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Ovinos que limpam erval e geram renda: como a ATeG reorganizou uma propriedade no Paraná

Produtor de São Mateus do Sul usava ovelhas para substituir herbicida — mas foi a assistência técnica que transformou a atividade em negócio

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Ovinos que limpam erval e geram renda: como a ATeG reorganizou uma propriedade no Paraná

Jonas Lima não entrou na ovinocultura pensando em vender carne. A intenção era outra, mais prática e porteira para dentro: usar os animais para limpar e manter o erval, cortando custos de manejo na atividade principal da propriedade. A lógica fazia sentido. O resultado, porém, era uma incógnita.

Com a chegada do rebanho, vieram as dúvidas sobre reprodução, alimentação e saúde dos animais — e, principalmente, sobre os números. “Não sabíamos se a ovinocultura dava lucro ou prejuízo”, lembra o produtor. Essa falta de controle é mais comum do que parece nas propriedades que diversificam a produção sem estrutura gerencial para acompanhar a nova cadeia.

Foi nesse momento que Lima conheceu a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP. O programa combina orientação técnica de campo com ferramentas de controle financeiro, oferecendo visitas mensais de um técnico especializado e metodologia estruturada para organizar custos, metas e investimentos. A mudança não foi gradual. Foi imediata.

O controle individual que mudou o rebanho

Com a orientação do técnico, o produtor implantou o controle individual das matrizes — coleiras numeradas, registros de partos, sexo das crias e desempenho reprodutivo de cada animal. Parece simples. Na prática, é o que separa uma criação amadora de uma operação com resultado previsível.

A partir dos registros, Lima conseguiu identificar os animais mais produtivos e descartar os que pesavam no custo sem contribuir para o resultado. Além disso, a vacinação contra tétano, recomendada pelo técnico, reduziu significativamente a mortalidade de cordeiros — problema que o produtor enfrentava sem sequer saber que havia solução disponível no mercado. “Antes, perdíamos muitos filhotes e nem sabíamos que existia vacina. Hoje, os animais já nascem imunes e tivemos menos perdas. Também sentimos uma melhoria na reprodução e no ganho de cordeiros. Este ano, tivemos carneiro criando duas vezes”, conta Jonas.

Isso é ganho de produtividade real, mensurável, sem aumentar o custo estrutural da propriedade.

Os ovinos que eliminaram o herbicida

Antes mesmo da ATeG, os ovinos já entregavam um resultado expressivo na erva-mate. Desde 2009, Lima mantém o erval sem uso de produtos químicos — e atribui isso diretamente à presença dos animais no sistema. O reflexo aparece nos números: aumento de mais de 180% na produtividade da lavoura, além da conquista de certificações orgânicas nos mercados nacional, europeu e norte-americano. Certificações que, no mercado atual, representam acesso a compradores exigentes e preços diferenciados.

“Os ovinos ajudaram a melhorar essa questão de custo e produção da erva-mate. Agora com a ATeG, estamos conseguindo melhorar também a ovinocultura para ter mais uma fonte de renda”, explica o produtor.

A integração entre as duas atividades — erva-mate e ovinocultura — funcionou como um sistema agrossilvopastoril informal, onde um componente sustenta o outro. Contudo, sem controle gerencial, o potencial da ovinocultura como negócio ficava represado.

Gestão financeira: saber o que entra e o que sai

O acompanhamento financeiro proporcionado pela ATeG trouxe o que faltava: clareza. “Sabendo exatamente o que entra e sai por mês, conseguimos identificar erros, fazer melhorias e planejar investimentos. Já compramos um novo moedor de grãos e estamos programando um novo abrigo para os animais”, afirma Jonas.

Essa mudança de postura — de reativo para planejado — é o que diferencia uma propriedade estagnada de uma que cresce com consistência. O produtor que conhece seu custo real por cabeça, sua taxa de natalidade e sua margem por quilo produzido tem em mãos informações que a maioria dos pequenos criadores simplesmente não possui.

Para Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, esse é exatamente o papel estratégico da ATeG.

“O programa permite que os produtores aprimorem técnicas, melhorem a gestão financeira e aumentem a competitividade de suas propriedades, garantindo sustentabilidade e geração de renda no campo”, destaca.

ATeG atende 14 cadeias produtivas no Paraná

Lançado em 2023, o programa está disponível para 14 cadeias produtivas: apicultura, avicultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, cafeicultura, floricultura, fruticultura, grãos e cereais, olericultura, ovinocultura de corte, piscicultura, turismo rural, suinocultura e silvicultura.

A metodologia segue cinco etapas: diagnóstico da propriedade, definição de metas com o técnico, execução das orientações, capacitação complementar e avaliação de desempenho com base nos indicadores gerados ao longo do processo. A participação tem duração de dois anos.

Jonas Lima resume a experiência com a clareza de quem já considerou jogar a toalha. “Há uns anos, pensávamos até em desistir da ovinocultura. Hoje, sabemos onde erramos, conseguimos planejar e investir melhor, e isso nos dá ânimo para continuar e crescer.”

Produtores interessados podem procurar o sindicato rural local ou acessar as informações diretamente no site do Sistema FAEP.

Fonte: Sistema FAEP.

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