seguro
O pinhão é patrimônio cultural do Paraná. Consumi-lo é um hábito passado de geração em geração, especialmente nas regiões serranas, onde as araucárias dominam a paisagem e o frio justifica as panelas cheias da semente cozida. Contudo, a valorização dessa tradição não pode acontecer à custa da segurança de quem vende e de quem trafega pelas rodovias.
A orientação da EPR Litoral Pioneiro aos vendedores é objetiva: buscar pontos regularizados para a comercialização, como estabelecimentos fixos próximos às rodovias que possam funcionar como parceiros comerciais. Os próprios municípios da região indicam áreas autorizadas para esse tipo de atividade durante a temporada, o que garante ao ambulante visibilidade, segurança e conformidade legal.
Para os motoristas, a recomendação segue a mesma lógica. “Ao sentir vontade de consumir a semente típica do Paraná, optem por pontos regularizados, longe dos acostamentos. A segurança deve estar sempre em primeiro lugar”, reforça Paulo Linck.
O risco que o hábito normaliza
Um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes do Programa Conviver é justamente o peso do costume. A venda de pinhão nas beiras de estrada acontece há décadas no Paraná, e essa repetição ao longo dos anos criou uma falsa sensação de normalidade, tanto para os vendedores quanto para os motoristas que param sem pensar duas vezes no acostamento.
Porém, normalizar uma prática perigosa não a torna segura. Cada parada improvisada na beira da pista é uma variável imprevisível inserida no fluxo do tráfego, e o resultado disso pode ser irreversível. A temporada do pinhão dura poucos meses, mas um acidente nas condições erradas dura para sempre.
A iniciativa da EPR Litoral Pioneiro aponta o caminho mais sensato: preservar a tradição do pinhão paranaense com responsabilidade, garantindo que essa iguaria de época continue sendo motivo de celebração, e não de tragédia nas rodovias do Estado.
Programa Conviver
O Programa Conviver é uma iniciativa da EPR que busca reforçar comportamentos seguros no trânsito, incentivando o respeito com as regras de trânsito, o respeito com os demais usuários e a corresponsabilidade entre todos que compartilham as rodovias. O programa realiza ações voltadas à proteção dos públicos mais vulneráveis no trânsito, como pedestres, ciclistas e comunidades do entorno das rodovias, além de atividades de educação para o uso seguro da infraestrutura rodoviária, conscientização sobre manutenção preventiva dos veículos, a proteção dos profissionais que trabalham nas rodovias, além de um olhar especial para áreas escolares e as futuras gerações.



