Paisagismo
Como usar carvão ativado no substrato para proteger suas plantas de fungos e pragas
Publicado
8 meses atrásem

Embora seja mais conhecido por seu uso medicinal ou cosmético, o carvão ativado conquistou um lugar de prestígio nos cuidados com o jardim — e não é à toa. Discreto, leve e acessível, esse ingrediente de aparência inofensiva se revela um verdadeiro aliado quando o assunto é a saúde das raízes e o combate a pragas e fungos. Mais do que um modismo, o uso do carvão ativado no substrato é uma técnica consagrada entre cultivadores atentos, sobretudo em ambientes tropicais e úmidos, onde o excesso de água e a má drenagem podem comprometer até as plantas mais resistentes.
Segundo a paisagista Larissa Vilela, que atua com projetos sustentáveis e jardins tropicais, o carvão ativado age como uma barreira física e química no substrato. “Ele possui uma estrutura altamente porosa, o que lhe confere a capacidade de reter impurezas, excesso de umidade e ainda neutralizar substâncias tóxicas que, eventualmente, surgem com o acúmulo de matéria orgânica”, explica. Além disso, ele melhora significativamente a aeração do solo, tornando-o menos propenso ao surgimento de fungos patogênicos — responsáveis por doenças como o apodrecimento de raízes ou manchas foliares.
Um aliado contra fungos invisíveis
O grande diferencial do carvão ativado está justamente em sua ação preventiva. Em vez de apenas reagir ao surgimento de problemas, como manchas, bolores ou insetos indesejados, ele atua criando um ambiente hostil para esses organismos. Quando incorporado ao substrato — seja em vasos, canteiros ou até mesmo kokedamas — ele ajuda a manter o equilíbrio da microbiota do solo e a reduzir a proliferação de colônias de fungos nocivos.
A bióloga e especialista em cultivo urbano Marina Duarte afirma que o uso do carvão é especialmente útil em plantas tropicais e suculentas, que muitas vezes sofrem com o excesso de regas ou umidade acumulada. “Ele funciona como um filtro natural. Retém o excesso de água, previne odores indesejados e, de quebra, protege o sistema radicular. É quase como um purificador dentro do vaso”, observa.
Como usar o carvão ativado no dia a dia
Para garantir bons resultados, não basta apenas adicionar o carvão de forma aleatória. O ideal é triturá-lo levemente, respeitando o porte da planta e o volume do vaso. O uso mais comum é na base dos recipientes, junto à camada de drenagem — como substituto da brita, por exemplo —, ou misturado diretamente ao substrato, numa proporção de cerca de 10 a 15%.

Esse cuidado é especialmente importante em ambientes com pouca ventilação ou durante as estações mais chuvosas, quando o solo tende a permanecer úmido por longos períodos. Nesse contexto, o carvão evita que os nutrientes se decomponham de forma acelerada e atraiam fungos ou insetos indesejados, como larvas e mosquitos.
Além do uso tradicional em vasos e floreiras, o carvão ativado também pode ser aplicado em composições mais sofisticadas, como terrários e hortas verticais. Nestes casos, ele não apenas melhora o aspecto visual, mas também prolonga a vida útil das plantas cultivadas nesses sistemas fechados, que exigem ainda mais cuidado com o equilíbrio da umidade.
Cuidados e observações importantes
Embora seja um grande aliado, o carvão ativado não substitui boas práticas de cultivo. Ele complementa o cuidado, mas não corrige problemas causados por regas excessivas ou falta de ventilação. Também não deve ser confundido com carvão comum de churrasqueira, que pode conter resíduos químicos e prejudicar as plantas. A versão indicada para jardinagem é aquela produzida a partir de madeira vegetal ou casca de coco, amplamente vendida em lojas de jardinagem ou produtos naturais.
Outra dica relevante é reaplicar o carvão ao longo do tempo, já que sua capacidade de absorção pode se esgotar com o uso contínuo. “Se a planta passou por um processo de infestação ou teve fungos nas raízes, pode ser necessário substituir parte do substrato e renovar o carvão usado”, recomenda Marina.
No fim das contas, o que parecia apenas mais uma curiosidade no universo da jardinagem se mostra como uma das soluções mais práticas, eficazes e sustentáveis para quem deseja manter plantas saudáveis, bonitas e longe dos fungos indesejados. E o melhor: tudo isso com um ingrediente simples, natural e repleto de benefícios escondidos entre seus poros invisíveis.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


