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Máquinas agrícolas devem avançar apenas 3,4% em 2026, projeta Abimaq

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Máquinas agrícolas devem avançar apenas 3,4% em 2026, projeta Abimaq

Depois de um 2025 de recuperação consistente, a indústria brasileira de máquinas agrícolas entra em 2026 com expectativas mais contidas. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) projeta crescimento de apenas 3,4% na receita do setor, sinalizando um ambiente de maior cautela por parte do produtor rural.

Em 2025, o segmento acumulou alta de 7,4%, movimentando R$ 66,75 bilhões. O resultado refletiu um movimento de reposição de frota e retomada gradual de investimentos. Entretanto, o cenário para o próximo ano indica um ritmo mais moderado, influenciado principalmente pelo comportamento das commodities agrícolas e pelo custo do crédito.

Commodities pressionadas reduzem margem no campo

A rentabilidade do produtor é o principal motor de renovação tecnológica no campo. Quando soja e milho operam em patamares internacionais mais baixos, o fluxo de caixa das propriedades tende a encolher, o que impacta diretamente a decisão de adquirir tratores, colheitadeiras e implementos.

Segundo o presidente da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, o contexto atual exige prudência. “As remunerações internacionais pela soja e o milho estão em período de baixa, gerando menor rentabilidade ao produtor e, naturalmente, levando-o a fazer menores investimentos”, afirma.

Essa dinâmica cria um efeito dominó. Com margens comprimidas, o agricultor prioriza custeio e manutenção operacional, postergando investimentos estruturais. Além disso, o ciclo de troca de máquinas, que já vinha sendo alongado nos últimos anos, tende a permanecer mais estendido.

Juros elevados mantêm crédito sob pressão

Outro fator determinante é o ambiente de crédito. Com a taxa de juros em torno de 15% ao ano, o financiamento de bens de capital torna-se menos atrativo, sobretudo para médios e grandes produtores que dependem de linhas de investimento.

Pedro Estevão Bastos reforça que o cenário não deve apresentar mudanças significativas no curto prazo. “Outro fator muito preponderante são as taxas de juros. Estão bastante altas e o agricultor também acaba não fazendo investimentos. Esses dois fatores a gente acha que não mudam em 2026, ou seja, nem os preços das commodities e nem a taxa de juros, que talvez mude no segundo semestre, mas em um percentual ainda baixo”, conclui.

Assim, mesmo que haja algum alívio monetário na segunda metade do ano, a expectativa é de impacto limitado sobre a disposição de compra.

Mercado interno sustenta, mas em ritmo mais lento

No mercado doméstico, as vendas de máquinas agrícolas cresceram 6,7% em 2025, atingindo R$ 57,59 bilhões. O desempenho demonstra resiliência da demanda interna, impulsionada principalmente por produtores que aproveitaram condições anteriores de crédito ou que operam com maior escala produtiva.

Entretanto, para 2026, a tendência é de estabilização, não de retração. O setor deve continuar avançando, porém de forma mais seletiva. Investimentos pontuais em tecnologia de precisão, eficiência energética e automação tendem a ganhar espaço, sobretudo em propriedades que buscam redução de custos operacionais.

Exportações avançam, importações seguem contidas

O comércio exterior também apresentou desempenho positivo em 2025. As exportações cresceram 12,2%, alcançando US$ 1,63 bilhão, enquanto as importações avançaram 1,4%, somando US$ 1,22 bilhão. Esse movimento indica maior competitividade do produto nacional e presença consistente em mercados estratégicos.

Para 2026, contudo, o cenário global igualmente impõe cautela. A desaceleração econômica em alguns países compradores e a volatilidade cambial podem influenciar o ritmo de embarques.

2026: ano de ajuste estratégico no setor

Embora o crescimento projetado de 3,4% seja considerado modesto, ele representa manutenção de estabilidade em um ambiente macroeconômico desafiador. O setor de máquinas agrícolas não sinaliza retração, mas sim um período de consolidação.

Além disso, a modernização do campo segue como tendência estrutural. Mesmo com margens pressionadas, a necessidade de ganho de produtividade e eficiência operacional continua sendo um fator decisivo. Contudo, em um contexto de preços mais baixos para soja e milho e crédito caro, o produtor tende a agir com maior racionalidade financeira.

Dessa forma, 2026 deve ser marcado por decisões estratégicas mais criteriosas, nas quais a análise de retorno sobre investimento e a previsibilidade de receitas terão peso determinante na hora de fechar novos negócios.

  • Máquinas agrícolas devem avançar apenas 3,4% em 2026, projeta Abimaq

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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