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Soja reage em Paranaguá, mas o campo ainda não tem motivo para comemorar

Com alta de 3,3% em fevereiro, o indicador Cepea/Esalq sinaliza recuperação — e o clima nos próximos 15 dias vai definir até onde esse movimento vai

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Soja reage em Paranaguá, mas o campo ainda não tem motivo para comemorar

O preço da soja voltou a subir em Paranaguá (PR) nesta quinta-feira (19/2), e o mercado já sente que a recuperação não veio do nada. O indicador Cepea/Esalq avançou 1,23% na sessão, fechando a R$ 129,06 a saca — e o acumulado de fevereiro já marca alta de 3,3%, revertendo parte das perdas expressivas registradas em janeiro.

O pano de fundo é o clima. Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, enfrenta chuvas persistentes que estão atrasando a colheita em áreas estratégicas. Para Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, esse atraso é o principal fator de pressão sobre os preços no curto prazo. “Os próximos 15 dias prometem mais chuvas, que devem atrapalhar a colheita, a menos que o clima tenha o comportamento dos últimos dias, com sol durante o dia, e as precipitações acontecendo no período da noite”, avaliou.

O produtor que ainda tem soja em estoque sabe o que isso significa porteira para dentro: colheita travada reduz a oferta disponível no mercado, e preço disponível tende a reagir. Esse movimento já está acontecendo.

Chicago sobe mesmo com mais área nos EUA

A reação não ficou restrita ao mercado interno. Na bolsa de Chicago, os contratos de soja para maio fecharam em alta de 0,61%, cotados a US$ 11,56 o bushel — e isso aconteceu mesmo com sinalizações de aumento de área plantada nos Estados Unidos para a próxima safra. O mercado optou por ignorar a perspectiva de oferta futura e reagiu ao estresse imediato de curto prazo. Isso diz muito sobre o humor dos fundos e operadores neste momento.

Interior ainda patina

Contudo, olhar apenas para Paranaguá seria um erro de leitura. Nas demais praças do país, o movimento foi bem mais tímido. Em Ponta Grossa (PR), a saca terminou o dia a R$ 120,50, alta de apenas R$ 1,50 em relação à véspera. Em Passo Fundo (RS), a cotação se manteve estável em R$ 122. Já em Primavera do Leste (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA), os valores ficaram em R$ 107,50 e R$ 111, respectivamente, sem variação.

O diferencial entre o porto e o interior revela o que qualquer operador experiente já conhece: o prêmio de Paranaguá está sendo sustentado pela demanda por exportação, não por uma virada generalizada de mercado. Aliás, enquanto a soja não sair do campo em Mato Grosso, o produtor do Centro-Oeste continuará vendo uma cotação bem abaixo do que aparece nas telas do porto paranaense.

O que esperar dos próximos dias

A janela climática das próximas semanas vai ditar o ritmo. Se as chuvas de MT se intensificarem e os atrasos de colheita se aprofundarem, a pressão compradora sobre o disponível deve se manter — e Paranaguá pode continuar acima de R$ 129. Por outro lado, qualquer abertura de janela seca que acelere a colheita e normalize o fluxo de oferta tende a refrear esse movimento. O produtor que ainda segura lote deve acompanhar o boletim climático com a mesma atenção que acompanha a CBOT.

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