Agro
Milho recua para R$ 65 e pressiona margens do produtor no início da safra
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1 dia atrásem
Por
Claudio P. Filla
O mercado brasileiro de milho encerrou o mês de janeiro sob nova pressão de baixa, reforçando um movimento que vinha se desenhando desde o início do ano. O Indicador do Cepea, com base na região de Campinas (SP), voltou a operar na casa dos R$ 65 por saca de 60 quilos, nível que não era observado desde o final de outubro de 2025, sinalizando um ambiente de pouca sustentação para os preços no curto prazo.
Esse comportamento reflete, sobretudo, a combinação entre liquidez reduzida e um cenário de oferta confortável. De acordo com o centro de pesquisas, os compradores adotaram uma postura cautelosa ao longo do período, priorizando o consumo de estoques previamente contratados e realizando aquisições apenas de forma pontual. Assim, o mercado físico operou com baixo volume de negócios, mesmo diante de valores mais atrativos.
Do lado dos vendedores, o movimento foi igualmente defensivo, porém com maior flexibilidade nos preços. Parte dos produtores, pressionada pela necessidade de liberar espaço nos armazéns e pelo receio de novas desvalorizações nas próximas semanas, passou a aceitar negociações em níveis mais baixos. Esse ajuste contribuiu para aprofundar a retração das cotações, sobretudo em regiões com maior concentração de oferta.
Tradicionalmente, o início do ano costuma trazer algum suporte ao milho, impulsionado pela colheita da soja e pelo aumento da demanda por fretes, que tende a encarecer a logística e limitar a disponibilidade do cereal. Entretanto, em 2026, esse efeito sazonal tem sido neutralizado por um fator estrutural: o elevado volume de estoques no país.
Segundo as estimativas do Cepea, os estoques de milho neste começo de temporada somam cerca de 12 milhões de toneladas, número significativamente superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o volume era de 1,8 milhão de toneladas. Além disso, o montante atual supera a média das últimas cinco safras, estimada em 9,2 milhões de toneladas, ampliando a sensação de oferta abundante no mercado interno.
Dessa forma, mesmo em um contexto que historicamente favoreceria alguma recuperação de preços, o milho segue encontrando dificuldades para reagir. A elevada disponibilidade do cereal, associada ao ritmo moderado das compras, mantém o mercado pressionado e indica que movimentos mais consistentes de alta dependem, necessariamente, de mudanças no balanço entre oferta, demanda ou no fluxo de exportações ao longo dos próximos meses.
Fonte: CEPEA

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