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Pecuaria

Abate de bovinos dispara 13% e produção de carne cresce 15% no fim de 2025

Peso das carcaças atinge 2,91 milhões de toneladas e reacende debate sobre oferta elevada e pressão nas margens da pecuária

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Abate de bovinos dispara 13% e produção de carne cresce 15% no fim de 2025

O abate de bovinos avançou 13,1% no quarto trimestre de 2025 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram 10,95 milhões de cabeças enviadas aos frigoríficos sob inspeção sanitária, segundo o IBGE. O mercado sentiu o movimento.

Em volume de carne, o impacto foi ainda mais evidente. O peso das carcaças alcançou 2,91 milhões de toneladas, um salto de 15% em relação ao último trimestre de 2024. Trata-se de um aumento relevante de oferta porteira para fora, justamente em um momento em que o consumo interno ainda busca tração e as exportações seguem como principal válvula de escoamento.

Na comparação com o terceiro trimestre, porém, houve leve recuo tanto em número de cabeças quanto em peso produzido. Nada fora do padrão sazonal. O que importa, na prática, é o comparativo anual — e ele confirma que o ciclo de descarte ainda está ativo.

Oferta elevada pressiona a arroba

Quando o abate cresce acima de dois dígitos, a leitura é clara: há mais boi entrando na escala. Isso normalmente está associado ao aumento do abate de fêmeas e à necessidade de geração de caixa por parte do pecuarista.

Se a produção cresce 15%, é preciso perguntar: isso veio de mais animais ou de carcaças mais pesadas? A resposta está majoritariamente no volume. O produtor vendeu mais cabeças. E quando a oferta aumenta dessa forma, a arroba tende a perder sustentação no preço disponível, sobretudo nas praças com maior concentração de frigoríficos exportadores.

O ciclo pecuário ainda joga contra a retenção. E isso ajuda a explicar o ritmo acelerado do abate.

Suínos e frango mostram outro ritmo

Enquanto os bovinos ampliaram presença nas plantas frigoríficas, suínos e frangos apresentaram movimentos mais moderados. O abate de suínos somou 14,77 milhões de cabeças, alta anual de 2,3%, mas com retração frente ao trimestre anterior. No peso de carcaça, foram 1,35 milhão de toneladas.

Já o frango manteve volume robusto, com 1,69 bilhão de cabeças abatidas. A produção atingiu 3,54 milhões de toneladas, crescimento anual de 4,7%. Entretanto, houve leve ajuste na comparação com o terceiro trimestre.

Isso indica que o mix de proteínas segue competitivo. Quando a carne bovina amplia oferta e reduz preço relativo, ela disputa espaço direto com frango e suíno no varejo. A conta fecha no consumo.

Leite cresce e couro acompanha o movimento

No leite, o cenário foi de expansão. A captação atingiu 7,34 bilhões de litros, avanço de 8,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O leite industrializado acompanhou o ritmo. Isso sugere recuperação de produção nas principais bacias leiteiras e maior regularidade de oferta no campo.

O couro também reagiu ao maior abate bovino. A indústria adquiriu 11,13 milhões de peças inteiras de couro cru, alta de 11,8% na comparação anual. A relação é direta: mais boi abatido, mais matéria-prima para o setor curtumeiro.

Já a produção de ovos manteve crescimento moderado, alcançando 1,25 bilhão de dúzias. Movimento consistente, porém sem ruptura.

O que os números sinalizam para 2026

Os dados do IBGE são preliminares, mas o desenho do mercado está claro. A oferta de boi segue elevada, o que tende a manter pressão sobre a arroba no curto prazo. Ao mesmo tempo, frigoríficos operam com maior disponibilidade de matéria-prima, o que pode favorecer escalas alongadas.

Para o pecuarista, o ponto central agora é estratégia. Segurar animal à espera de recuperação pode significar aumento de custo com alimentação. Vender no pico de oferta também comprime margem. A decisão passa por fluxo de caixa e capacidade de retenção.

Se o ciclo começar a virar em 2026, a janela de retenção pode se abrir. Até lá, o mercado continua dependente da exportação e do comportamento da demanda interna. Quem estiver atento ao mix de produção e ao custo por arroba produzida terá mais clareza na tomada de decisão.

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