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Brasil amplia volume exportado de arroz, porém enfrenta retração no valor negociado
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1 semana atrásem
Por
Claudio P. Filla
O setor orizícola brasileiro encerrou 2025 com números que revelam um cenário de contrastes. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), compilados a partir do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país exportou 1,5 milhão de toneladas de arroz ao longo do ano, volume 13% superior ao registrado em 2024. Entretanto, apesar do avanço nos embarques, a receita total somou US$ 457 milhões, representando uma retração de 18% frente ao período anterior.
Esse descompasso entre volume e faturamento reflete um ambiente internacional marcado por forte concorrência e pressão sobre os preços. O Brasil conseguiu ampliar sua presença em mercados consolidados, como Senegal, Venezuela e México, reforçando sua atuação na África e na América Latina. Contudo, a dinâmica global impôs desafios relevantes à rentabilidade do produto brasileiro.
A pressão da concorrência asiática
Entre os fatores que explicam a queda no valor negociado está a retomada das exportações indianas. Após um período de restrições, a Índia voltou ao mercado com grande oferta e preços competitivos, alterando o equilíbrio global. Segundo Gustavo Trevisan, diretor de Assuntos Internacionais da Abiarroz, a reentrada do país asiático reduziu a margem de negociação de outros exportadores. “Com a retirada da suspensão, a Índia voltou ao mercado com forte volume a preços muito baixos, pressionando a competitividade global”, explicou.
Além disso, países asiáticos concluíram suas colheitas no fim de 2024 com custos mais enxutos, o que lhes permitiu ofertar grandes volumes a preços reduzidos. O Brasil, por sua vez, manteve despesas de produção elevadas, especialmente em insumos e logística, o que limitou sua capacidade de competir em igualdade de condições. “Essa diferença reduziu nossa capacidade de competir, especialmente frente à Índia. Além disso, enfrentamos fretes caros e barreiras comerciais que restringiram o acesso a mercados estratégicos”, afirmou Trevisan.
Desempenho do arroz beneficiado
O comportamento do arroz beneficiado — produto que passa pelo processo industrial de retirada da casca e do farelo — evidencia ainda mais esse cenário de compressão de margens. Em 2025, foram exportadas 953 mil toneladas dessa categoria, volume 6% inferior ao do ano anterior. No entanto, o impacto mais significativo ocorreu no valor: a receita recuou 31%, sinalizando forte desvalorização no mercado internacional.
Esse movimento sugere que, embora o Brasil tenha conseguido ampliar embarques totais, parte desse crescimento ocorreu em segmentos com menor valor agregado ou sob condições comerciais menos favoráveis. Assim, o desafio deixa de ser apenas ampliar volumes e passa a envolver estratégias de posicionamento e diferenciação.
Estratégias para ampliar mercados
Diante desse contexto, a Abiarroz, em parceria com a ApexBrasil, intensificou em 2025 as ações do projeto Brazilian Rice. A iniciativa busca consolidar a imagem do arroz brasileiro no exterior por meio de missões comerciais, promoção institucional e negociações para abertura de novos mercados. A estratégia, segundo Trevisan, exige visão de longo prazo. “É uma estratégia de médio e longo prazo, baseada em confiança e relacionamento com mercados-chave”, destacou.
Ainda assim, o horizonte permanece desafiador. A instabilidade política na Venezuela, um dos principais compradores, e possíveis mudanças nas diretrizes comerciais dos Estados Unidos podem influenciar o fluxo de exportações em 2026. O setor, portanto, precisa equilibrar competitividade de preço, eficiência logística e diversificação de destinos.
Importações em retração
Enquanto os embarques ao exterior cresceram, o Brasil reduziu as importações de arroz. Em 2025, foram adquiridas 1,3 milhão de toneladas, com desembolso de US$ 390 milhões. O volume caiu 9% e o valor despencou 42% em relação ao ano anterior, movimento também associado à acomodação de preços no mercado internacional.
O arroz importado é majoritariamente beneficiado e tem como principais origens Paraguai, Argentina e Uruguai, países do Mercosul que mantêm fluxo comercial constante com o Brasil. A retração nas compras externas contribui para maior equilíbrio interno, embora o país siga atuando simultaneamente como exportador e importador estratégico.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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