Paisagismo
Como a integração lavoura-pecuária eleva a qualidade do solo e aumenta as colheitas no Matopiba
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8 meses atrásem

Entre os campos vastos e os cerrados que marcam o Matopiba, uma transformação silenciosa vem mudando o futuro da agricultura. O consórcio entre lavoura e pecuária, conhecido como ILP, desponta como a estratégia mais eficiente para aumentar a produtividade, devolver saúde ao solo e garantir a sustentabilidade dessas paisagens.
Estudos da Embrapa Meio-Norte comprovam que esse arranjo inteligente, que integra grãos e animais num ciclo fechado, traz benefícios que vão muito além da colheita: ele fixa carbono, melhora a fertilidade e prepara a terra para o futuro.
O papel da integração na qualidade do solo
Em avaliação criteriosa, a equipe da Embrapa analisou o comportamento de sistemas integrados e comparou-os a áreas de pastagem e vegetação nativa do Cerrado. Como explica o pesquisador Edvaldo Sagrilo, a principal virtude dessas práticas está em potencializar o solo como um verdadeiro sumidouro de carbono.
“Com o manejo adequado, o pecuarista que cuida da pastagem e o agricultor que adere à integração conseguem resultados ambientais e produtivos muito parecidos”, ressalta o especialista.
Ao longo da pesquisa, foram observadas concentrações muito mais altas de substâncias húmicas em áreas integradas, um indicador direto da qualidade e da capacidade de retenção de água e nutrientes no solo. Essas substâncias são indispensáveis para a estruturação do solo e a manutenção da atividade biológica, o que garante uma lavoura mais vigorosa e resiliente.
Impactos ambientais e produtivos
A elevação dos estoques de carbono e nitrogênio, segundo Sagrilo, representa uma oportunidade tanto ambiental quanto econômica. Além da redução das emissões, há maior economia de insumos e menor perda de fertilidade, o que significa solo fértil por mais tempo e menos custos para o produtor. Nesse cenário, o mercado de créditos de carbono ganha força e promete recompensar financeiramente os produtores que adotarem essas práticas sustentáveis.
Dados que impressionam
A pesquisa foi executada em São Raimundo das Mangabeiras (MA), comparando cinco sistemas: vegetação nativa, ILPF consolidado há 13 anos, ILP há 16 anos sob plantio direto, ILP com preparo recente e pastagens cultivadas há 15 anos. O resultado foi inequívoco: os maiores estoques de carbono estão exatamente nos sistemas integrados e nas pastagens bem conduzidas. O salto foi significativo — 84% a mais para o ILP com plantio direto, 108% para o ILP com aração e 66% para pastagens, quando comparados à vegetação nativa.
Esse ganho também depende do tempo e do cuidado com o solo, uma vez que as áreas nativas são originalmente pobres em nutrientes, o que reforça a importância da adoção dessas práticas.
Testemunho do campo
Fernando Devicari, produtor em Brejo (MA), sabe bem o valor do consórcio lavoura-pecuária. Após 15 anos investindo no ILP e nove no ILPF, ele viu o solo voltar a respirar.
“A palhada que antes sumia na chuva agora vira alimento para a terra. Com a rotação entre milho e capim, a matéria orgânica dobrou e a produtividade disparou. Hoje, colhemos quase oito sacas a mais por hectare”, conta o agricultor.
Potencial além do Matopiba
Ainda que o estudo tenha sido focado nessa fronteira agrícola, Sagrilo lembra que os impactos positivos são replicáveis em outras áreas do Cerrado. Pesquisas em diferentes regiões confirmam que o manejo integrado, quando bem planejado e executado, é capaz de transformar solos frágeis em solos ricos, aumentar a produção e, de quebra, contribuir para a redução das emissões globais.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


