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Cigarrinha-do-milho no radar: nova plataforma muda o jogo no Paraná

Ferramenta centraliza monitoramento, orienta decisões na janela de plantio e promete impacto direto no custo de produção.

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Cigarrinha-do-milho no radar: nova plataforma muda o jogo no Paraná

O Paraná colocou informação na linha de frente do combate à cigarrinha-do-milho. A nova plataforma CigarrinhaWeb foi lançada no Show Rural Coopavel, em Cascavel, com um objetivo claro: transformar dados dispersos em inteligência prática de manejo.

O movimento não é pequeno. Estamos falando do inseto que transmite o complexo de enfezamentos, responsável por queda de produtividade, grãos leves, falhas no enchimento e, nos casos mais graves, tombamento da lavoura. O mercado sentiu o impacto nos últimos anos.

A ferramenta reúne dados de armadilhas adesivas espalhadas pelo Estado e exibe, em mapa interativo, a densidade populacional da praga por região. Atualização semanal. Série histórica armazenada. Transparência total.

Isso muda a dinâmica porteira para dentro.

Até agora, muitos produtores tomavam decisão baseados em percepção local ou na pressão do vizinho. Agora, conseguem visualizar o comportamento regional da praga e ajustar o timing de aplicação, escolher melhor o híbrido e revisar o calendário da janela de plantio.

Informação vira estratégia de bolso

O que realmente importa não é apenas saber que a cigarrinha está presente. Ela sempre está. A pergunta é: qual o nível de infestação e em que momento do ciclo?

Quando o produtor aplica defensivo fora do ponto ideal, ele não protege a produtividade. Ele aumenta custo. Simples assim.

“A cigarrinha-do-milho é uma ameaça à produção. Apoiar o desenvolvimento desta plataforma significa equipar o produtor com informação atualizada e em tempo real. É um investimento no conhecimento que se transforma em ferramenta prática para a defesa da nossa produção”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

O impacto econômico ajuda a dimensionar a urgência. Entre as safras 2020/21 e 2023/24, os prejuízos nacionais associados ao complexo de enfezamentos chegaram a US$ 25,8 bilhões, segundo levantamento da CNA, Embrapa e Epagri. Foram 31,8 milhões de toneladas perdidas por ano, em média.

Não é detalhe técnico. É margem evaporando.

Em 2024, somente no Paraná, o gasto com defensivos voltados ao controle da praga chegou a 76 milhões de dólares. “Ou seja, se a plataforma tiver impacto de 10%, essa pesquisa já se paga várias vezes”, destaca Luiz Márcio Spinosa, da Fundação Araucária.

O recado é direto: ou o produtor monitora, ou ele paga a conta.

Paraná assume protagonismo no monitoramento

O método das armadilhas adesivas não é novidade. O diferencial está na consolidação pública dos dados. O Paraná é o único Estado que estruturou um sistema digital aberto com essa escala.

A iniciativa nasce da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada – Complexo de Enfezamento do Milho, envolvendo Sistema FAEP, Fundação Araucária, Seti e Seab.

“Esse trabalho é fruto de uma grande parceria. Como produtor rural, conheço os desafios do campo e os danos causados pela cigarrinha. Por isso, acredito que essa ferramenta vem para somar”, afirma Márcio Nunes, secretário estadual da Agricultura.

O efeito prático é claro: planejamento mais fino. O produtor pode cruzar dados da plataforma com o histórico da própria fazenda, ajustar o mix de produção, rever híbridos mais suscetíveis e avaliar se o controle químico está sendo aplicado no momento certo.

Sem achismo. Com número.

Logística de decisão começa antes da emergência da lavoura

A cigarrinha não espera a lavoura fechar. Ela ataca cedo. Por isso, o monitoramento precisa começar antes mesmo do estabelecimento do estande ideal.

A plataforma permite acompanhar a evolução populacional e entender onde a pressão está maior. Isso ajuda inclusive quem está definindo a próxima semeadura.

Se a região apresenta alta incidência, talvez seja hora de antecipar plantio, ajustar espaçamento ou reforçar manejo inicial. Cada região reage de forma diferente. E a série histórica armazenada cria base para decisões mais técnicas nas próximas safras.

“Essa ferramenta vai ajudar o setor produtivo não só do Paraná, mas do Brasil, pois combate um dos principais problemas na produção do milho”, afirma Aldo Nelson Bona.

Avanço porque reduz improviso. Avanço porque transforma dado em ação.

Já Natalino Avance de Souza reforça o impacto produtivo: “Essa entrega é um avanço no campo”.

E agora?

A tecnologia está disponível. Mas plataforma não substitui manejo integrado.

O produtor que cruza dados da CigarrinhaWeb com monitoramento próprio, escolha de híbridos tolerantes e ajuste fino de aplicação tende a reduzir custo por hectare e proteger teto produtivo.

Quem ignora informação, joga contra a própria margem.

A próxima safra começa agora. E a cigarrinha já está voando.

Fonte: Sistema FAEP

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