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Coruja-buraqueira reduz até 40% das perdas de grãos por roedores e substitui rodenticidas químicos em propriedades rurais

Ave de rapina presente em áreas abertas atua como controladora biológica natural, eliminando roedores que causam prejuízos de até 15% na pós-colheita

by Derick Machado
23 de abril de 2026
in Natureza
Coruja-buraqueira reduz até 40% das perdas de grãos por roedores e substitui rodenticidas químicos em propriedades rurais

Paióis de madeira, galpões de armazenamento e áreas próximas a lavouras enfrentam um problema silencioso, porém caro: a infestação de roedores. Segundo dados da Embrapa Milho e Sorgo, as perdas causadas por insetos e roedores em estruturas rústicas de armazenamento podem alcançar 15% da produção, chegando a 40% em propriedades familiares com manejo inadequado. Contudo, a solução para esse prejuízo pode estar pousada em mourões de cerca ou em tocas abandonadas por tatus.

A coruja-buraqueira (Athene cunicularia) é uma ave de rapina de porte pequeno, com cerca de 23 a 27 centímetros de comprimento, que habita áreas abertas do Cerrado, Pampas e zonas de transição com a Mata Atlântica. Diferente de outras corujas, apresenta hábitos diurnos e crepusculares, o que a torna visível em campos, pastagens e propriedades rurais durante todo o dia. Sua dieta inclui pequenos roedores, insetos, escorpiões e répteis, o que a posiciona como importante aliada no controle biológico de pragas agrícolas.

A presença dessa ave em fazendas e áreas de cultivo representa um ativo ambiental que reduz a dependência de rodenticidas químicos, preserva a qualidade dos grãos armazenados e mantém o equilíbrio ecológico em sistemas produtivos. Dessa forma, produtores que conservam tocas e áreas abertas nas propriedades garantem um controle de pragas contínuo, sem custos adicionais e com baixo impacto ambiental.

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Roedores ameaçam rentabilidade da pós-colheita

A armazenagem de grãos é uma etapa crítica da cadeia produtiva agrícola. As perdas pós-colheita no Brasil, segundo estimativas do Ministério da Agricultura e da FAO, atingem cerca de 10% da produção anual. Porém, em propriedades que utilizam estruturas mais simples, como paióis de madeira para armazenamento de milho em espiga, esse percentual pode ultrapassar 15% e, em casos extremos, chegar a 40%, conforme aponta o pesquisador Marco Aurélio Guerra Pimentel, da Embrapa.

Os roedores representam uma das principais causas dessas perdas. Ratos e camundongos não apenas consomem os grãos, mas também os contaminam com urina e fezes, comprometendo a qualidade sanitária do produto. Além disso, perfurações provocadas por esses animais facilitam a entrada de fungos e insetos, acelerando a deterioração da massa de grãos.

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“Nas pequenas propriedades familiares que armazenam milho em espiga e que utilizam estruturas rústicas, como paióis de madeira, as perdas causadas por insetos e roedores podem, em alguns casos, alcançar mais de 40%”, ressalta Pimentel. O pesquisador reforça que a sazonalidade e a dinâmica de consumo da produção demandam um sistema eficiente de armazenamento que contribua para eliminar ou reduzir perdas.

O controle químico de roedores, apesar de amplamente utilizado, apresenta limitações. Raticidas à base de anticoagulantes, arsênico ou fluoracetato de sódio exigem aplicação periódica, geram custos recorrentes e podem representar riscos para animais domésticos, aves e fauna silvestre. Por outro lado, a presença de predadores naturais como a coruja-buraqueira oferece uma alternativa de controle contínuo, sem necessidade de manejo químico.

Estratégia de caça silenciosa e eficiente

A coruja-buraqueira caça principalmente ao amanhecer e no final da tarde, períodos de maior atividade dos roedores em áreas agrícolas. Sua visão aguçada, cerca de 100 vezes mais penetrante que a humana, permite detectar movimentos sutis no solo a grandes distâncias. Aliada a uma audição extremamente sensível, a ave localiza presas escondidas em meio à vegetação rasteira ou entre restos de cultura.

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O voo silencioso é outra vantagem competitiva. A estrutura das penas da coruja-buraqueira reduz o ruído aerodinâmico, permitindo que ela se aproxime das presas sem ser percebida. Ao avistar um roedor, a ave realiza um voo rasante e preciso, lançando as garras à frente no momento do ataque. “A observação das presas se dá no alto de árvores ou em mourões de cercas nos pastos e até durante o voo silencioso, quando fazem uma varredura na área de caça”, explica material técnico sobre a espécie.

Estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto identificaram que a coruja-buraqueira presta serviços ecossistêmicos relevantes ao controle de pragas urbanas e rurais, alimentando-se de baratas, escorpiões, ratos e camundongos. “A presença de tocas em áreas urbanas pode representar troca de serviços entre espécies, com benefício ao controle biológico natural”, afirma Patrícia Ferreira Monticelli, coordenadora do Laboratório de Ecologia Comportamental da FFCLRP-USP.

Essa capacidade de controlar populações de roedores e insetos torna a coruja-buraqueira especialmente valiosa em propriedades rurais. Um único casal pode consumir dezenas de roedores por mês durante o período reprodutivo, quando a demanda por alimento aumenta para alimentar os filhotes.

Tocas como indicadores de qualidade ambiental

A coruja-buraqueira não escava suas próprias tocas na maioria dos casos. Prefere reutilizar buracos abandonados por tatus, que são comuns em áreas de pastagem e lavoura. Essas tocas servem como abrigo durante o dia e local de nidificação durante a estação reprodutiva, que ocorre entre a primavera e o verão.

A presença de tocas ativas em uma propriedade rural indica que o ambiente oferece condições adequadas para a sobrevivência da espécie, incluindo disponibilidade de presas, áreas abertas para caça e baixa pressão de pesticidas. Por isso, a coruja-buraqueira funciona como bioindicador da qualidade ambiental, refletindo o nível de conservação dos ecossistemas e a adoção de práticas agrícolas mais equilibradas.

Propriedades que mantêm áreas com vegetação nativa nas bordas de lavouras, faixas de preservação permanente e sistemas de integração lavoura-pecuária tendem a apresentar maior densidade populacional dessa ave. Aliás, a manutenção de cercas de madeira, mourões e pequenas elevações no terreno oferece poleiros naturais que a coruja utiliza para vigilância e caça.

“Em áreas rurais, por exemplo, a presença da coruja-buraqueira pode ajudar no controle de ratos e insetos que prejudicam plantações e propriedades. Por isso, ela é considerada uma aliada natural dos produtores rurais”, destaca reportagem sobre a espécie em áreas do Cerrado goiano.

Redução de custos com controle químico

O custo médio de aplicação de rodenticidas em propriedades rurais varia conforme a área, tipo de produto e frequência de aplicação. Raticidas anticoagulantes, por exemplo, exigem reposição constante devido à resistência desenvolvida por populações de roedores e à degradação natural dos compostos químicos. Além disso, a aplicação incorreta pode levar à contaminação de grãos, representando risco à segurança alimentar.

A presença natural de corujas-buraqueiras elimina ou reduz significativamente a necessidade de intervenção química. Em propriedades com colônias estabelecidas da ave, o controle de roedores ocorre de forma contínua e autônoma, sem custos operacionais para o produtor. Dessa forma, a economia gerada pela substituição de rodenticidas pode alcançar 60% dos gastos anuais com controle de pragas em áreas de armazenamento.

Porém, a eficácia desse controle biológico depende da conservação de habitat adequado. A destruição de tocas durante preparo de solo, uso excessivo de agrotóxicos e supressão de vegetação nativa comprometem a presença da espécie e, consequentemente, o serviço ambiental que ela presta.

Pesquisadores da USP defendem instrumentos jurídicos específicos para proteção das tocas, equiparando-as à proteção já existente para árvores ameaçadas. “Não há plasticidade que vença a frequência com a qual tocas são soterradas pela construção e não se conhece a possibilidade de criar resistência à contaminação por pesticidas”, destaca Monticelli, indicando que a adaptação comportamental não impede o declínio quando a mortalidade supera a capacidade reprodutiva.

Manejo favorável à conservação da espécie

Produtores rurais que desejam potencializar o controle biológico de roedores por meio da coruja-buraqueira podem adotar práticas simples de manejo. A preservação de tocas existentes é o primeiro passo. Durante operações de preparo de solo, roçada ou construção de estruturas, é importante identificar e sinalizar buracos ativos, evitando o soterramento acidental.

Manter áreas de vegetação baixa próximas a galpões e armazéns favorece a presença da espécie, pois facilita a caça e oferece locais de nidificação. Faixas de vegetação nativa ou pastagens com manejo rotacionado criam ambientes propícios para que a ave estabeleça território permanente na propriedade.

Reduzir o uso de rodenticidas químicos e inseticidas de amplo espectro também beneficia a população de corujas. A contaminação de presas por pesticidas pode levar à intoxicação secundária das aves, comprometendo sua saúde reprodutiva e taxa de sobrevivência. Portanto, sistemas produtivos que adotam manejo integrado de pragas e controle biológico tendem a apresentar maior densidade de predadores naturais.

A instalação de poleiros artificiais, como estacas de madeira ou mourões em áreas estratégicas, amplia os pontos de vigilância utilizados pela coruja-buraqueira. Essa prática é especialmente eficaz em propriedades com grandes extensões de lavoura, onde a ave pode ter dificuldade para localizar presas sem pontos elevados de observação.

Controle biológico como diferencial competitivo

A adoção de práticas agrícolas que favorecem o controle biológico natural representa um diferencial competitivo crescente no mercado de commodities. Certificações ambientais, programas de rastreabilidade e exigências de mercados internacionais valorizam sistemas produtivos que reduzem o uso de agroquímicos e preservam a biodiversidade.

Propriedades que demonstram a presença de fauna nativa, incluindo aves de rapina como a coruja-buraqueira, fortalecem sua imagem junto a consumidores e compradores preocupados com sustentabilidade. Além disso, a redução de custos com insumos químicos melhora a margem de lucro e diminui a exposição a riscos de contaminação de grãos.

A Embrapa recomenda que, junto com o esforço para o aumento da produtividade, o produtor se atente para cuidados com o armazenamento, pois assim poderá guardar sua produção e comercializá-la em épocas do ano em que consiga melhores preços. A conservação de predadores naturais de roedores integra esse conjunto de boas práticas, contribuindo para a manutenção da qualidade dos grãos durante a estocagem.

Propriedades localizadas em regiões de Cerrado, Pampas e áreas de transição têm vantagem natural para implementar esse modelo. A coruja-buraqueira ocorre em praticamente todo o território nacional, exceto na Amazônia, sendo especialmente comum em estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, justamente onde a produção de grãos é mais expressiva.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  [email protected]

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