Paisagismo
Como recuperar uma rosa-do-deserto com o caule mole ou apodrecido
Publicado
8 meses atrásem

Ao notar que o caule da rosa-do-deserto (Adenium obesum) está mole, escurecendo ou com sinais de apodrecimento, o primeiro sentimento costuma ser de frustração — especialmente se a planta vinha sendo cultivada com dedicação. Mas antes de desistir, vale entender que esse quadro pode ser revertido, desde que identificado a tempo e tratado com as medidas corretas. E o mais importante: quanto mais cedo a intervenção, maiores as chances de sucesso.
A rosa-do-deserto é famosa por sua aparência escultural e sua capacidade de florescer exuberantemente, mesmo em ambientes com baixa umidade. Contudo, sua maior vulnerabilidade está justamente no caule e nas raízes, que funcionam como reservatórios de água e são altamente suscetíveis ao excesso de umidade.
Segundo o engenheiro agrônomo Lucas Amaral, da Escola Brasileira de Jardinagem, “a causa mais comum do caule mole na rosa-do-deserto é o encharcamento do solo, aliado a um substrato que não oferece boa drenagem. Isso favorece o surgimento de fungos e bactérias que atacam os tecidos da planta, especialmente em dias mais frios”.
O especialista alerta que, em muitos casos, o problema começa pelas raízes e só se torna visível quando já atingiu parte do tronco. Além disso, há outro fator que costuma passar despercebido: o uso de vasos sem furos ou com excesso de pratinho embaixo, o que mantém o substrato úmido por muito tempo. A aparência saudável da planta por fora pode mascarar um interior comprometido, e o apodrecimento avança de forma silenciosa.

Quando o caule já está mole, o ideal é agir com rapidez. De acordo com a paisagista Bruna Tavares, da Flora Jardim Aberto, o primeiro passo é interromper completamente as regas e retirar a planta do vaso com delicadeza. “Nessa etapa, é essencial examinar as raízes e o caule base. As partes enegrecidas, moles ou com odor forte devem ser retiradas com cortes firmes, feitos com instrumentos esterilizados”, explica. Ela recomenda o uso de canela em pó ou enxofre agrícola sobre as áreas cortadas, pois atuam como fungicidas naturais e ajudam na cicatrização.
Após essa limpeza, a rosa-do-deserto precisa de tempo para se recuperar. “Deixe a planta em um local seco e arejado por dois a três dias antes de replantar. Esse repouso é importante para secar as feridas e evitar que o fungo se espalhe novamente”, orienta Bruna. Só então deve ser feito o replantio em um novo substrato, com boa drenagem — uma mistura de areia grossa, carvão vegetal moído, fibra de coco e terra adubada costuma funcionar bem. O vaso, por sua vez, precisa ter furos generosos para escoamento da água.

Durante as primeiras semanas após o replantio, é indicado evitar regas regulares. Lucas Amaral recomenda borrifar água nas folhas e manter o substrato apenas levemente úmido.
“O excesso de zelo na irrigação é, muitas vezes, o grande vilão da rosa-do-deserto. É preciso lembrar que ela é uma planta de clima semiárido, acostumada a sobreviver em períodos de estiagem”, destaca.
Com o tratamento correto, a planta tem boas chances de rebrotar. Se, por outro lado, o caule estiver completamente comprometido — escuro e mole por toda a sua extensão — pode ser necessário descartar a planta. Porém, se houver um galho ainda firme e saudável, é possível fazer estaquia. Basta cortá-lo com cuidado, deixar secar por alguns dias e replantar em substrato seco, como se fosse uma nova muda.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


