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Embrapa Cerrados inicia nova gestão com foco em inovação e integração internacional
Nova equipe aposta em diálogo interno, captação de recursos e fortalecimento da ciência aplicada às savanas tropicais
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Claudio P. Filla
A Embrapa Cerrados iniciou um novo ciclo administrativo em janeiro com a posse do pesquisador Jorge Werneck na Chefia-Geral da Unidade. O mandato, com duração de dois anos e possibilidade de prorrogação por igual período, marca uma fase de reorganização estratégica em uma das instituições mais relevantes para o desenvolvimento agrícola das savanas tropicais brasileiras.
A cerimônia oficial de transmissão de cargo está prevista para o dia 12 de fevereiro, no auditório Wenceslau Goedert, com a presença da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e do diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Clenio Pillon. Entretanto, mais do que um ato formal, a transição sinaliza uma agenda de fortalecimento institucional em um momento de intensas transformações tecnológicas e ambientais no agro brasileiro.
Experiência técnica e visão estratégica
Engenheiro agrícola e doutor em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos, Jorge Werneck acumula uma trajetória de 25 anos na própria Embrapa. Além disso, construiu experiência relevante na gestão pública ao atuar como diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), superintendente da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) e subsecretário na Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás.
Esse percurso indica uma gestão com forte compreensão dos desafios hídricos, ambientais e regulatórios que impactam diretamente o Cerrado, bioma responsável por parcela significativa da produção nacional de grãos, fibras e proteína animal. Sob essa ótica, a nova administração busca alinhar ciência, sustentabilidade e eficiência operacional.
“Queremos resgatar o sentido de pertencimento de todos para que tenhamos um ambiente de trabalho com reconhecimento, cooperação e oportunidades de desenvolvimento profissional”, afirma Werneck. A declaração aponta para um esforço de reconstrução do clima organizacional, mas também para uma estratégia de retenção de talentos em um cenário de crescente competição por profissionais altamente qualificados.
Integração entre ciência e setor produtivo
A nova equipe de gestão é composta pelo pesquisador Edson Sano, como chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento e chefe-geral substituto; pela analista Cristiane Cruz, à frente da Transferência de Tecnologia; e pelo analista Herler Oliveira, responsável pela Administração.
Segundo Werneck, o foco será fortalecer a integração entre produção científica, políticas públicas e setor produtivo. Para isso, a busca ativa por parcerias internacionais e novas fontes de financiamento surge como prioridade. A meta é transformar o conhecimento acumulado ao longo de cinco décadas em soluções aplicáveis e economicamente viáveis para agricultores, cooperativas e empresas.
Edson Sano reforça que a expectativa é consolidar a Embrapa Cerrados como centro de referência em agricultura de savanas tropicais. “Empenharemos esforços na ampliação de cooperações técnicas internacionais, na captação de recursos internacionais e na transferência de tecnologias para outros países com predominância de savanas tropicais”, destaca. Dessa forma, a Unidade amplia seu alcance não apenas nacional, mas também geopolítico, conectando o Brasil a regiões africanas e asiáticas com desafios agronômicos semelhantes.
Organização interna e modernização tecnológica
Internamente, a nova gestão propõe canais permanentes de comunicação com os empregados, reuniões periódicas para alinhamento estratégico e pactuação transparente de metas por setor. Entretanto, o diferencial está na ênfase na capacitação para adoção de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e internet das coisas, ferramentas que já impactam o monitoramento agrícola, a análise de dados climáticos e a modelagem produtiva.
Cristiane Cruz observa que o desafio central será ampliar o alcance das tecnologias desenvolvidas. “Temos que garantir que a ciência chegue de forma clara e útil para quem decide. Não se trata apenas de transferir tecnologia – queremos transferir melhor, com segurança, estratégia e impacto”, afirma. Assim, a proposta é integrar a área de Pesquisa e Desenvolvimento ao planejamento da difusão tecnológica, priorizando entregas que respondam às demandas reais do campo.
Por outro lado, Herler Oliveira enfatiza a necessidade de maior agilidade administrativa. A intenção é reduzir gargalos e criar fluxos claros para que projetos não percam oportunidades de financiamento ou cooperação. “Buscarei contribuir para fortalecer a gestão administrativa, com apoio às atividades de pesquisa com eficiência e diálogo, pautada na transparência, no respeito às normas e na valorização das pessoas”, ressalta.
Sustentabilidade e competitividade como eixo
Entre os desafios centrais está reorganizar as agendas de pesquisa para refletir as necessidades do setor produtivo sem perder o compromisso ambiental. O Cerrado enfrenta pressão por produtividade, conservação de recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas. Portanto, integrar dimensões socioeconômicas e ambientais torna-se estratégico para manter competitividade e legitimidade institucional.
A proposta da nova gestão é promover diálogo contínuo com produtores, redes de pesquisa e parceiros públicos e privados, além de ampliar a cooperação internacional. Assim, a Embrapa Cerrados reforça sua posição como polo técnico capaz de gerar conhecimento aplicável, sustentável e alinhado às exigências de mercado.
Fonte: Juliana Miura (MTb 4563/DF)
Embrapa Cerrados

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