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Cohapar executa projeto habitacional completo para trabalhadores rurais de Altônia
Agricultores familiares e trabalhadores do campo recebem residências de 49 m² com acabamento total, construídas pela companhia estadual em parceria com MCMVR
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Quinze famílias de Altônia saíram da precariedade habitacional direto para casas novas, prontas para morar. O investimento de R$ 1,4 milhão foi dividido entre Estado, por meio do Casa Fácil Rural, União, via Minha Casa Minha Vida Rural, e prefeitura municipal. A entrega das chaves aconteceu na última quinta-feira (19), marcando o fim de décadas de espera para quem vivia em estruturas de madeira deterioradas ou em condições indignas.
O modelo de execução adotado pela Cohapar foge do padrão tradicional de repasse a construtoras terceirizadas. A companhia estadual assumiu desde a contratação de mão de obra até a fiscalização completa das obras. Comprou material, gerenciou cronograma e entregou imóveis com acabamento — piso cerâmico, revestimento nas áreas molhadas, louças e metais instalados. Nada de “obra pela metade” ou ajustes posteriores às custas do beneficiário.
Perfil do beneficiário define acesso ao subsídio
O Casa Fácil Rural tem foco em quem produz na terra ou trabalha nela. Para agricultores familiares, o teto de renda anual é de R$ 40 mil, valor atestado pela Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Trabalhadores rurais entram na mesma faixa, mas comprovam rendimentos por carteira assinada e contracheques dos últimos três meses. Essa separação evita distorções comuns em programas habitacionais genéricos, onde o critério urbano não se encaixa na realidade do campo.
A contrapartida municipal foi operacional, não financeira. A prefeitura assumiu terraplenagem, melhoria de acessos e divulgação do programa nas comunidades rurais. “Essa divisão de tarefas acelera a entrega e reduz custos administrativos. O município entra com o que tem de mais barato: máquina e capilaridade local”, explica o arquiteto e especialista em habitação social Renato Balbim, do Ipea.
As residências seguem planta padrão: dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço externa. Área privativa de 49,40 m². Construídas nos terrenos dos próprios beneficiários, o que elimina a necessidade de reassentamento ou adaptação a novos bairros. Para quem já estava na propriedade há décadas, esse detalhe faz diferença — mantém vizinhança, rotina de trabalho e vínculos comunitários.
Subsídio transforma o inviável em possível
Nelson Liberato Galindo tem 94 anos, é viúvo, pai de dez filhos e trabalhou a vida inteira na roça. Aposentado, ele nunca conseguiu juntar o suficiente para sair do aluguel ou reformar a casa onde vivia. Com o apoio da neta e o subsídio estadual, pagou valor simbólico pela moradia nova. “Sempre sonhei com a casa própria, a gente corria atrás, mas nunca dava certo. Minha neta correu atrás e agora deu certo, foi uma beleza. Estou muito feliz. O que eu espero daqui para frente, nesses poucos dias de vida, é viver contente, receber os filhos em casa e contar história”, relatou.

Claudemir Galo, 55 anos, e Rosana da Silva Galo, 51, são agricultores e pais de três filhos. A casa de madeira onde moravam estava estruturalmente comprometida. “Nossa casa era bem antiga, de madeira, e a gente estava precisando muito de uma casa nova para ter melhores dias e mais conforto. A estrutura estava muito debilitada, já não tinha mais condições. É uma alegria muito grande e uma satisfação estar aqui para receber nossa casa. Esperamos viver com nossa família e aproveitar ao máximo com saúde, paz e Deus junto com a gente”, disse Rosana.
Valderlei Aparecido Conti, lavrador de 56 anos, morou 33 anos em condições precárias. Casado e pai de dois filhos, ele define a antiga moradia como “bem fraquinha”. Com o programa estadual, conseguiu sair dessa situação pagando valor acessível. “A casa onde eu morava era bem fraquinha e eu estava nela há 33 anos. O sentimento de receber a chave hoje é imenso, não tem nem como falar; é muito gratificante. Pegar uma casa dessas por um valor tão baixo facilitou demais para mim. Daqui para frente, espero continuar no trabalho e ser muito feliz, juntar a família, fazer um churrasco e ter qualidade de vida”, afirmou Valderlei.
O que diferencia esse modelo
A execução direta pela Cohapar reduz intermediários e garante padrão construtivo uniforme. Em programas onde a prefeitura contrata empreiteiras locais, os resultados variam conforme a capacidade técnica e fiscalizatória municipal — o que pode gerar atrasos, vícios construtivos ou acabamento inferior. Aqui, a companhia estadual centraliza qualidade e prazo.
Além disso, o fato de as casas serem edificadas nos terrenos dos beneficiários elimina custos com desapropriação ou compra de glebas. A família mantém sua base produtiva e suas relações sociais. “Programas habitacionais rurais eficientes preservam o vínculo territorial. Reassentar trabalhadores rurais em núcleos urbanos ou periurbanos gera evasão, desemprego e perda de identidade produtiva”, analisa a arquiteta e pesquisadora em habitação rural Ana Beatriz Oliveira, da Universidade Federal de Viçosa.
Altônia recebe agora famílias que deixaram a insegurança habitacional para trás. O próximo passo é monitorar se essas moradias permanecerão ocupadas pelos titulares ou se haverá movimentação especulativa — risco presente em qualquer programa subsidiado, mas controlável com fiscalização pós-entrega e cláusulas de inalienabilidade temporária.
Fonte: Cohapar
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