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Soja certificada ganha rota estratégica para o Sul da Ásia com embarque da Cofco

Volume de 40 mil toneladas vendido à MGI mostra que sustentabilidade já virou requisito comercial

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Soja certificada ganha rota estratégica para o Sul da Ásia com embarque da Cofco

A Cofco International enviou ao Bangladesh a primeira remessa de soja brasileira certificada pelo seu Padrão de Agricultura Responsável. Foram aproximadamente 40 mil toneladas embarcadas com destino ao Meghna Group of Industries (MGI), maior conglomerado agroindustrial do país asiático. O mercado sentiu o movimento.

O volume não impressiona apenas pelo peso. Ele sinaliza algo maior: a consolidação de uma rota comercial baseada em rastreabilidade e exigência ambiental crescente na Ásia. E isso muda o jogo para quem está da porteira para dentro.

A Ásia quer soja rastreada — e paga por isso

A MGI adquiriu a carga para produção de ração animal, atendendo tanto o mercado doméstico quanto clientes externos, inclusive na Europa. Esse detalhe importa. A ração produzida em Bangladesh pode alimentar cadeias que exportam para mercados com regras rígidas de origem. Se a matéria-prima não for certificada, o produto final trava na fronteira.

É por isso que a demanda por soja com comprovação de origem responsável cresce. Não é discurso ambiental. É requisito comercial.

Segundo a Cofco, o programa de certificação lançado no Brasil em 2025 permite que a soja rastreada alcance compradores na América Latina, China e Sudeste Asiático. Agora, o Sul da Ásia entra definitivamente no radar. Isso amplia a janela de oportunidades para produtores que já operam dentro de critérios ambientais mais rígidos.

“Nosso compromisso vai muito além do que apenas exportar grãos, trata-se de criar oportunidades. Ao direcionarmos soja sustentável para Bangladesh, estamos unindo a responsabilidade ambiental à expansão econômica, viabilizando o acesso dos produtores brasileiros a mercados internacionais e, ao mesmo tempo, contribuindo para a segurança alimentar global”, afirmou Luiz Noto, CEO da divisão de Grãos e Oleaginosas da Cofco International no Brasil.

A fala deixa claro o objetivo estratégico: consolidar canais premium de exportação antes que as exigências regulatórias se tornem barreiras intransponíveis.

Certificação virou instrumento de mercado

A carga embarcada atende ao Módulo 1 do padrão Cofco, que considera produção livre de desmatamento e conversão após 31 de dezembro de 2020. A empresa utiliza rastreabilidade e monitoramento por satélite para validar as áreas de origem. Não há espaço para improviso.

Na prática, isso significa que produtores integrados ao programa precisam ter documentação fundiária regular, conformidade ambiental e controle de cadeia. Quem já fez o dever de casa sai na frente. Quem ainda opera no limite, começa a perder acesso.

O ponto central não é apenas ambiental. É comercial. Se o prêmio não aparece diretamente no preço disponível hoje, ele pode surgir na forma de manutenção de mercado amanhã. E perder mercado custa caro.

Para o Meghna Group of Industries, a operação também tem peso estratégico. “O carregamento certificado sublinha nossos esforços estratégicos para atender à crescente demanda regional por produtos agrícolas sustentáveis”, declarou Tanjima Mostafa, diretora do MGI.

Traduzindo: Bangladesh quer garantir fornecimento estável e alinhado às exigências internacionais antes que a concorrência aperte.

O recado para o produtor brasileiro

A exportação de soja certificada não é mais exceção. Está virando padrão em determinados destinos. E quando o padrão muda, o mercado acompanha.

Hoje são 40 mil toneladas. Amanhã pode ser um navio por semana.

Para o produtor, a pergunta deixa de ser “vale a pena certificar?” e passa a ser “quanto tempo posso esperar antes de precisar?”. A Ásia está ampliando sua exigência ambiental ao mesmo tempo em que aumenta o consumo de proteína animal. Essa equação pressiona a cadeia inteira.

O Brasil continua competitivo em volume. Mas competitividade, daqui para frente, também passa por conformidade. E quem entender isso cedo terá mais espaço na próxima safra.

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