Agro
Produção de figo cresce em Itapetininga e mostra rentabilidade em pequenas áreas
Safra entre dezembro e maio enfrenta desafio climático, mas produtores mantêm qualidade com manejo direcionado
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A figueira está provando ser mais do que uma aposta de quintal no Sudoeste de São Paulo. Na região de Itapetininga, a cultura avança como alternativa viável para pequenos produtores que buscam diversificar a renda sem depender de grandes extensões de terra. A safra, que se estende de dezembro até o início de maio, tem atraído agricultores pela versatilidade comercial do fruto e pela possibilidade de manejo em áreas reduzidas.
José Ronaldo Serigioli cultiva figo há quatro anos e mantém 200 pés em apenas 2 mil metros quadrados. A rotina começa às 5h da manhã, duas vezes por semana, quando realiza a colheita manual dos frutos destinados à feira livre da cidade. Para ele, o timing é tudo.
“A gente precisa pegar o figo no ponto certo, senão perde qualidade e preço. Não adianta esperar muito, porque o mercado quer fruta firme”, explica Serigioli, que vende toda a produção diretamente ao consumidor final.
Chuvas antecipadas exigem manejo mais preciso
O calendário climático de 2026 trouxe um desafio extra para quem trabalha com a cultura. As chuvas chegaram mais cedo do que o esperado, antecipando a umidade relativa do ar justamente no período de maturação dos frutos. Isso significa maior pressão de doenças fúngicas e risco de rachadura da casca, problemas que comprometem a aparência e a vida útil do figo pós-colheita.
Porém, os produtores da região não ficaram parados. A estratégia tem sido antecipar a colheita nos dias mais secos e intensificar o monitoramento visual das plantas. Além disso, a escolha do horário de colheita — preferencialmente pela manhã, antes do pico de calor — ajuda a preservar a textura e reduzir o manuseio excessivo, que pode danificar a película externa do fruto.
Rentabilidade em pequenas áreas
O que torna o figo atrativo para produtores como Serigioli é a relação entre área plantada e retorno financeiro. Diferente de culturas que exigem grandes extensões para viabilidade econômica, a figueira permite produção comercial em lotes pequenos, especialmente quando aliada à venda direta. Esse modelo encurta a cadeia, elimina intermediários e garante margem maior por quilo vendido.
A versatilidade do figo no mercado também joga a favor. O fruto in natura atende nichos de alimentação saudável, enquanto versões processadas — como geleias, compotas e até combinações salgadas em pratos gastronômicos — ampliam as possibilidades de comercialização. Essa diversidade de uso protege o produtor de oscilações bruscas de demanda em um único canal.
Manejo técnico faz a diferença no campo
Para Carlos Henrique Brancalhão, engenheiro agrônomo com experiência em fruticultura de clima temperado, o sucesso com figo está diretamente ligado ao manejo fitossanitário preventivo.
“A figueira é sensível a excesso de umidade no solo e na parte aérea. O produtor precisa garantir boa drenagem, espaçamento adequado entre plantas e poda de formação bem-feita para facilitar a ventilação”, orienta Brancalhão.
Segundo ele, a adubação equilibrada também influencia na firmeza do fruto, característica decisiva para quem comercializa in natura. Outro ponto levantado pelo agrônomo é a importância da observação constante.
Pequenos produtores têm vantagem nesse aspecto, já que conseguem monitorar planta por planta, identificando sinais de estresse hídrico, ataque de pragas ou deficiências nutricionais antes que o problema se espalhe.
A cultura do figo em Itapetininga segue em expansão discreta, mas consistente. Produtores como Serigioli mostram que é possível gerar renda significativa em áreas compactas, desde que o manejo seja criterioso e a logística de venda esteja bem ajustada. Com a janela de safra estendida até maio, a expectativa é de que mais agricultores familiares encarem a figueira como uma cultura complementar rentável, capaz de diversificar o mix de produção e fortalecer a presença nas feiras locais.
Fonte: G1
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