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Sachês biodegradáveis de amido inauguram nova era na liberação controlada de fertilizantes

Formulações reforçadas com nanopartículas ampliam a eficiência nutricional das plantações e reduzem perdas químicas no solo.

by Derick Machado
26 de novembro de 2025
in Agro
Foto: João Otávio Donizette Malafatti

Foto: João Otávio Donizette Malafatti

Resumo

• A inovação utiliza sachês biodegradáveis de amido reforçados com nanopartículas para controlar a liberação de fertilizantes, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.
• A zeólita com íons de cobre melhora a resistência do invólucro, oferece ação antimicrobiana e atua como fonte adicional de micronutrientes no solo.
• Ensaios mostraram liberação gradual de compostos como ureia e cobre, garantindo nutrição contínua e menor perda por lixiviação ou dispersão aérea.
• A tecnologia permite personalizar formulações para diferentes culturas, ajustando solubilidade e ritmo de liberação conforme as necessidades da planta.
• Em fase laboratorial, os sachês apresentam potencial para uso em jardinagem, estufas e, futuramente, na agroindústria com escalonamento e redução de custos.

Em um momento em que a agricultura busca reduzir desperdícios e ampliar a eficiência nutricional das lavouras, uma inovação desenvolvida pelo LNNA/Embrapa Instrumentação, em parceria com a UFSCar, começa a ganhar protagonismo. Trata-se de sachês produzidos à base de amido e reforçados com nanopartículas, capazes de substituir polímeros derivados de petróleo utilizados em formulações convencionais. Aliás, o grande diferencial desse invólucro está na combinação entre biodegradabilidade e inteligência funcional: ele não apenas carrega fertilizantes granulados ou em pó, como também controla sua liberação no solo.

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O princípio é simples, mas extremamente promissor. Como o amido é naturalmente biodegradável, ele serve como matriz para receber diferentes misturas de nutrientes essenciais, incluindo o tradicional trio nitrogênio, fósforo e potássio (NPK). Entretanto, ao contrário das aplicações comuns — muitas vezes em doses elevadas que excedem a capacidade de absorção da planta —, os sachês regulam o fornecimento de cada composto. “Os sachês visam o controle da liberação para que a planta se alimente gradualmente. Nesse sentido, modulamos diferentes tipos de sachês dependendo dos nutrientes que vamos adicionar em seu interior”, descreve um dos pesquisadores envolvidos no projeto.

Nanotecnologia que fortalece o invólucro e agrega funções ao fertilizante

O amido, apesar de sustentável, é naturalmente suscetível à degradação rápida, o que exigiu uma formulação mais robusta. Para isso, os pesquisadores incorporaram nanopartículas de zeólita rica em íons de cobre, criando uma estrutura mais resistente e funcional. Esse mineral poroso se destaca pela enorme capacidade de adsorção e, aliado ao amido processado com ureia e ácido cítrico, produz filmes com maior estabilidade mecânica.

A zeólita atua em múltiplas frentes. Além de reforçar o invólucro, apresenta propriedades antimicrobianas marcantes, capazes de controlar fungos como Alternaria alternata. “Os íons de cobre presentes na zeólita têm dupla função: apresentam grande propriedade antimicrobiana […] e são fontes de micronutriente mineral, posteriormente absorvido pelas raízes”, detalha o estudo.

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Essa combinação favorece a integridade do sachê até o momento da aplicação no solo, permitindo que ele se mantenha estável o suficiente para cumprir sua função de liberação gradual — algo que fertilizantes altamente solúveis não conseguem garantir por conta própria.

Resistência, permeabilidade e o desafio de superar polímeros petroquímicos

Ao comparar matrizes biodegradáveis com polímeros sintéticos, o estudo revela que ainda existe um caminho de aprimoramento, especialmente no que diz respeito à durabilidade e à resistência mecânica. Contudo, ajustes na concentração de zeólita já mostraram avanços expressivos. Ensaios laboratoriais indicaram que a proporção ideal é de 3% em relação ao amido; acima disso, as partículas tendem a se aglomerar, tornando o material frágil.

A porosidade natural da zeólita adiciona outra vantagem: armazenamento de água. “Ela pode armazenar água, por ser muito porosa e hidrofílica”, descreve o trabalho. Em períodos de estiagem, essa retenção contribui para manter o fertilizante ativo e acessível, funcionando quase como um “sachê de chá” que libera nutrientes conforme a água permeia suas fibras.

Controle de solubilidade e pesquisas anteriores que ampliam o uso dos sachês

A versatilidade da tecnologia se evidencia quando aplicada a fertilizantes pouco solúveis. Um estudo anterior, conduzido com hidroxiapatita nanoparticulada — fonte importante de fósforo —, mostrou que a acidificação promovida pela pectina adicionada ao amido aumentou significativamente a solubilidade do composto. “O objetivo é reduzir a percolação […] e o arraste do fertilizante particulado dentro do sachê”, explica a pesquisadora responsável pelo experimento.

Enquanto isso, no caso de substâncias altamente solúveis, como o cloreto de potássio ou a ureia, o foco é justamente retardar a diluição rápida. Assim, formulações específicas modulam a liberação para evitar perdas por lixiviação ou dispersão aérea, dois fenômenos responsáveis por prejuízos econômicos e danos ambientais.

Resultados: liberação gradual e viabilidade ambiental

Para testar o comportamento dos sachês, as amostras foram mantidas em meio aquoso durante 30 dias. A permeabilidade do invólucro permitiu a liberação controlada de íons de cobre (7 mg L⁻¹) e ureia (300 mg L⁻¹), comprovando que o sistema consegue estabelecer um fluxo contínuo sem liberar todo o conteúdo de uma vez. Essa liberação sustentada favorece a nutrição vegetal e reduz perdas químicas no solo.

Também foram avaliadas a solubilidade da zeólita e sua citotoxicidade. Os ensaios realizados com sementes de agrião indicaram 92% de viabilidade de germinação após exposição ao cobre, sugerindo que o material é seguro para uso agrícola. Em meios ácidos, a liberação do cobre aumentou de 5% para 45%, demonstrando que a formulação pode ser ajustada de acordo com a necessidade nutricional da cultura.

Custos, customização e potencial de adoção pela agroindústria

Embora o amido seja uma matéria-prima promissora, seu custo pode aumentar quando combinado a componentes adicionais. Ainda assim, o estudo aponta que amidos de menor pureza — incluindo os provenientes de resíduos — podem ser utilizados para baratear a produção. Essa adaptação abre caminho para que os sachês sejam viáveis economicamente e incorporados pela agroindústria.

Outro ponto positivo é a liberdade de formulação. Qualquer fertilizante granulado ou particulado pode ser inserido no interior do sachê, e isso permite criar combinações específicas para diferentes tipos de cultivo. Essa abordagem abre espaço para uma fertilização sob medida, em que o tipo de sachê e sua composição determinam o ritmo de liberação dos nutrientes.

Por enquanto, a tecnologia está em escala laboratorial, com aplicação imediata em jardinagem, paisagismo, hidroponia e estufas. No entanto, o potencial para uso em lavouras de grande escala é evidente — bastando avanços em viabilidade econômica e escalonamento industrial.

Uma fertilização feita sob medida para cada cultura

A customização é um dos pilares dessa inovação. Culturas como uvas e tomates, por exemplo, têm necessidades nutricionais distintas, e isso exige diferentes graus de solubilidade e taxas de liberação. “É uma espécie de fertilização customizada”, resume o estudo, reforçando a perspectiva de que, no futuro, os sachês poderão ser desenhados para cada tipo de plantação e para cada fase do desenvolvimento vegetal.

Combinando biodegradabilidade, nanotecnologia e controle inteligente de liberação, a inovação representa um passo importante rumo a uma agricultura mais eficiente, menos desperdiçadora e alinhada às demandas ambientais contemporâneas.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Via: Karina Ninni | Agência FAPESP
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