O USDA bateu o martelo. Durante o Agricultural Outlook Forum realizado nos dias 19 e 20 de fevereiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projetou crescimento de 1% na produção de frangos de corte americanos para 2026, com volume total estimado em 21,98 milhões de toneladas. O número parece modesto. Mas o que está por trás dele é o que importa para quem acompanha o mercado de proteína animal de perto.
A base que sustenta essa projeção é sólida. “A redução dos custos da ração, a melhoria contínua da produtividade do plantel de poedeiras e o retorno positivo da forte demanda do consumidor por proteínas animais devem sustentar o crescimento contínuo da produção”, afirma o USDA em relatório divulgado na mesma ocasião. Ração mais barata significa margem maior para o integrador e para o produtor. Consequentemente, o incentivo para ampliar o alojamento cresce — e a cadeia responde.
Em 2025, a produção americana fechou em 21,77 milhões de toneladas, alta de 2% sobre o ano anterior. O setor, portanto, já vinha em trajetória ascendente antes mesmo dessa nova projeção.
Exportações estabilizam — e o Brasil é parte da explicação
No lado das exportações, o cenário é diferente. O USDA estima que os embarques americanos de carne de frango se estabilizem em 3,03 milhões de toneladas em 2026, após recuo registrado em 2025. A recuperação existe, mas é contida. E os técnicos do Departamento apontam diretamente o porquê: os exportadores brasileiros seguem como concorrência direta e relevante nos mercados compradores.
Esse ponto não deve ser subestimado. O Brasil consolidou nos últimos anos uma posição de destaque nas exportações globais de frango, com custos de produção competitivos e acesso a mercados estratégicos. Portanto, qualquer recomposição americana no mercado externo vai precisar disputar espaço palmo a palmo com o produto brasileiro.
Ovos: o verdadeiro salto do setor
Se no frango o crescimento é gradual, nos ovos a expansão é mais expressiva. O USDA projeta alta de 6% na produção americana em 2026, com a oferta chegando a 9,2 bilhões de dúzias. O movimento acompanha a recomposição dos plantéis de poedeiras, que sofreram baixas significativas nos últimos ciclos em razão da influenza aviária — problema que castigou duro o setor e derrubou a disponibilidade interna.
O reflexo mais imediato desse crescimento aparece nas importações. Enquanto a estimativa para 2025 aponta 122,5 milhões de dúzias importadas, o volume projetado para 2026 cai para 40 milhões de dúzias. Uma redução de quase 70%. Ainda assim, os próprios técnicos do USDA classificam esse patamar como elevado — o que sinaliza que o reequilíbrio do mercado interno americano ainda não está completo.
O que o produtor brasileiro precisa monitorar
A recomposição dos plantéis americanos de poedeiras reduz a janela de oportunidade para exportadores que aproveitaram o déficit interno dos EUA. Por outro lado, o crescimento da produção americana de frango, concentrado no mercado interno, não elimina — e por ora nem ameaça de forma direta — o espaço conquistado pelo Brasil nos destinos tradicionais de exportação.
O movimento a observar nos próximos meses é o comportamento do preço disponível no mercado internacional. Se a oferta americana crescer mais do que o projetado, a pressão sobre as cotações globais de carne de frango pode apertar as margens do exportador brasileiro. Quem está planejando o mix de produção para o segundo semestre de 2026 precisa ter esse cenário no radar.