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Fapesp, Esalq/USP e Fundecitrus oficializam centro de pesquisa voltado à sustentabilidade da citricultura
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1 semana atrásem
Por
Claudio P. Filla
A citricultura brasileira, reconhecida mundialmente por sua produtividade e protagonismo na exportação de suco de laranja, passa a contar com uma nova estrutura estratégica voltada à inovação científica. Foi oficializada, em Piracicaba (SP), a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura – CPA Citros, resultado de um convênio firmado entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
A iniciativa nasce com um propósito claro: enfrentar, de maneira estruturada e colaborativa, os desafios fitossanitários que ameaçam os pomares brasileiros, sobretudo o greening, atualmente a principal preocupação do setor.
Uma rede global para um desafio complexo
O CPA Citros surge como a maior rede de inteligência já estruturada no mundo para o combate ao greening. Ao invés de operar em um único laboratório, o centro funcionará em modelo descentralizado, com sede na Esalq/USP e integração entre laboratórios nacionais e internacionais. Ao todo, cerca de 75 pesquisadores, vinculados a 19 instituições e 36 departamentos de sete países, atuarão de forma articulada.
A proposta vai além da pesquisa convencional. O foco está na compreensão aprofundada da interação entre planta, patógeno e vetor, no desenvolvimento de estratégias de manejo mais eficientes e na formação de novos especialistas em citricultura. Trata-se, portanto, de uma abordagem sistêmica, que conecta biologia, agronomia, inovação tecnológica e transferência de conhecimento ao produtor.
Segundo Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, o centro representa um marco na pesquisa colaborativa do agronegócio. “O centro reúne instituições de excelência para enfrentar de forma estratégica o greening. É uma iniciativa grandiosa, por adotar um modelo de trabalho em rede que integra alguns dos principais pesquisadores do Brasil e do mundo”, afirma. Ele destaca ainda que a união de esforços é determinante para avançar na busca por soluções duradouras para a doença.
Investimento robusto e compromisso de longo prazo
O convênio prevê investimento de R$ 90 milhões ao longo dos próximos cinco anos, com recursos aportados pelo Fundecitrus — com apoio de citricultores e da indústria de suco de laranja — e pela Fapesp, por meio de recursos do Governo do Estado de São Paulo.
Esse volume financeiro demonstra não apenas a dimensão do desafio, mas também o compromisso institucional com a sustentabilidade do setor. Além de gerar conhecimento científico de ponta, o centro terá atuação direta na transferência de tecnologia, aproximando resultados de pesquisa da realidade do campo e acelerando a adoção de soluções inovadoras.
Para Lilian Amorim, pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA Citros, o centro nasce de uma demanda concreta do setor produtivo. “Trata-se de uma parceria voltada à pesquisa para a solução de um problema da sociedade, que também atua na educação e na transferência de tecnologia, garantindo que os resultados científicos cheguem rapidamente ao setor citrícola”, destaca.
Impactos do greening na citricultura
O Brasil lidera a produção mundial de laranja e ocupa posição central no mercado global de suco. No cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, a última safra alcançou aproximadamente 230 milhões de caixas. Entretanto, a expansão do greening impõe perdas significativas.
Nas últimas cinco safras, a doença provocou prejuízo equivalente a mais de 102 milhões de caixas. Atualmente, cerca de 47,6% das plantas nos pomares comerciais dessas regiões apresentam algum nível de infecção. O impacto não se restringe à produção agrícola: envolve empregos, exportações e toda a cadeia industrial associada.
Renato Bassanezi, vice-diretor do CPA Citros, ressalta a dimensão do problema. “A citricultura tem grande importância para a economia do país e emprega mais de 200 mil pessoas, e o greening impacta diversos setores. Por isso, acreditamos que essa atuação integrada será fundamental para avançar no entendimento da doença”, explica.
Ciência, inovação e sustentabilidade
O novo centro consolida também a tradição de cooperação entre as instituições envolvidas. A parceria entre Fapesp e Fundecitrus remonta ao Projeto Genoma, responsável, em 2000, pelo sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, marco da biotecnologia brasileira. Esse histórico reforça a expectativa de que o CPA Citros possa gerar avanços científicos com repercussão internacional.
Além do Fundecitrus e da Esalq/USP, participam pesquisadores de outras unidades da USP, da UFSCar, Unicamp, Unesp, IAC e Embrapa, bem como de instituições estrangeiras na França, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e Portugal. Essa articulação amplia a diversidade de abordagens e fortalece a produção de conhecimento aplicado.
O modelo colaborativo rompe fronteiras institucionais e cria uma estrutura multidisciplinar voltada à proteção dos pomares, ao fortalecimento da competitividade e à sustentabilidade da citricultura no longo prazo. Assim, o CPA Citros se consolida não apenas como um centro de pesquisa, mas como uma estratégia integrada para preservar um dos pilares do agronegócio brasileiro.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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