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Home Noticias

União Europeia volta a puxar exportações de suco brasileiro com alta de 55% em janeiro

by Derick Machado
25 de fevereiro de 2026
in Noticias
Alto Paraná, 27 de agosto de 2025 - Plantação de laranja.

Alto Paraná, 27 de agosto de 2025 - Plantação de laranja.

Janeiro trouxe o alívio que o setor citrícola esperava há meses. Os embarques brasileiros de suco de laranja concentrado para a União Europeia saltaram 55% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando 50,3 mil toneladas. O volume representa o melhor desempenho mensal da safra 2025/26, que começou em julho e se encerrou agora no primeiro mês do ano.

Segundo o Cepea da Esalq-USP em Piracicaba, o reaquecimento da demanda europeia era aguardado com ansiedade pelos exportadores. O bloco europeu segue como principal comprador da commodity brasileira e seu retorno ao mercado injetou fôlego em uma temporada que vinha patinando. Porém, o impulso de janeiro não foi suficiente para reverter o saldo negativo do ciclo.

No acumulado da safra, os envios totais de suco concentrado 66° brix somam 495 mil toneladas, volume 4,6% inferior ao registrado no mesmo intervalo da temporada anterior. A diferença expõe a fragilidade dos primeiros meses de exportação, quando a demanda externa esteve retraída e o setor operou abaixo das expectativas.

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Indústria encerra moagem com spot esvaziado

Porteira para dentro, as indústrias caminham para o encerramento da moagem. Pouca fruta tem sido adquirida no mercado spot e apenas os últimos contratos ainda estão sendo recebidos, conforme apontam os estudos do Cepea. O ritmo industrial já desacelerou e o foco agora se volta para o escoamento dos estoques processados ao longo da safra.

A equação mudou. Com menos fruta circulando e a indústria concentrada no cumprimento de contratos fechados, o mercado à vista perdeu intensidade. O processamento de fruta própria ganhou protagonismo nesta reta final, reduzindo ainda mais a presença de transações spot entre citricultores e processadoras.

Chuvas de janeiro derrubam qualidade e pressionam cotações

As chuvas torrenciais que atingiram o interior paulista em janeiro jogaram mais uma variável na conta dos produtores. A umidade excessiva elevou a incidência de podridões e fungos nos pomares, afetando diretamente a qualidade das frutas destinadas tanto à indústria quanto ao mercado de mesa.

Parte da produção foi perdida. Outra parcela chegou ao mercado com padrão inferior, ampliando a pressão sobre as cotações em um ambiente já marcado por oferta elevada. O Cepea registrou queda de quase 2% nos preços com pagamento a prazo na segunda quinzena de janeiro. A caixa de 40 quilos da laranja-pera in natura fechou a R$ 43 no dia 12 e recuou para R$ 41 no dia 30.

Limeira, uma das principais regiões produtoras, registrou 55 milímetros de chuva concentrados em apenas duas horas na noite do dia 29, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Piracicaba teve volume ainda maior: 65 milímetros no mesmo intervalo.

O mercado citrícola paulista já sente os efeitos. Para a laranja de mesa, selecionada para consumo direto, o impacto foi mais severo. A fruta com qualidade comprometida perde valor comercial e empurra as cotações para baixo, reduzindo a margem do produtor em um momento já delicado da safra.

Greening segue como ameaça estrutural

Além dos desafios climáticos e de mercado, o setor ainda convive com o greening, a doença bacteriana mais destrutiva da citricultura mundial. Transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, a praga atinge os pomares brasileiros desde 2004 e segue concentrada no estado de São Paulo.

Levantamento do Fundecitrus revelou que a região de Limeira lidera o ranking de incidência da doença no cinturão citrícola paulista e mineiro. Em 2024, a taxa de contaminação alcançou 79,38%, ante 73,87% em 2023. A tendência de alta se mantém e o prejuízo nos pomares pressiona tanto a produtividade quanto os custos de manejo.

Para enfrentar o problema, foi formalizado em janeiro o convênio que criou o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura. A parceria público-privada reúne 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete países, com previsão de investimento de R$ 90 milhões em cinco anos. O foco está em pesquisa aplicada, transferência de tecnologia e educação para combater doenças no setor.

O que esperar daqui para frente

A retomada dos embarques para a Europa em janeiro acende um sinal positivo, mas não apaga os números negativos da safra. O setor precisa monitorar de perto a evolução da demanda externa nos próximos meses e se preparar para os impactos das chuvas de janeiro na qualidade da fruta que ainda circula no mercado. A pressão do greening exige investimento contínuo em pesquisa e manejo rigoroso nos pomares. O produtor que conseguir manter a qualidade da fruta e a sanidade do pomar terá mais margem de negociação à medida que a oferta de produto premium se estreita.

Material de apoio: G1.globo

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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