Frango a R$ 6,90 o quilo: produção em alta empurra preços para baixo no atacado

Maior volume trimestral da história puxa cotações, enquanto mercado projeta recuperação com o fim da Quaresma

Frango a R$ 6,90 o quilo: produção em alta empurra preços para baixo no atacado

Os preços da carne de frango recuaram de forma consistente ao longo de março. No atacado da Grande São Paulo, o frango congelado estava cotado a R$ 6,90 o quilo nesta quinta-feira (26/3), segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), queda de 4,96% desde o início do mês. A carne resfriada acompanhou o movimento e também fechou a R$ 6,90 o quilo, com recuo ainda mais pronunciado: 5,61% no mesmo período.

A pressão sobre as cotações tem origem direta no desempenho histórico da produção nacional. O Brasil encerrou 2025 com 14,3 milhões de toneladas de carne de frango produzidas, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), crescimento de 4,2% frente a 2024 e o avanço anual mais intenso desde 2021. Só no quarto trimestre do ano passado, a produção somou 3,65 milhões de toneladas, o maior resultado trimestral de toda a série histórica do IBGE, com alta de 8% sobre o mesmo período de 2024.

O volume disponível no mercado doméstico seguiu elevado nos meses seguintes. Projeções do Cepea indicam crescimento na disponibilidade interna de dezembro para janeiro, quando atingiu recorde, com leve retração em fevereiro e nova alta em março. Esse comportamento se manteve mesmo diante do bom desempenho das exportações brasileiras de frango, que continuam absorvendo parte relevante da produção nacional, sem ser suficientes para aliviar o excedente interno.

O cenário, contudo, começa a sinalizar mudança. Para o próximo trimestre, o Cepea estima que o ritmo de abates da indústria deve diminuir, o que tende a comprimir a oferta disponível. Aliado a isso, o encerramento do período da Quaresma deve estimular a demanda por proteínas, incluindo as carnes bovinas e suínas, o que historicamente redistribui parte do consumo e contribui para a recomposição das cotações avícolas. A combinação desses dois fatores abre espaço para uma recuperação dos preços internos dos produtos avícolas ainda no segundo trimestre de 2025.

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